A morte de Ághata Vitória, é a nossa derrota como sociedade organizada e civilizada

Wilson Witzel não é o dono do Rio de Janeiro. E o povo carioca precisa lembrá-lo disto. Ele está no poder. Ele não é o poder. Sua ideologia sanguinária, de mirar na cabecinha e atirar, não se importando com quem esteja no meio do caminho, precisa ser combatida.

O Rio de Janeiro, também conhecido como o velho oeste de Witzel, matou mais uma criança por conta da “necropolítica” de segurança pública implementada pelo atual xerife do estado. A menina Ághata Vitória Sales Félix, de oito anos de idade, é a mais nova vítima do desatino operacional da polícia do governador.

A criança, que estava em companhia da avó dentro de uma Kombi de transporte alternativo de passageiros, foi alvejada pelas costas durante uma operação da PM no Complexo do Alemão. Não foi a primeira, nem a centésima e nem será a última vez que isso acontece na cidade maravilhosa. A naturalização da barbárie, faz com que boa parte da nossa sociedade acostume-se com a violência e com a morte de inocentes, sob a égide da defesa do cidadão de bem.

Cidadão de bem este, que vai à missa, ao culto, se diz cristão e apaixonado por Jesus, e, que no entanto, se cala diante do extermínio da infância e da adolescência periférica. Muitos ainda aplaudem tais ações, apoiando o governador e parabenizando os bravos “guerreiros” pela missão cumprida. Se a missão é matar preto e pobre, vocês estão de parabéns. A vida de Ághata não tem o menor valor para Wilson Witzel. Assim como a periferia, não tem o menor valor para o sistema.

A morte de Ághata não motivou postagens, como a do escritor Paulo Coelho, que usou o seu Twitter em solidariedade a Felipe Neto, o golpista e antipetista arrependido, que sentiu na pele a opressão fascista dos apoiadores do atual governo. Ela não poderia ser nossa filha, nossa Ághata, nossa Vitória? Talvez, não! Porque ela encontrava-se do lado oposto à hipocrisia de muitos. Se fosse uma criança rica da Leblon ou da Lagoa, talvez, sim! Tal comoção é apenas distraída ou é seletiva mesmo?

A menina Ághata, que carregava no nome a vitória que não conheceu, teve o seu futuro interrompido pela incompetência das instituições e pela mentalidade genocida de quem as gere e de quem está submetido à tais ordens. Policiais, em sua maioria esmagadora, são de origem pobre. Alienados pelo sistema e pelo poder excessivo que lhes é conferido, se tornam opressores dos seus. Falta-lhes consciência de classe, falta-lhes responsabilidade social, mas, principalmente, falta-lhes humanidade.

Humanidade para não se submeter à ordens absurdas e criminosas, dadas pelo Governador. Humanidade para se colocarem no lugar de um pai que perde uma filha, morta pelas mãos de quem deveria protegê-la. Humanidade para dizer: “Não atiro! Tem inocente ali.” Aqueles que sentem-se confortáveis diante de tal situação, fazem com prazer. Alguns dirão que "Os Policiais apenas cumprem as ordens do Governador. Se não cumprirem, podem ser punidos". Ok!

Se o cozinheiro de um restaurante receber a missão de colocar veneno mortal no prato de um cliente, por ordem do dono do estabelecimento, ele é obrigado a cumprir tal ordem para não ser punido? Se o dono de uma oficina mandar o mecânico sabotar o freio do carro de um cliente, que discutiu com ele por algum motivo, o subordinado deve cumprir a ordem? Ordem absurda não se cumpre. A Polícia não pode matar inocentes, defendendo a ordem pública. A sociedade não pode ficar calada diante de tantos assassinatos.

Wilson Witzel não é o dono do Rio de Janeiro. E o povo carioca precisa lembrá-lo disto. Ele está no poder. Ele não é o poder. Sua ideologia sanguinária, de mirar na cabecinha e atirar, não se importando com quem esteja no meio do caminho, precisa ser combatida. Ele não sente culpa. Sua frieza diante dos fatos, é característica de um sociopata. No máximo, finge emoções que nunca sentiu e nem sentirá, pois é desprovido de bons sentimentos. O Governador do Rio de Janeiro gosta de sangue. Culpado ou inocente.

A morte da menina Ághata Vitória, é mais uma prova da nossa derrota como sociedade civilizada. Omissos e inertes, assistimos a morte de inocentes como entretenimento, nos programas vespertinos que anunciam o fim do mundo de cada dia. Resignados, nos habituamos a ver a dor de uma mãe que perde um filho, morto pela polícia que ela também ajuda a pagar os salários, com o dinheiro de seus impostos. Quantas Ághatas ainda deixaremos morrer? Quantos Witzeis ainda deixaremos governar? Com quantos assassinatos de inocentes ainda seremos coniventes?

Descanse em paz, Ághata! Porque, por aqui, a paz está bem distante de reinar.

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