A manipulação de Moro às vésperas das eleições

Na História, vimos o Grande Pacto que tirou os Estados Unidos da crise, nos anos 30, através do New Deal, e uma grande iniciativa similar na Alemanha, na mesma época. Podemos trilhar caminho semelhante

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Estava em dúvida quanto a votar em Ciro Gomes no primeiro turno. Entre os candidatos que possam ter algum grau de confiabilidade nessas eleições, ele certamente se apresenta com qualidades mínimas. Entretanto, a tevê Globo, em conluio com o juiz Sérgio Moro, violou todas as regras eleitorais estabelecidas pelo próprio  Judiciário e interferiu diretamente na campanha com a liberação de depoimento espúrio de Antônio Palocci contra Lula, com o propósito óbvio de atingir Haddad. É um excesso. Mudei meu voto para Haddad.

Muita gente, não eu, havia mudado seu voto em favor de Bolsonaro por causa da matéria requentada de “Veja” em relação à ex-mulher dele. Entendo que a franca subida de intenções de voto a seu favor, nesses últimas dias, foi justamente por conta da tentativa de manipulação feita pela revista. O fato é que as grandes mídias de comunicação ainda não entenderam que o povo não gosta de ser manipulado. Quando percebe uma tentativa nesse sentido decide pelo caminho oposto. É o que beneficiará Haddad nessa reta final.

Com isso estamos diante do confronto entre Bolsonaro e Haddad de uma forma que as classes dominantes não gostariam de forma alguma. É óbvio que não querem o PT de volta ao poder. Mas não querem também Bolsonaro. O capitão simpatizante do nazismo pode se tornar um cachorro louco no poder, atirando para todos os lados e pondo em risco a zona de conforto da classe média alta e classes dominantes que, na história brasileira, jamais correram perigo nas mudanças de regime. Agora a situação mudou.

Entretanto, para as mesmas classes dominantes, a volta do PT ao poder, através de Haddad, revela-se intolerável. Depois de passarem 13 anos denunciando desvios e corrupções do PT, com ou sem razão, ver o partido no Alvorada de novo é uma espécie de convite à vingança, mesmo que essa não seja a intenção dos petistas. A situação se apresenta, portanto, como um jogo dialético que não se resolve no plano apenas dessas duas forças. É preciso subir para um nível superior, no plano que Marx chamaria de síntese dialética.

Acabei de dar uma entrevista a Miguel do Rosário, do Cafezinho, onde destaquei que a saída desse impasse, a meu juízo, requer um grande pacto social. Não importa o  grau de diversidade das forças políticas em campo. De fato, não se fazem pactos com amigos. Pactos reais se fazem entre adversários. Acho precipitado dizer quem participaria dele, inicialmente, mas considero indispensável a participação do Presidente Lula, e do Presidente Fernando Henrique, por mais desgastados que estejam.

A construção de um Pacto Social no Brasil seria um golpe positivo em nosso destino. Do jeito como estamos indo, caminhamos para uma crise infinita, com forças oponentes marcadas pela intolerância. A economia, sobretudo, não tem saída, pois o domínio absoluto dos neoliberais não dá espaço para uma mudança progressista. Sem uma mudança de cima para baixo é impossível, por exemplo, adotarmos uma política keynesiana que daria conta da retomada da economia e da recuperação verdadeira do emprego.

Na História, vimos o Grande Pacto que tirou os Estados Unidos da crise, nos anos 30, através do New Deal, e uma grande iniciativa similar na Alemanha, na mesma época. Podemos trilhar caminho semelhante. Entretanto, não há a menor possibilidade disso acontecer sem o recurso ao Pacto Social, cuja preliminar, segundo a dinâmica brasileira, seria  uma atitude mais humilde do PT depois das eleições. As feridas do debate política ainda são profundas, o que significa que apenas pelo concurso de lideranças responsáveis pode-se superar as divergências que se manifestam sobretudo de baixo para cima. Liderança, contudo, é justamente para isso.

 

               

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