A líder de um governo de três pinos

"Ver a enquete posta no ar pela líder do governo de extrema-direita de Bolsonaro, deputada Joice Hasselmann, não deve mesmo surpreender ninguém", avalia o jornalista Gilvandro Filho, do Jornalistas pela Democracia; "Afinal, que assunto, no cenário crítico que agasalha a gestão de Jair Messias pode ser mais relevante do que saber dos brasileiros se eles querem ou não continuar usando a tomada elétrica de três pinos? Ao meu ver, nenhum"

Por Gilvandro Filho, para o Jornalistas pela Democracia

Abrir o noticiário de ver a enquete posta no ar pela líder do governo de extrema-direita de Bolsonaro, deputada Joice Hasselmann, não deve mesmo surpreender ninguém. Afinal, que assunto, no cenário crítico que agasalha a gestão de Jair Messias pode ser mais relevante do que saber dos brasileiros se eles querem ou não continuar usando a tomada elétrica de três pinos? Ao meu ver, nenhum.

Está tudo muito bem, pelo menos menos para eles. Como não ser feliz num país que dizimou as conquistas trabalhistas e caminha para acabar de vez com a aposentadoria dos idosos e dos pobres? Bolsonaro não entende de economia, mas Paulo Guedes entende, como sempre diz o presidente-mito. Não há razão para se debater mais nada. A tomada de três pinos é, sim, prioridade na discussão política nacional.

E o que dizer da maravilha que é ter um quarteto de ministros como os "inacreditáveis" do governo? Lorenzoni, Weintraub, Ernesto, Villar e Damares. Vamos combinar. Nem o Real Madrid conseguiria um constelação galáctica dessas em uma única escalação. A articulação política do governo é um primor. A Educação está uma maravilha em conteúdo e modernidade. O chanceler não exerce o cargo, tudo bem (o filho Eduardo é o ministro de fato, para o presidente), mas, vamos lá, é ao menos um teórico. No Meio Ambiente, estamos ótimos e o fato de ter um ministro condenado por crime ambiental é só um detalhe. E Damares... Sem palavras para descrevê-la. Diante de um quadro desses, vamos resolver logo o destino dos três pinos na tomada.

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Que preocupação maior poderia tomar conta de um país como o nosso, com um presidente eleito na esteira de fake news, ajudado por um juiz que tirou o virtual eleito do páreo e depois virou ministro da Justiça? Está certo que, com a grande imprensa dócil e domada, foi preciso vir um Glenn Greenwald com essas revelações contra Moro, juízes e procuradores. Tudo de somenos importância, já que a Globo decretou que descobrir os "hackers" que invadiram as contas do Telegram das "vítimas" é o ponto focal do problema.

A própria líder do governo já afirmou ter ouvido de Sérgio Moro que ele não fez nada ilícito. Perante uma garantia dessa monta, discutir mais o que? Fim de papo. Deixem o cara trabalhar, fazer sua campanha rumo ao STF e, mais adiante, abiscoitar a candidatura a presidente da República. Para suceder um potentado feito Bolsonaro, está tudo bem.

Essa calma sertaneja na qual o governo sua rede balança é que deve ter impulsionado a líder governista a definir, com conforto, a sua agenda e por na pauta uma discussão palpitante como esta.

Definir os três pinos da tomada é a discussão perfeita para um governo que tem todos os pinos frouxos.

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