A mansão mal assombrada

"Ainda vamos ver a mansão de Flávio Bolsonaro servindo de hospital ou centro cultural ou até mesmo de prisão domiciliar para seu dono se isso for o que nos restar", vaticina o cartunista Miguel Paiva, do Jornalistas pela Democracia

(Foto: Miguel Paiva)
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Por Miguel Paiva, para os Jornalistas pela Democracia 

Você só compra uma casa enorme e por 6 milhões de reais (?) num lugar onde você pretende morar por algum tempo. E é isso que passou a me preocupar. O pai do dono da casa, o presidente Bolsonaro também passa uma segurança nas suas atitudes, uma certeza da impunidade que também me preocupa. Eles vieram pra ficar. Cabe a nós decidir se vamos permitir ou não.

Essa mansão assume uma simbologia trágica. Nos remete a filmes de terror onde casas mal assombradas abrigavam monstros e criminosos impiedosos ou então a histórias infantis onde o lobo mau miliciano expulsa os três porquinhos de sua casa para construir um condomínio ilegal.

É assim que me sinto. Impotente diante de uma turma, que já associei à turma da zona norte das histórias da Luluzinha e do Bolinha que surgiu para tocar o terror nessa gente bronzeada que não tem mais como mostrar o seu valor. Eles assumiram o poder quebrando tudo, tombando regras, passando por cima de protocolos e o que sobrou pavimenta nossa estrada para o futuro sombrio. 

Não quero ser pessimista. Sei que tudo que sobe, desce. Sei que o poder mesmo demorando um pouco deve mudar de mãos. É a própria História que nos mostra isso. Não sei se vou viver o bastante para ver resultados do que teremos que reconstruir. Dos escombros da mansão no Lago Sul até o que restar da cultura brasileira vamos ter que cavucar muito para achar material ainda forte para reconstruir o futuro.

Mas vamos lá. Mesmo que Brasília seja ocupada por essas hordas sobrarão pessoas para resistir. Mesmo que a pandemia mate mais de 3 mil por dias haverá vacina e medicina suficientes para nos manter vivos. Mesmo que a mamata se espalhe gosmenta e fétida pelos canais competentes deste país saberemos denunciar e isolar seus responsáveis. Mesmo que a Justiça fique cada dia mais cega ainda sobrará alguma visão para indicar caminhos de reparações. Sempre há. Sempre sobra. Sempre existe resistência. Não podemos deixar que essa mansão seja a primeira de um loteamento clandestino comandado pela milícia de Brasília e que estabeleça novas regras de convivência cruéis e segregadoras. 

Não são os ricos que comandam essas milícias. São os bandidos mesmo que ficaram ricos e a riqueza que antigamente significava poder e opressão sobre as classes trabalhadoras hoje mudou de mão e significa munição nas armas dos donos do poder em cima de toda uma população.

O projeto é esse mesmo. Enquanto o mundo revê seus conceitos políticos e econômicos nós afundamos mais na teimosia de uma solução neoliberal falida. A pandemia serviu para recolocar nos seus devidos lugares conceitos e valores do coletivo sem os quais a situação seria muito mais grave. Ainda existe o SUS, ainda existem médicos, cientistas e técnicos de saúde que mantém seus princípios tentando salvar a população.

E aí que reside nossa sobrevivência e é a partir daí que resistiremos. Ainda vamos ver a mansão de Flávio Bolsonaro servindo de hospital ou centro cultural ou até mesmo de prisão domiciliar para seu dono se isso for o que nos restar. Que seja. O importante é resistir.

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