A pandemia da fome

Além da pandemia do novo coronavírus, há outra epidemia que agrava as condições de vida do povo: a da fome! 19 milhões de brasileiros foram atingidos pela fome só em 2020

www.brasil247.com -
(Foto: © Tomaz Silva/Agência Brasil)


Além da pandemia do novo coronavírus, há outra epidemia que agrava as condições de vida do povo: a da fome! 19 milhões de brasileiros foram atingidos pela fome só em 2020. Essa é uma parcela das 116,8 milhões de pessoas que conviveram com algum grau de insegurança alimentar no ano passado, o que corresponde a 55,2% dos domicílios, ou seja, mais da metade dos lares!  

Os dados são do Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, realizado pela Rede Penssan. Importante salientar que a pesquisa foi realizada no momento de diminuição do auxílio emergencial, que, ainda no ano passado, sofreu redução de R$ 600 para R$ 300. Ou seja, o cenário, agora, deve estar ainda pior!  

Além de passar os três primeiros meses do ano sem o benefício, milhões de famílias, agora, vão ter que se adequar a valores pífios que variam entre R$ 150 e R$ 375. O número de beneficiados também caiu. Mais de 22 milhões de pessoas deixarão de receber o auxílio. Em outras palavras, a dupla Bolsonaro e Guedes debocha do povo brasileiro. Em um momento de pandemia, com inflação nas alturas e 14 milhões de desempregados, o governo genocida joga os brasileiros à própria sorte.  

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Permita-me a reflexão, caro leitor. O  que é possível fazer com R$ 150 nos dias de hoje? O botijão de gás custa R$ 100. A carne está na casa dos R$ 40 o quilo. Item básico como o arroz sofreu aumento de 18%. Segundo o Dieese, esse novo auxílio não cobre nem metade da cesta básica! Famílias serão obrigadas a comer o mínimo e a escolher em qual horário do dia será possível fazer alguma refeição. Um verdadeiro absurdo!  

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Já são mais de 330 mil mortos pelo vírus. A vacinação segue a passos lentos, com pouco mais de 2% da população imunizada com as duas doses necessárias. Um auxílio tão baixo não garante que a população permaneça em casa nos locais em que governantes, prudentemente, decretaram lockdown. O presidente genocida obriga o povo a continuar indo para a rua, favorecendo, assim, a contaminação e a mutação do vírus, que já conta com variantes mais severas e com alto poder de disseminação.  

Outra pesquisa, realizada pelo Centro de Estudos em Microfinanças e Inclusão Financeira (Cemif), da FGV, concluiu que cerca de 43% dos beneficiários que receberão parcelas de R$ 150 não terão suas perdas compensadas. Estamos falando de quase metade das pessoas que terão direito ao mísero benefício. Ano passado, quando aprovamos o auxílio de R$ 600 no Congresso, já prevíamos a injeção econômica e a segurança alimentar que o auxílio causaria. Não à toa, o benefício garantiu que parcela expressiva de informais não morresse de fome. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Nossa preocupação em evitar tamanho desastre nos levou a protocolar, ainda no início do ano legislativo, o Projeto de Lei 29/2021, que garante o auxílio emergencial no valor de R$ 600. Também apresentamos emenda à Medida Provisória da nova rodada de pagamentos do benefício, mas está claro que tanto o governo quanto os seus apoiadores não estão interessados em garantir o mínimo de dignidade aos brasileiros, por isso, recusam-se a votar pela garantia de segurança alimentar dos mais desfavorecidos.  

Estamos novamente no mapa da fome. O delírio neoliberal de Bolsonaro e Guedes aprofundou mazelas e nos recolocou no mesmo cenário anterior às gestões petistas. Foi com o Partido dos Trabalhadores que o combate à miséria passou a ser uma política pública, arquitetada de modo a garantir a segurança alimentar dos brasileiros dos quatro cantos do país. Eis a grande diferença entre um genocida e um estadista. Enquanto Bolsonaro dá de ombros pelo recorde de mortos e está preocupado única e exclusivamente em livrar a família de investigações, Lula soube cuidar do povo, pois conhecia suas necessidades. 

Tudo começou com o programa Fome Zero, implementado poucos dias após Lula tomar posse como presidente. Pela primeira vez na história desse país, o combate à fome se tornou uma política de Estado. Muitas famílias passaram a realizar três refeições ao dia, algo inimaginável para quem nasceu e estava erroneamente adaptado a uma situação de penúria e miserabilidade.  

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

No início de 2003, 44 milhões de brasileiros viviam com menos de um dólar por dia. Em apenas um ano, o programa alcançou 11 milhões de pessoas, boa parte delas no Nordeste. Foi o primeiro passo para a criação do Bolsa Família, que logo tornou-se o programa de transferência de renda mais bem-sucedido no mundo.  

Trata-se de uma política de governo que trouxe dignidade para milhões de brasileiros que passavam fome, uma triste realidade que contribuía com o estado de subdesenvolvimento da nossa nação entre as demais. O combate à pobreza liderado pelas gestões petistas colaborou com a diminuição da desigualdade social e se tornou uma política estratégica de desenvolvimento.  

Pela primeira vez na história, um projeto de Estado promovia o progresso até mesmo na contrapartida exigida dos beneficiários, como frequência escolar, vacinação em dia e acompanhamento pré-natal. Ao contrário da falácia dos que desconhecem a relevância da iniciativa, o Bolsa Família não é um programa que presenteia quem nada faz. Na verdade, é um programa de proteção social que promove inclusão, segurança alimentar e assistência integral para quem sempre esteve à margem da sociedade.  

Enquanto Lula, anos atrás, levou o título de “Campeão Mundial na Luta contra a Fome” da ONU, hoje, deparamo-nos com um cenário desolador: pela primeira vez em 17 anos, mais da metade da população não tem garantia de comida na mesa. Brasileiros estão trocando a carne pelo ovo, o botijão pelo fogareiro, o arroz pelo macarrão. Isso quando é possível comprar algum tipo de alimento, pois parcela significativa sobrevive às custas de doações.  

Hoje, a população se vê desamparada. Sem renda, sem vacina, sem assistência. Bolsonaro se nega a pagar um auxílio digno, mas não questionou os gastos com cloroquina superfaturada e as recentes férias milionárias pagas com dinheiro público. Todos os dias, o presidente que deveria cuidar do povo zomba de cada brasieliro que padece de cuidados em meio à maior crise sanitária da história.  

Não há reforma administrativa e troca ministerial que dê jeito. A crise do Brasil tem nome e sobrenome: Jair Bolsonaro. Enquanto o genocida for o presidente, viveremos em um cenário de escassez e penúria. Chega! Precisamos dar um basta nessa política genocida que desfaz o básico: o direito à alimentação, o direito à vida! Bolsonaro está matando os brasileiros aos poucos, sem comida e sem vacina. A hora de agir é agora!

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O conhecimento liberta. Quero ser membro. Siga-nos no Telegram.

A você que chegou até aqui, agradecemos muito por valorizar nosso conteúdo. Ao contrário da mídia corporativa, o Brasil 247 e a TV 247 se financiam por meio da sua própria comunidade de leitores e telespectadores. Você pode apoiar a TV 247 e o site Brasil 247 de diversas formas. Veja como em brasil247.com/apoio

Apoie o 247

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Cortes 247

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
WhatsApp Facebook Twitter Email