A mágoa de Picciani com Bretas, juiz e algoz

"Nos últimos anos de sua vida, Picciani já não carregava mágoas. Em seu coração, já não havia espaço para ressentimentos, nem mesmo em relação a Marcelo Bretas – juiz e algoz de sua família", escreve Ricardo Bruno

Jorge e Felipe Picciani
Jorge e Felipe Picciani
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Um das maiores mágoas que Jorge Picciani levou de sua atribulada vida política está relacionada à decisão do juiz Marcelo Bretas de manter seu filho Felipe preso por nove meses. A despeito de não ter qualquer participação nas atividades do pai, o zootecnista que administrava as empresas agropecuárias da família foi mantido inexplicavelmente no cárcere, sem que houvesse qualquer prova de seu envolvimento em negócios supostamente ilícitos.

Por conta do câncer, Jorge foi transferido para a prisão domiciliar e seus outros dois filhos, Leonardo e Rafael, um deputado federal e outro estadual, tinham imunidade parlamentar. Num movimento interpretado como pura e simples retaliação pessoal, Bretas decretou, então, a prisão de Felipe – trazendo desconforto e revolta no pai, que sabia da absoluta inocência do filho.

Foram meses tensos, de lágrimas e inconformismo com a medida autoritária de Marcelo Bretas. Não raro, Picciani extravasava a dor que o atormentava pela decisão do magistrado que, na sua opinião, usava torpemente o filho para atingi-lo.

Felipe foi citado vagamente pelo ex-presidente do TCE Jonas Lopes como peça lateral de um suposto esquema de lavagem de dinheiro. Quando foi decretada sua prisão, entre surpreso e inconformado, indagou: "Pai, como é que o cara fala um negócio desse?'

Ao que, Picciani respondeu: 'A gente não sabe o que passa no coração de cada um”.

Nos últimos anos de sua vida, Picciani já não carregava mágoas. A luta contra o câncer o fez centrar energias na tentativa de recuperar a saúde e cuidar dos filhos mais novos, crianças ainda. Em seu coração, já não havia espaço para ressentimentos, nem mesmo em relação a Marcelo Bretas – juiz e algoz de sua família.

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