A senzala tem que derrubar a casa grande

A condenação de Lula abriu um caminho para uma nova reflexão de qual mesmo será o caminho que todos nós os lutadores do povo devemos seguir?

03/10/2017- Lula durante ato em defesa da soberania nacional no Rio de Janeiro. Foto: Ricardo Stuckert
03/10/2017- Lula durante ato em defesa da soberania nacional no Rio de Janeiro. Foto: Ricardo Stuckert (Foto: José Rainha Júnior)

A essência do Brasil é a essência do latifúndio, se os ideais de Frei Caneca não tivessem sido derrotados, nosso país seria um país de minifúndio da pequena propriedade e teríamos uma história de nossa realidade fundiária e agrária muito diferente. Mas, infelizmente o domínio de Portugal e da elite Europeia predominou e a nossa história não passou de um Brasil de Casa Grande e Senzala, de donos de engenhos que predominou a escravidão por quase 400 anos, uma história de um país que nunca passou de Colônia da Elite europeia, que nos dias de hoje em pleno século XXI em nada mudou. Nosso povo continua escravo do Capital financeiro Internacional, agora sobre o comando do Imperialismo Norte Americano.

Os presídios são piores que as senzalas, e os donos dos engenhos do alto de Cassa Grande determina quem deve ser levado ao tronco sobre os chicotes de um Judiciário e um Ministério Público, que a serviço da classe dominante determina quais devem ser as regras do estado de direito e que tipo de democracia devemos ter. A lei é os rigores para os pobres e os favores para os ricos. Lula simplesmente quis ver um Brasil diferente, ver um povo livre, com direito de comer, estudar, ter trabalho, casa digna para morar, um pedaço de chão para plantar e sustentar seus filhos.

A história do nosso povo do Campo é uma história de chacinas. No final do século XIX no sertão da Bahia foi construído um dos maiores acampamentos de Sem Terra já visto em toda nossa história, liderado por um religioso conhecido como Antônio Conselheiro, que pregava a divisão da terra e contestava a elite da República a serviço dos interesses Europeu. O Exército da República teve que fazer várias ofensivas para destruir o Arraial de Canudos, onde tudo era divido e o único objetivo era ver o povo Nordestino ter uma vida digna. Graças ao escritor Euclides da Cunha em seu livro "Os Sertões" não perdemos a memória dos acontecimentos da época.

Mas não foi só este acontecimento que abalou o nosso País. No século XX vivenciamos outra grande chacina, conhecida como Contestado entre os estados Paraná e Santa Catarina onde camponeses liderados pelo monge conhecido como Zé Maria, organizaram-se para não permitir que uma companhia inglesa grilasse as terras que os pertencia. Foi uma grande batalha sangrenta e mais uma vez a elite dizimou todos os lutadores e suas lideranças. Desta vez jogaram bombas de avião para derrotar a luta dos Camponeses.

As chacinas continuam até os dias atuais onde podemos citar Eldorado dos Carajás (PA), Corumbiara (RO), e lamentavelmente em pleno século XXI, a de Colniza (MT), e em Marabá (PA). Isso para não falar dos milhares de lideranças rurais, sindicais e religiosas que foram assassinados na luta pela terra e a reforma agrária.

Toda sociedade sabe, que Lula é Inocente, porque não existe crime. O que a militância de nossos partidos progressistas, de esquerda, e de todos os movimentos sociais e sindicais do campo e da cidade precisam, é ter a consciência política do que está em jogo é a luta de classe os dirigentes dos partidos e dos movimentos sociais e sindicais insistem em uma disputa com a classe dominante no campo puramente eleitoral, na crença que irão fazer algumas mudanças do Estado Burguês. Não vamos conseguir nem reformas necessárias, pois se houvesse possibilidade destas reformas o PT com os aliados tinha feito. Ou Lula e Dilma não queriam? Eles queriam e tinham vontade de fazer. Não fizeram porque o Estado tem um dono chamado Burguesia, cujo quem determina as regras do jogo é o Capital.

Os dirigentes políticos da esquerda, vendem uma ilusão em querer fazer a classe trabalhadora acreditar que vão ganhar as eleições com Lula e agora será diferente dos treze anos que governaram. Qualquer um da Esquerda que ganhar vai ter que seguir as regras do jogo do capital financeiro. É ilusório acreditar que o Judiciário e Ministério Público vão mudar e que as leis serão aplicadas de acordo a Justiça. O Estado é um instrumento para gerenciar o capital e está a serviço da burguesia e do capitalismo como um todo. Portanto a nossa tarefa é destruir o Estado Burguês e construir um outro, desta vez sendo socialista, sobre o comando da classe trabalhadora.

O Lula, na minha modesta opinião não deveria disputar as eleições. Seu papel é aglutinar força com as massas oprimidas e apontar o caminho da luta de classe rumo a transformação social. Este papel também deveria ser seguido pelos líderes de massas tanto no Campo como na Cidade, deixando esta tarefa das eleições para outros. A tese que a disputa eleitoral acumula forças dentro do Estado não é verdadeira. O que acumula força é as ruas, as praças, as lutas das ocupações dos latifúndios, as lutas nas ocupações urbanas, as greves por melhores salários e condições de vida para o povo.

Não temos dúvidas que o Lula foi um dos melhores presidentes que o Brasil já teve em toda nossa história, mas infelizmente não fez nenhuma mudança que alterasse a correlação de forças de nossa classe. É lamentável que a grande parte dos Companheiros do PT como da esquerda não querem o Lula como o grande líder para comandar o povo no rumo da tomada do poder da Burguesia. Eles já se esqueceram da poeira do campo e chão das fábricas e acabam empurrando a nossa maior liderança de massa para um precipício que somente a história poderá nos dizer esta verdade daqui uns cem anos. É uma pena que pouco leram Maquiavel e Sum- Tzum, e muito menos alguma página da filosofia Marxista Se leram entenderam de outro jeito de acordo as suas convicções, porque a "história do Homem é a história da luta de classe", e não há outro meio da classe trabalhadora ser livre se não fizer a Revolução e construir o Socialismo.

A condenação de Lula abriu um caminho para uma nova reflexão de qual mesmo será o caminho que todos nós os lutadores do povo devemos seguir? Ou a senzala faz a rebelião e do chão das fabricas e da poeira do Campo faz renascer o sonho de Spartacus, (que liderou a rebelião dos escravos na Roma antiga) de que somos capar de derrotar o Império, de casa grande ou passaremos para a história como os incapazes de não termos ousadia, ou como covardes de ver o nosso maior líder ser queimado na fogueira pela mão da oligarquia racionaria e achar que tudo é normal.

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