À Professora Márcia Guerreira Friggi da Luta

Esta solidariedade tem que ultrapassar momentos marcados pelas fúteis expressões "nossa", "que horror", "isso tem que acabar" para se transformar em energia revolucionária para impulsionar as mudanças que nossa realidade exige. Esse é o grito que a colega brada. Esse é o juízo que deve se afirmar para sempre. A educação pede mudanças porque o Brasil e os trabalhadores gritam por transformações

Esta solidariedade tem que ultrapassar momentos marcados pelas fúteis expressões "nossa", "que horror", "isso tem que acabar" para se transformar em energia revolucionária para impulsionar as mudanças que nossa realidade exige. Esse é o grito que a colega brada. Esse é o juízo que deve se afirmar para sempre. A educação pede mudanças porque o Brasil e os trabalhadores gritam por transformações
Esta solidariedade tem que ultrapassar momentos marcados pelas fúteis expressões "nossa", "que horror", "isso tem que acabar" para se transformar em energia revolucionária para impulsionar as mudanças que nossa realidade exige. Esse é o grito que a colega brada. Esse é o juízo que deve se afirmar para sempre. A educação pede mudanças porque o Brasil e os trabalhadores gritam por transformações (Foto: Dom Orvandil)

Prezadíssima Professora Márcia Friggi, Indaiai, SC

Querida colega guerreira – essa é etimologia de seu nome – e irmã gaúcha, ao deitar-me para dormir na noite que passou a última imagem que guardei foi a de seu rosto espancado e ensanguentado. Ao acordar à madrugada minha mente logo me apresentou suas fotos com as marcas da violência.

Vi sua foto viralisar com seu texto explicando as violências que sofreu ontem.

Hoje me deparo com algumas frases suas retratando o ambiente que se formou com as mulheres que a acompanharam no exame de delito.

Lá estavam as mulheres com sua tremenda e grandiosa energia solidária e rebelde à violência machista e discriminatória.

"Sala lotada. A imensa maioria eram mulheres acompanhadas de outras mulheres. Os braços da solidariedade como último refúgio. Cobertas por lenços e enormes óculos escuros, como eu. Silenciosas, caladas, cabeça baixa. Talvez rememorassem milhões de vezes o momento da agressão, como eu. Talvez se perguntassem por quê, como eu. Talvez procurassem um fio de esperança. Eu não o encontrei. Também não encontrei o fio de Ariadne capaz de me tirar do labirinto de escuridão a que fui jogada nesta manhã tão linda de sol."

Neste dia suas palavras novamente tocam e conclamam: "Brasil – hoje – é esta a face do teu magistério.

Brasil – hoje – são estes os olhos da tua educação.

Brasil, volte a olhar por nós, professores, não só hoje, mas SEMPRE!".

Sua foto, desde ontem, com seu rosto exangue e inchado, sacode nosso senso de justiça e de luta, amada colega de trincheira.

A colega poderia ser socada, como ocorre com milhões de mulheres, e calar-se intimidada, porque a dor e a vergonha são reais e dilacerantes, sem dúvidas.

Pelo contrário, talvez com o sangue farrapo em suas veias, como uma das mulheres heroicas retratadas pela obra literária de Érico Veríssimo, veio a público com um texto pleno de coragem e de aguerrida solidariedade, com fotos tingidas do sangue da guerra em que se transformou a sala de aula, para estimular o espírito de luta, não somente de suas e seus colegas de magistério, mas de todo o povo brasileiro.

Impressiono-me com seu espírito solidário e intenso de denúncias à situação que virou a educação no Brasil, com o massacre do magistério, com os/as colegas de educação, entre os/as quais me senti incluído: "Estou dilacerada por saber que não sou a única, talvez não seja a última. Estou dilacerada por já ter sofrido agressão verbal, por ver meus colegas sofrerem. Estou dilacerada porque me sinto em desamparo, como estão desamparados todos os professores brasileiros. Estamos, há anos, sendo colocados em condição de desamparo pelos governos. A sociedade nos desamparou. A vida...

Lembrei dos professores do Paraná que foram massacrados pela polícia, não teve como não lembrar" (mais aqui).

Mesmo ferida, como numa batalha, mencionou angustiada todos "os professores brasileiros", seu desamparo pelos governos e pela própria sociedade, sem esquecer "..meus bons alunos, que são muitos e não merecem nossa ausência".

A colega é profética – com o conteúdo político e revolucionário de "profética" e não picareta e moralista como o fazem crer os mercadores de religião – ao tomar em suas mãos as agressões e estampá-las na cara do Brasil, para que todos percebam suas causas e o grito por mudanças que elas representam.

O Professor Alexandre Castro, ao empenhar solidariedade à colega na sua linha do tempo no Facebook, disse muito bem e nos representa: "Professora Marcia Friggi, dilacerados estamos todos com sua dor. O soco que o aluno desferiu atingindo o seu rosto nos feriu a alma. A alma da nossa profissão. A nós professores cabe lutar para que isso não continue a acontecer. Minha solidariedade."

Juntando a conclamação do Prof. Alexandre ao banner com fundo de luto no template de sua linha do tempo com a frase "Luto, para uns pode ser substantivo, para professores é verbo" é a força que tem que tomar conta da maioria de nosso povo brasileiro.

Força nas denúncias que devem ser feitas a cada violência, a cada injustiça, a cada direito caçado e ao destroçamento da democracia!

A solidariedade do Professor Alexandre deve estender-se ao povo brasileiro ao Brasil.

Esta solidariedade tem que ultrapassar momentos marcados pelas fúteis expressões "nossa", "que horror", "isso tem que acabar" para se transformar em energia revolucionária para impulsionar as mudanças que nossa realidade exige.

Esse é o grito que a colega brada. Esse é o juízo que deve se afirmar para sempre.

A educação pede mudanças porque o Brasil e os trabalhadores gritam por transformações.

Abraços críticos à violência, ao abandono da educação e da justiça social. Abraços solidários à amada colega e aos seus familiares.

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