A pandemia do coronavírus e a omissão do MEC

"Enquanto o ministro da Educação brincava de espalhar fake news, atacava a imprensa e ironizava uma possível contaminação, nossos estudantes foram mandados para isolamento doméstico, de forma prudencial, mas sem qualquer medida, preparo ou orientação do Ministério", escreve o ex-ministro Aloizio Mercadante

(Foto: Amanda Perobelli/Reuters)
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Colocar a educação como política estratégica do desenvolvimento nacional foi um dos motivos que permitiu que a Coreia do Sul se tornasse a grande potência econômica e tecnológica que é hoje. Mesmo nos tempos de guerra, as aulas foram mantidas, ainda que em barracas, e não houve a perda de um único semestre letivo sequer naquele país. 

Essa visão estratégica faz com que 75% dos jovens coreanos tenham se diplomado ou frequentem o ensino superior. A Coreia foi, inclusive, um dos países que apresentou melhor resposta de controle do novo coronavírus, com adoção de isolamentos seletivos, a realização adequada de testes de diagnóstico e medição da temperatura da população para detecção precoce dos contaminados. 

Para além de toda irresponsabilidade e incapacidade de gestão da crise relacionada ao novo coronavírus no Brasil por parte do governo Bolsonaro, precisamos falar da completa omissão do MEC.  Enquanto o ministro da Educação brincava de espalhar fake news, atacava a imprensa e ironizava uma possível contaminação pelo novo coronavírus de uma liderança respeitada no setor, nossos estudantes foram mandados para isolamento doméstico, de forma prudencial, mas sem qualquer medida, preparo ou orientação do Ministério.

O mínimo que se esperava do Governo Bolsonaro é que planejasse e orientasse as redes neste momento tão difícil. Uma das providências deveria ter sido a apresentação de uma orientação pedagógica e um plano dirigido de leituras e exercícios para os pais aplicarem em casa. Além disso, a adoção, quando possível, de formas de educação à distância. Mesmo nesta crise de saúde pública, os estudantes precisam permanecer em contato com o lúdico, com os livros, com as letras e com os números.

Ao invés disso, a única medida apresentada pelo ministro da Educação foi a convocação de forma atabalhoada e demagógica dos estudantes de medicina, de enfermagem e de fisioterapia para voltarem as aulas, sem apresentar qualquer medida protetiva ou planejamento para eles. Em seguida, permitiu o estágio obrigatório para os estudantes avançados dos cursos da área de medicina e saúde, medida que se for bem encaminha poderá contribuir para reforçar a imensa pressão que o SUS e toda a rede pública de saúde deverão sofrer. Também aproveitou a pandemia da Covid-19 para realizar mais um corte absurdo nas bolsas de pesquisa dos cursos de mestrado e doutorado, com a publicação de Portaria da Capes que endurece de forma significativa as regras de distribuição de bolsas. 

O MEC poderia ter resgatado a experiência do Ministério e de todo setor da educação, quando liderou, no passado recente, o combate à epidemia de dengue e  de Zika vírus, na memorável campanha “ um mosquito não é maior que uma nação”.

Diante de mais essa omissão e dessa incapacidade do governo Bolsonaro de cuidar do povo, é preciso que as redes estaduais e municipais tomem providências e assegurem, em primeiro lugar, a merenda escolar, que é fundamental para as famílias de baixa renda. Em seguida, um plano de estudos, leitura eexercícios para cada uma das séries.  Frente à inoperância completa do governo Bolsonaro, as redes federais, estaduais e municipais precisam assumir o protagonismo para garantir que nossas crianças e nossos jovens continuem estudando, recolhidos em suas casas, neste momento tão difícil, que pode ainda se agravar e se prolongar.

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