A melhor defesa é o ataque

Depois de um ano sombrio como o de 2016, nada melhor do que as palavras do poeta para iluminar nossos desafios neste ano que vai começar: "é nas noites mais escuras que as estrelas brilham mais forte". De fato, a capacidade de superação humana, como demonstra a própria biologia, e a história apontam para essa perspectiva; e se, por um lado, 2017 será um ano difícil para os democratas, para todos que se empenharam, nos últimos 14 anos, na construção de uma sociedade justa e uma era de direitos sociais e humanos, por outro será de muita luta, de muita mobilização e organização popular

Depois de um ano sombrio como o de 2016, nada melhor do que as palavras do poeta para iluminar nossos desafios neste ano que vai começar: "é nas noites mais escuras que as estrelas brilham mais forte". De fato, a capacidade de superação humana, como demonstra a própria biologia, e a história apontam para essa perspectiva; e se, por um lado, 2017 será um ano difícil para os democratas, para todos que se empenharam, nos últimos 14 anos, na construção de uma sociedade justa e uma era de direitos sociais e humanos, por outro será de muita luta, de muita mobilização e organização popular.

Como alertamos, ao impeachment sem crime de responsabilidade da presidente se seguiria a ofensiva para o desmonte das políticas sociais dos governos Lula e Dilma. Aproveitando o clima de comoção e perplexidade vivido pela sociedade e copiando a receita de marketing de guerra da inteligência norte-americana, os golpistas não só cassaram votos de 54 milhões de brasileiros à queima-roupa, como rasgaram o programa eleito pelo povo, desencadeando um tsunami de medidas provisórias, projetos de lei e emendas constitucionais, decretos e portarias governamentais sacadas dos baús apodrecidos do liberalismo e do neoliberalismo do século passado, de triste memória.

O que é a emenda constitucional aprovada pelo Congresso que congela por 20 anos investimentos em saúde e educação senão ataque frontal aos direitos à saúde e à educação para todos, preconizados pela Constituição Cidadã de 1988? O que é a proposta de reforma da Previdência, que estabelece, por exemplo, que, para se ter direito à aposentadoria integral, será necessário contribuir durante 49 anos, senão a negação aos trabalhadores do direito à própria aposentadoria? O que é a reforma trabalhista, permitindo o alongamento da jornada diária de trabalho para 12 horas, fatiamento de férias e redução de direitos, senão a substituição da CLT pela lei da selva, a entrega do galinheiro à raposa?

A esses ataques somam-se a abertura da exploração do petróleo do pré-sal às multinacionais, a reforma do ensino, a revisão da demarcação de terras indígenas e a redução do Bolsa Família, numa lista sem fim de barbaridades que desnudam o caráter antinacional e antipovo do governo ilegítimo. Mas, como revelou a pesquisa CUT/Vox Populi, realizada em dezembro, o povo não é bobo: 78% dos brasileiros reprovam o congelamento de investimentos em saúde e educação; 87% são contrários à reforma da Previdência; e nada menos do que 55% dos brasileiros rejeitam o governo Temer.

Por isso, estou convencido de que nosso desafio é trabalhar cada vez mais na perspectiva de que o "Fora, Temer" da luta contra o governo golpista e corrupto está associada umbilicalmente à defesa de "nenhum direito a menos". Enfim, temos de ir além e construir uma grande aliança em torno dessas bandeiras, resgatando o protagonismo que não tivemos em 2016. Como aconselha a sabedoria popular, imortalizada pelo velho técnico de futebol João Saldanha, "a melhor defesa é o ataque". Ao ataque, pois.

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