A origem do mal
Resta saber quantos serão influenciados pelo Escândalo Vorcaro e responsabilizarão o clã Bolsonaro pela taxação – e pelos ataques ao PIX – de Trump
A elite econômica brasileira, historicamente, despreza a Democracia e vive a sabotar o Estado de Direito. Nos anos 1990, FHC trouxe certa civilidade à política, que propiciou a eleição de Lula, em 2002.
Porém, ainda na década de 1990, o então governador de São Paulo, Fleury Filho (PMDB), ordenou que prisioneiros de alta periculosidade fossem transferidos à Penitenciária de Taubaté, criando condições ao surgimento da facção Primeiro Comando da Capital (PCC), que, nos anos 2000, após sangrenta disputa interna, se estruturou e avançou Brasil afora.
Em 2006, a inteligência da polícia paulista percebeu indícios de um plano de rebeliões no Dia das Mães, e o governo transferiu mais de 700 detentos ao presídio de Presidente Venceslau, ajuntando os líderes do PCC, inclusive o chefe Marcola. Em represália, a gangue articulou rebeliões em penitenciárias e ondas de ataques contra delegacias, viaturas, agentes de segurança, impondo o terror no estado, obrigando o governador Cláudio Lembo (PFL) a negociar uma "trégua". O governo Lula interveio e transferiu a cúpula ao presídio federal de Porto Velho, o que não foi suficiente para desarticular a organização.
Em 2008, a grande mídia inicia o mais feroz ataque a um partido da história contemporânea: Globo, SBT, Record, Band, Folha, Estadão, todos "contra o PT"! Mesmo assim, Lula foi reeleito e Dilma eleita e reeleita.
Em 2014, a origem de todo o mal que vivemos hoje: a Operação Lava Jato, aberração jurídica do juiz federal de Curitiba, Sérgio Moro, em conluio com Ministério Público Federal e Tribunal Regional Federal da 3.ª Região, com anuência de parte do STF, atingiu em cheio a política e a economia do Brasil, destruindo projetos estratégicos e reputações. Moro, alçado a "super-heroi", abriu caminho ao golpe contra Dilma: brotou o bolsonarismo. Lula foi preso (por ordem de Moro), o STF impediu sua candidatura, ajudando a eleger Bolsonaro – o ex-juiz foi recompensado e virou ministro da Justiça.
O ministro da Fazenda, Paulo Guedes, e o presidente do Banco Central, Campos Neto, facilitaram normas para a inserção do crime organizado (como o PCC) na "economia legalizada", e o funcionamento de instituições, digamos, "inidôneas", como o Banco Master, de Daniel Vorcaro. O governo Bolsonaro instituiu o Gabinete do Ódio, apoiadores viraram fanáticos; os efeitos da Lava Jato de Moro e a política fiscal de Guedes/Campos Neto afetaram o crescimento econômico; o Congresso, tomado por "neofascios", age contra o País (orçamento secreto, etc); a anti-gestão da pandemia de covid causou uma tragédia humanitária; a classe política é desmoralizada – a ponto de figuras obtusas, como Pablo Marçal, com um discurso no limite da imbecilidade, conseguir 1,7 milhão de votos na eleição paulistana.
Em 2022, Lula/Alckmin foram eleitos; contudo, o bolsonarismo garantiu maioria no Congresso (Sérgio Moro eleito senador), elegeu os governadores Tarcísio de Freitas (SP) e Cláudio Castro (RJ) e, mais tarde, Ricardo Nunes prefeito da Capital. O deputado Eduardo Bolsonaro se muda aos EUA e passa a pressionar Trump a impor sanções contra o Brasil – o primeiro "tarifaço" veio em 2025, comemorado pelo deputado, não obstante os prejuízos ao seu País.
As instituições democráticas reagiram: o ex-presidente e seus comparsas foram presos; o deputado Eduardo e o governador Castro cassados; a PF e o Ministério Público paulista desarticularam megaesquemas de corrupção, que envolvem a "Faria Lima" (grandes instituições financeiras), em São Paulo, sem a adesão de Tarcísio nem de Nunes.
Apesar disso tudo, o pré-candidato Flávio Bolsonaro "sobrevive" e aparece bem colocado nas pesquisas. A eleição deverá ser definida pelos que não têm alinhamento orgânico nem a Lula nem a Bolsonaro, resta saber quantos serão influenciados pelo Escândalo Vorcaro e responsabilizarão o clã Bolsonaro pela taxação – e pelos ataques ao PIX – de Trump.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

