A paixão pela luta contra o ódio e as mágoas

A antecipação das eleições de 2018 para 2017 é a melhor saída que os congressistas podem oferecer ao país. Esta é a oportunidade que o Brasil precisa para que o povo possa decidir os novos caminhos a serem seguidos a partir do confronto entre projetos de e para o país a serem apresentados por aqueles e aquelas que se habilitarem para a disputa destas eleições

diretas
diretas (Foto: Donizeti Nogueira)

No atual momento em que estamos vivendo, se me nivelasse pelo senso do ódio e da mágoa, soltaria foguetes, cantaria e comemoraria a desgraça dos nossos adversários, mas não tenho direito ao exercício desses sentimentos mesquinhos e menores. No entanto, não posso deixar de reconhecer, como cristão, que autoridades erguidas em fundamentos como traição, ódio, e vingança não terão mesmo como perseverá por muito tempo, desde que façamos a nossa parte em combatê-las.

Por isso, por mais que tenhamos ou estejamos sofrendo com ataques e a deposição do nosso governo, quero que compreendamos que não chegou a hora da vingança e nem chegará essa hora, porque homens e mulheres de esquerda não odeiam, não cultivam mágoas e não praticam vingança. Homens e mulheres de esquerda se indignam contra as injustiças, cultivam a paixão pela luta contra as injustiças e lutam com determinação e perseverança para combatê-las e derrotar aqueles e aquelas que as praticam.

Os homens e as mulheres de esquerda devem compreender bem a luta de classes, que o povo é o soberano e que devemos sempre com ele e através dele buscar a saída para as crises com a construção de novos caminhos inspirados na solidariedade de classe, na justiça e na paz. Compreender, também, que solidariedade é uma pré-condição para sermos de esquerda e socialistas,;por isso ela deve cultivada entre nós. Mas a justiça e a paz precisam ser conquistadas, já que elas não serão dadas ao povo. Estou me referindo aqui à justiça, não a que pune, coage e encarcera as pessoas, mas aquela em que, todos, homens e mulheres são iguais, não apenas na retórica, mas em oportunidades, direitos e deveres. Aquela em que os desiguais recebam da sociedade, por meio do Estado, um tratamento desigual para resgatar os seus direitos suprimidos e para promovê-los social, econômica e culturalmente, oferecendo-lhes oportunidades que por séculos lhes foram negados.

Nós, os agentes políticos da esquerda brasileira, sobretudo do PT, precisamos recuperar e cultivar a solidariedade entre nós, condição para fortalecermos a nossa Alma Coletiva. Só assim estaremos preparados para não darmos vazão ao ódio e as mágoas, se é que as cultivamos. Mas, como agentes políticos, cuja orientação vem da principalidade da democracia como caminho para construção de saídas para crises institucionais, políticas e morais; crises estas que permeiam os poderes executivo, legislativo e judiciário (embora a caixa preta do judiciário ainda não tenha sido aberta), devemos iniciar um processo amplo e forte de mobilização em defesa do país, exigindo eleições Diretas Já. Devemos cantar sim em defesa da democracia, comemorar exigindo o direito do povo de decidir o rumo que o país deve seguir, a partir da antecipação das eleições de 2018. A meu ver o único caminho para o povo retomar o comando.

O Congresso Nacional – mesmo considerando as contradições que o permeiam - com seu perfil de uma maioria golpista, sem nenhuma fundamentação jurídica rompeu com a democracia, ignorando os preceitos constitucionais, depôs uma Presidenta legitimamente eleita, por mais de 54 milhões de votos, impregnado por ódio e mágoas, com argumentos falaciosos de que ela teria cometido crime de responsabilidade. O que não se confirmou. Portanto, este mesmo Congresso não pode negar ao povo brasileiro que ele possa exercer o seu direito e obrigação de decidir os rumos do país.

A antecipação das eleições de 2018 para 2017 é a melhor saída que os congressistas podem oferecer ao país. Esta é a oportunidade que o Brasil precisa para que o povo possa decidir os novos caminhos a serem seguidos a partir do confronto entre projetos de e para o país a serem apresentados por aqueles e aquelas que se habilitarem para a disputa destas eleições.

Bem antes que eu possa concluir este breve artigo, preciso manifestar a minha "encucação" com esse momento surgido com a intervenção na conjuntura com a delação da JBS. Para isso me oriento, aqui, por um velho ditado de que quando "a esmola é demais até o santo desconfia", eu estou desde de a delação me perguntado, o que está por trás de tudo isso? Que diferença existe entre essa delação contra os golpistas Temer e Aécio, e as anteriores contra os ex-presidentes Lula e Dilma? Penso que isso é uma ação que vem fortalecer a operação Lava Jato, e não vou aqui discutir as ilegalidades cometidas, mesmo naquelas como nestas. Mas também não posso me dar o direito de ser ingênuo e não perceber, que ao entregar os principais expoentes do golpe, que isto não é apenas como é o costume dizer: deixe ir anéis para salvar os dedos.

Sem querer ser alarmista, penso que se não houver uma ampla mobilização de massa ocupando ruas e praças, paralisando o País, aqueles que engendraram e apoiaram o golpe parlamentar-jurídico-midiático, vão apresentar uma saída para o país mais recessiva, mais suprimidora dos direitos e mais concentradora de renda, através da destituição do governo Temer e a realização de uma eleição indireta, com o argumento que estão preservando a Constituição Brasileira.

Se essa é a saída deles, qual será a saída que o PT e demais partidos de esquerdas e os movimentos populares, sindical e social devem apresentar? A antecipação das eleições de Presidente, Senadores e Deputados federais de 2018 para 2017 com um mandato excepcional de 5 anos, sem possibilidade de reeleição para Presidente da República e mantendo as eleições de governadores e deputados estaduais em 2018, de forma que 2022 se retorne ao curso normal existente hoje: Eleições de Presidente, 1/3 do Senado, deputados federais, governadores e deputados estaduais. Uma eleição em que por meio da unidade da esquerda e sustentada numa narrativa capaz de apresentar um projeto de retomada do desenvolvimento com inclusão social e sustentabilidade que embale novos sonhos, que desperte novas esperanças nos corações e mentes de cada homem e de cada mulher neste País.

Quanto à diferença desta delação, é que nesta saímos do ouvir dizer para fatos reais e concretos estruturados com a participação da polícia federal que monitorou as consequências das ações combinadas com o Presidente usurpador e com o senador golpista. Ou seja, estão sustentadas por provas materiais, ao contrário das delações contra Lula e Dilma que até o momento não se sustentaram em provas.

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