A Real História dos Golpes no Brasil - I

Se lá nos tempos imperiais quem golpeou o filho de D. João VI foi a elite em conluio com os militares, em 1930, parte de uma burguesia desgarrada do poder, com o auxílio luxuoso do monopólio midiático de Chatô, obrigou o candidato eleito pelas regras democráticas a se asilar no consulado britânico

Imperador D. Pedro II
Imperador D. Pedro II (Foto: Sebastião Costa)

Não se pode entender as turbulências do país atual sem uma devida compreensão histórica da política brasileira.

O primeiro governante a experimentar o amargo sabor de um golpe, foi o imperador Pedro II, miseravelmente traído pelos seus auxiliares mais chegados.

A badalada Proclamação da República, diga-se a pura verdade, foi um repulsivo golpe militar, urdido pela elite da época em conluio com os Marechais Floriano Peixoto, Deodoro da Fonseca e o autor intelectual do movimento, o tenente-coronel Benjamin Constant. Ocorreu, conforme o ritual de traição e conspiração, que escorre pelas sarjetas de todos os golpes.

Uma ironia: quem entregou o decreto de banimento ao imperador e já havia sugerido o seu fuzilamento, foi o avô de FHC, o alferes Joaquim Ignácio Cardoso. E um detalhe: A história não registra um único crime de responsabilidade que justificasse a deposição de D Pedro II.

E muito menos de Júlio Prestes, que em 1930 venceu as eleições presidenciais pelo placar de 1.091.709 votos, contra 742.794 sufrágios recebidos por Getúlio Vargas. e mesmo assim não pôde assumir a presidência, porque gaúchos, paraibanos e mineiros se uniram com a argamassa do golpismo, inventaram uma revoluç& atilde;o e interromperam a estabilidade democrática do país. Como quem escreve a história são os vencedores, o golpe que proclamou a Republica ainda hoje é comemorado pelos brasileiros e a "Revolução de 30" é exaltada em todo país, por todo os tempos.

Pausa, para informar que o presidente Washington Luís cometeu duas besteiras políticas. Tentou romper com a dobradinha Café com Leite e praticou a suprema ousadia de brigar com o paraibano Assis Chateaubriand, dono absoluto dos Diários Associados, poderosa rede midiática, com a força de transformar uma querela paroquial em fato político de intensa repercussão nacional. Em outras palavras, João Dantas que assassinou João Pessoa não tinha nada a ver com as brigas do café de São Paulo com o leite de Minas gerais.

Se lá nos tempos imperiais quem golpeou o filho de D. João VI foi a elite em conluio com os militares, em 1930, parte de uma burguesia desgarrada do poder, com o auxílio luxuoso do monopólio midiático de Chatô, obrigou o candidato eleito pelas regras democráticas a se asilar no consulado britânico.

Vale informar que Getúlio Vargas, ao longo dos 19 anos que esteve manuseando os destinos do país, com suas reformas de modernização trabalhista aproximou-se dos trabalhadores, na mesma proporção que promoveu insatisfações na galera que habita a Casa-Grande.

O jornalista Lira Neto que biografou o presidente, fala dos tentáculos midiáticos sendo acionados e a TV Tupi de Chateaubriand escancarando seus canais ao turbulento Carlos Lacerda, que utilizava também seu próprio jornal, Tribuna da Imprensa, além das ondas golpistas da rádio Globo de Roberto Marinho, para detonar diariamente o presidente Getúlio e seu governo. A pressão foi tão intensa e imensa, que no dia 24 de agosto de 1954 o 'Pai dos Pobres', entre renunciar, ser golpeado ou atirar no peito, preferiu "sair da vida para entrar na história"

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