A missão de um governador fora do armário

"A um governador gay não basta dizer que é gay. Que Eduardo Leite deixe de ser omisso e oriente sua atuação como homem público a partir de agora nessa direção do acolhimento, da afirmação e da militância pelo respeito às diferenças", escreve o colunista Moisés Mendes

Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul
Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul (Foto: Reprodução (Facebook))
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Por Moisés Mendes, para o Jornalistas pela Democracia

Figuras públicas saem do armário da mesma forma que as pessoas comuns? Não, claro que não. Pessoas comuns não têm o poder, a representação, as proteções e a força simbólica de quem tem função pública, por mandato ou por nomeação.

Para as pessoas em cargos políticos, ao contrário do que disse o governador Eduardo Leite ao se declarar gay em entrevista a Pedro Bial, a orientação sexual não é uma não-questão.

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Deveria ser uma não-questão para todos os cidadãos e cidadãs comuns, para um pedreiro, uma professora, um engenheiro, uma advogada, um(a) estudante criança ou adolescente, uma bancária, um gari, uma faxineira, um enfermeiro, uma médica.

A orientação sexual-afetiva-amorosa das pessoas deveria deixar de ser assunto e um x num cadastro. Um dia, essa será uma não-questão para todos.

Mas hoje, para figuras públicas, essa é sim uma questão relevante. Para quem tem mandato e poder, a orientação sexual não é uma não-questão.

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É cada vez mais uma questão a ser sempre explicitada. A afirmação das diferenças e da diversidade depende dos gestos das figuras públicas que assumam o enfrentamento dessa realidade.

Para um governador, ser gay é uma questão pessoal e uma questão coletiva, ou ele estaria dizendo que a questão da orientação sexual é irrelevante para um político.

Não é irrelevante para um governador, um deputado, um vereador, um ministro, um secretário municipal. Não deveria ser para um presidente que não fosse fascista. A entrevista a Pedro Bial prova que não é irrelevante.

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Eduardo Leite tem agora outro desafio, que não é o mesmo das pessoas comuns sem os escudos que os homens públicos têm.

As pessoas comuns, submetidas a todo tipo de discriminação e violência em seus cotidianos, não têm poder, orçamentos, gente, as prerrogativas e a obrigação de implementar políticas públicas pela diversidade, em todas as áreas.

Um governador tem esse poder e esse dever. Um governador precisa usar as estruturas de Estado para que, além de se declarar gay, trabalhe em favor do respeito às liberdades, todas as liberdades.

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E isso vai muito além de declarações e discursos. É muito mais do que uma prova de coragem pessoal e de desprendimento. É hoje, num mundo cada vez mais absolutista, obrigação do homem público, mais até do que de artistas e celebridades.

A um governador gay não basta dizer que é gay. Que Eduardo Leite deixe de ser omisso e oriente sua atuação como homem público a partir de agora nessa direção do acolhimento, da afirmação e da militância pelo respeito às diferenças.

Será bom para todos, e não só para as brasileiras e os brasileiros LGBTQIA+. Boa luta, governador.

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