A resistência verde e rosa

Mediante o retorno do obscurantismo cultural, social e civilizacional, a Estação Primeira de Mangueira surge como um sopro de resistência, de reflexão e de crítica

Vivenciamos na contemporaneidade de nossa história um momento de profundo retrocesso e de glamorização da bestialidade e da ignorância. Patologia grave e de complexas análises que, para seu diagnóstico, explodem na intolerância, na agressividade e na anulação dos divergentes.

Biografias de grandes mártires da liberdade, do justo e da equidade são violentadas pela boçalidade que se impõe de forma contundente em nosso meio.

Mediante o retorno do obscurantismo cultural, social e civilizacional, a Estação Primeira de Mangueira surge como um sopro de resistência, de reflexão e de crítica.

Fundada em 1928 no morro que batiza seu nome, Mangueira, pelos sambistas Carlos Cachaça, Cartola, Zé Espinguela, entre outros, a escola de samba foi pioneira em criar a ala de compositores com mulheres; como também precursora em incontáveis inovações que transformaram os desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro, no maior espetáculo da terra.

Com o enredo “História pra ninar gente grande” a Estação Primeira de Mangueira resgata ícones dos barracões que, sucessivamente, são ignorados ou marginalizados pelos barões da casa grande.

Personalidades como Leci Brandão, uma das maiores intérpretes do samba, e atua como deputada estadual, em São Paulo, com bandeiras de promoção da igualdade racial, o respeito às religiões de matriz africana e a cultura brasileira; Jamelão, cuja biografia se funde com a própria escola de samba; Dandara, heroína da luta contra a escravidão no período colonial; Dragão do mar, ou Francisco José do Nascimento, entre outros.

Ousada e atrevida, a Estação Primeira de Mangueira, trouxe para os holofotes da Passarela Professor Darcy Ribeiro, o Sambódromo, os ícones das senzalas, incontestável e brava gente brasileira.

Índios, negros e pobres desfilaram e emocionaram o carnaval de 2019, em uma autêntica versão carnavalesca do que Darcy Ribeiro consagrou em sua antropologia, na obra “O povo brasileiro”.

Marias, Mahins, Marielles e Malês sambaram nas caricaturas assombrosas e grotescas dos senhores do atraso, do estúpido, dos fascistoides.

Na desconstrução manipuladora da escola sem partido, mas ideologicamente manejada para o culto da decadência, a Estação Primeira de Mangueira, denunciou:

“Brasil, meu nego
Deixa eu te contar
A história que a história não conta
O avesso do mesmo lugar
Na luta é que a gente se encontra.”

Enfim um sopro de esperança verde e rosa para um país que atravessa trevas de imbecialização.

Viva a Estação Primeira de Mangueira, campeã do carnaval 2019!

Viva a resistência aos heróis dos barracões!

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