A maluquice é sem limites

"Até quando o país aguentará conviver com tamanha falsa de noção, tamanha falta de responsabilidade?", questiona o jornalista Eric Nepomuceno

(Miami - Flórida, 09/03/2020) Palavras do Senhor Presidente da República Jair Bolsonaro.
Foto: Alan Santos/PR
(Miami - Flórida, 09/03/2020) Palavras do Senhor Presidente da República Jair Bolsonaro.
Foto: Alan Santos/PR (Foto: Alan Santos)

Por Eric Nepomuceno, para o Jornalistas pela Democracia 

Que as relações de Jair Messias com a realidade são, na melhor das hipóteses, péssimas, está mais que comprovado. Que sua noção de responsabilidade é inexistente, também. 

Mas agora o seu destempero e seu desequilíbrio romperam qualquer vestígio de limites. 

Enquanto o planeta vive uma turbulência gravíssima, cujas consequências ainda são difíceis de avaliar e prever, Jair Messias, em passeio por Miami, onde foi de novo prestar asquerosa vassalagem a Donald Trump, dispara saraivada de maluquices que mostram até que ponto este país está perdido. Entre uma estupidez (houve fraude nas eleições de 2018, por exemplo...) e outra, ele determina que a epidemia de coronavírus não existe.

A Europa está em pânico. Na Itália, regiões inteiras foram declaradas em quarentena. Em várias cidades da Espanha, a começar por Madri, as aulas foram suspensas. Aqui ao lado, na Argentina, o presidente Alberto Fernández convoca uma reunião de emergência de seu gabinete para decidir as medidas a serem tomadas. Aliás, aqui mesmo, no Brasil, seu ministro da Saúde estuda a possibilidade de suspender aulas.

E o que faz o mentecapto demencial? Diz que ‘há muita fantasia’ nessa história. Culpa, é claro, da grande mídia.

Bem: só entre janeiro e o começo de março, os investidores estrangeiros tiraram da Bolsa de Valores mais dinheiro que durante todo o ano passado. Das moedas do mundo, o real foi a que mais perdeu valor diante do dólar e do euro. Em dois dias – a segunda 9 e a terça 10 de março – o Banco Central torrou cinco bilhões de dólares das suas reservas, para conter o derretimento do real. 

A Bolsa de Valores quase implodiu, mas para Jair Messias não houve nada de mais: afinal, disse ele, as bolsas caem ‘esporadicamente’.

É verdade. Só que todas as bolsas do mundo caíram vertiginosamente dias seguidos, e a de São Paulo foi a que mais desmoronou. Para ele, não há nada de mais nessa história.

Depois do desempenho pífio da economia em 2019, apesar de todas as promessas e anúncios de Paulo Guedes, e graças à convulsão deste começo de ano, há temores concretos de que este ano o país torne a entrar em recessão. Enquanto isso, o desemprego continua numa altura absurda, milhões de pessoas são humilhadas nas longas filas do INSS, programas sociais são desmantelados em sequência, uma dezena e meia de brasileiros voltaram à pobreza e à miséria. 

Ou seja: o país, muito mais que à deriva, é destroçado a cada hora de cada dia por Jair Messias e seus asseclas.

Aliás, e vale reiterar, o único anúncio de campanha que ele vem cumprindo rigorosamente, a única verdade pronunciada por ele ao longo da vida, é exatamente esta: Jair Messias prometeu que antes de construir um novo Brasil, era preciso destruir o Brasil que existia. 

O problema, em todo caso, é outro: até quando o país aguentará manter na presidência um boçal demente? Até quando permanecerão todos apatetados enquanto esse desequilibrado faz o que quer?

Até quando o país aguentará conviver com tamanha falsa de noção, tamanha falta de responsabilidade? 

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