A situação da intervenção que em agosto fará um ano está acabando com a dignidade do CEFET/RJ

Pedimos, para além de socorro, que as leis sejam respeitadas e que o professor que elegemos de forma democrática para diretor-feral, Maurício Motta, seja nomeado

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Temos muitos casos absurdos e graves para contar como o recebimento de um ofício (OFÍCIO-CIRCULAR Nº 018/2020/DIREN) da Direção de Ensino (DIREN) solicitando um plano de trabalho remoto de cada colegiado para retomada do ano letivo.  O absurdo desse ofício está no fato de que foram realizadas uma série de reuniões no mesmo dia deste pedido, como do Conselho do Departamento de Ensino Médio e Técnico (CONDMET) e do próprio Conselho de Ensino (CONEN), sem que fosse mencionado nada que indicasse o pedido do Ofício da DIREN. 

Na reunião do CONDMET na manhã do dia 30/06, foi justamente debatido e encaminhado o início de uma discussão sobre a viabilidade de atividades remotas de ensino para cada disciplina. Para aumentar a gravidade de tal medida, a DIREN ignorou completamente as comissões designadas no âmbito do Conselho de Ensino, em 27 de maio de 2020, responsável por elaborar estudos que visem ações junto aos cursos de ensino médio integrado e da graduação do CEFET/RJ por ocasião da pandemia de Covid-19. 

Conforme uma nota divulgada pelos conselheiros, “o ofício 018 chegou, por e-mail, a muitos conselheiros, exatamente quando esta era a matéria em discussão na reunião do Conselho de Ensino.” Ou seja, houve um desrespeito em relação aos debates e reuniões que já estavam sendo travados e houve nitidamente uma decisão autoritária completamente monocrática com o intuito de definir as modalidades de ensino que poderão ser implantadas e uma explícita tentativa de impor um calendário de retorno do ensino no CEFET/RJ.

Na sexta passada, testemunhamos outro absurdo: os Diretores de Campus eleitos em 2015 de Angra dos Reis, Maria da Graça e Nova Friburgo foram dispensados, por e-mail, pela Direção Geral Pro Tempore. Eles se juntam à Diretora do Campus Nova Iguaçu, que foi a primeira da lista, à época comunicada, por telefone, de sua saída. Tecnicamente, foi a Vice-Diretora Geral Pro Tempore quem assinou os e-mails, mas seria inverossímil que tenha realizado ato administrativo de tamanha importância sem a anuência do Diretor Geral Pro Tempore ou, então, precisamos concordar que não há nenhuma coerência e diálogo nessa gestão.

A prova de que não podemos confiar nessa atual Direção é que no dia 20/05/2020, após a repercussão negativa da exoneração da Diretora do Campus Nova Iguaçu, o Diretor Geral Pro Tempore Marcelo de Sousa Nogueira deu uma declaração ao Jornal O Globo dizendo que não haveria mais trocas de Diretores de Campus. Vimos, assim, que a palavra falada e repetida dois dias depois numa reunião do Conselho Diretor (CODIR) não foi cumprida e não é digna da nossa confiança.

Vale observar que essas pessoas que estão agora na gestão do CEFET/RJ, criticaram, até mesmo de forma oficial, a gestão anterior, acusando-a de ser centralizadora. Na página oficial da Instituição, sob o título “Está na hora de recuperarmos nossa identidade …”, o Diretor interventor fez acusações levianas a servidores.

Nesse “documento”, lemos:

“Uma instituição que passou anos sob uma gestão centralizadora e que anulou sua identidade em detrimento de um projeto de universidade, a partir de então, teria que ver, em nossa gestão, motivação para voltar a se reconhecer como um centro de excelência de ensino tecnológico.”

A  gestão que o interventor chama de centralizadora foi responsável - como explicitou o professor Carlos Henrique, ex-diretor do CEFET/RJ, numa resposta à acusação do Diretor Pro Tempore - “pela criação do CEPE, dos CONPUS e demais Conselhos, pela consolidação dos Campi e expansão dos mesmos, pela eleição direta para diretores dos Campi, pelo  respeito aos servidores, pelo projeto de capacitação dos servidores administrativos, sem discriminação quanto à classe de ingresso de cada um. A gestão discutiu de forma ampla a expansão de todos os cursos implantados nos últimos anos, indo presencialmente em cada campus escutar os servidores. Essa gestão fazia reuniões periódicas em todos os campi com a presença de toda a comunidade (administrativos, professores e alunos), acatando decisões coletivas da comunidade e oportunizando a crítica e o contraditório”.

O CEFET/RJ, é sabido, já "se destacou no Ensino, na Pesquisa, na Extensão e na Internacionalização, sendo reconhecido internacionalmente com respeito e dignidade, seja pela qualidade da sua equipe de dirigentes e servidores, professores e administrativos, seja pela qualidade de seus alunos. Contra fatos não existem argumentos”, lembra-nos bem, Carlos Henrique.

Somente para citar mais um exemplo e não me estender muito, mas ratificando que os absurdos aqui narrados não são todos que temos enfrentado, no dia 07/07/2020, o Diretor Pro Tempore Marcelo de Sousa Nogueira resolveu se dirigir ao Grêmio Estudantil por meio do ofício OFÍCIO Nº 284/2020/GABIN/DIREG. Nesse ofício, ele solicita esclarecimentos “com vistas a subsidiar esta Direção-Geral em resposta a ser encaminhada ao Ministério da Educação”. E ainda coloca um prazo: “Em razão do exíguo tempo de reposta [SIC] a Ouvidoria do Ministério da Educação, solicitamos que os esclarecimentos sejam encaminhados até o dia 09/07/2020”.

No ofício, consta uma denúncia feita na ouvidoria do MEC em que se lê:

“... vejo no whatsapp de turma mensagens de grêmios estudantis pedindo para os alunos preencherem as pesquisas dizendo não ao EAD. Acho isso uma covardia. Trata-se de manipulação desses menores que, obviamente, em sua maioria, não tem responsabilidade. Se fosse para discutir seriamente a questão, entrariam em contato com os pais para entender as particularidades de cada aluno. Para os que tem acesso a internet, haveria EAD, para os que alegassem não ter acesso, haveria material impresso do qual o responsável deveria buscar na escola e devolver em data previamente estipulada. Há soluções. O que não estou percebendo é vontade de resolver a educação desses alunos." 

[A denúncia foi transcrita rigorosamente como está no ofício com todos os erros gramaticais mantidos]

A forma que o Diretor Pro Tempore está conduzindo essa denúncia demonstra uma tentativa de coagir o movimento estudantil. O interventor está responsabilizando o Grêmio pela demora da aplicação de um trabalho remoto sendo que já foi apontado aqui a incompetência e a confusão nessa gestão que, mesmo antes da pandemia, não era capaz de conduzir o CEFET/RJ de uma forma que conseguíssemos produzir como sempre fizemos. Conselheiros, professores, técnicos administrativos e estudantes estão lidando com um desgaste emocional muito maior que já seria se tivéssemos que enfrentar diretamente e somente os problemas reais dessa pandemia. 

Pedimos, para além de socorro, que as leis sejam respeitadas e que o professor que elegemos de forma democrática para Diretor Geral, Maurício Motta, seja nomeado para que possamos, ao menos, trabalhar com dignidade e com uma gestão que nos respeite e que se dê o respeito.

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