A sorte está lançada

"Além dela [Globo], os grandes interessados na queda de Bolsonaro são, é claro, o general Mourão, que assumiria o poder; Moro, que tiraria da frente seu principal adversário em 2022 e as Forças Armadas", constata o jornalista Alex Solnik

(Foto: ADRIANO MACHADO/Reuters)
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Por Alex Solnik, do Jornalistas pela Democracia

 Ainda não são 17h00, horário previsto para o ministro Celso de Mello dizer oficialmente se libera – no todo ou em partes – ou não o vídeo da reunião de 22 de abril, mas já circulam informes de que será liberado quase na íntegra, com supressão apenas dos trechos nos quais há ofensas a outros países, como a China, o que significa que poderemos assistir a praticamente tudo o que aconteceu.

  A partir de hoje à noite e durante o fim-de-semana o vídeo vai bombar em toda a programação da Globo, a principal interessada em tirar Bolsonaro do poder por razões óbvias: ela é alvo de suas ameaças de extermínio.

  Além dela, os grandes interessados na queda de Bolsonaro são, é claro, o general Mourão, que assumiria o poder; Moro, que tiraria da frente seu principal adversário em 2022 e as Forças Armadas, que teriam na presidência um militar mais bem-comportado, se bem que com as mesmas ideias antidemocráticas e autoritárias.

  Mas não há dúvida que ele não causaria tanto desgaste à imagem dos militares como Bolsonaro, principalmente porque não tem três filhos enrolados com a Justiça, não é amigo de Olavo de Carvalho e não comanda o gabinete do ódio.

  A Globo, sobretudo, mas também a maior parte da mídia que não suporta mais esse governo, vai repercutir o vídeo até que a proposta de uma CPI acerca da interferência de Bolsonaro na Polícia Federal se torne inevitável e, se isso ocorrer, daí para a frente o episódio se transforma numa bola de neve rolando montanha abaixo.

  Alea jacta est.

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