A tendência da comida natural e saudável, segundo The Economist

A frase “consumir local, mas real” deveria chamar a atenção, principalmente, das prefeituras, que poderiam investir pesadamente na agricultura urbana

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Semana passada (quarta, 25/2), a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) anunciou os resultados do setor em 2020, em que registrou crescimento de 12,8% em faturamento em relação a 2019, atingindo R$ 789,2 bilhões, somadas exportações e vendas para o mercado interno. Esse resultado representa 10,5% do PIB nacional. 

No volume de produção o setor cresceu 1,8% em relação a 2019, resultado que se deveu, principalmente, ao aumento das vendas para o varejo, de 16,2% em 2020, e das vendas para o mercado externo, de 11,4%.

Quando se fala em vendas para o varejo, estamos falando, obrigatoriamente, de “alimentos” ultraprocessados, que, como se sabe, é a parte mais lucrativa do negócio.

The Economist

Três meses antes, em novembro, a prestigiosa publicação inglesa “The Economist” apresentou, como faz todos os anos - e depois de consultar mais de 50 especialistas de diversas áreas - os seus 20 prognósticos para o ano seguinte, no caso 2021, que, segundo o editor Tom Standage, promete ser particularmente imprevisível, dadas as interações entre a pandemia, uma indefinida recuperação econômica e uma turbulência geopolítica. A propósito, Standage é autor de dois livros clássicos da literatura gastronômica: “A história do mundo em 6 copos” e “Uma história comestível da humanidade”.

Um dos prognósticos, o de número 19, diz respeito ao que eu e várias outras pessoas vêm dizendo há anos, sobre a opção por alimentos naturais e saudáveis.

“Tudo vai para o natural e saudável”, diz a revista. “Alimentos, experiências e forma de interação. 100% natural, produzir a própria comida, meditar e se exercitar, passam a fazer parte do dia a dia. A permacultura e os sistemas de produção pessoal eficientes estão crescendo exponencialmente. Todo mundo quer ser capaz de satisfazer suas necessidades pessoais de alimentação saudável. Consumir local, mas real. Ser mais saudável é o “novo luxo”. Produtos suntuosos perdem valor e justificativa. [...]

(Permacultura é a utilização de uma forma sistêmica de pensar e conceber princípios ecológicos que podem ser usados para projetar, criar, gerir e melhorar todos os esforços realizados por indivíduos, famílias e comunidades no sentido de um futuro sustentável).

A frase “produzir a própria comida”, significa, simplesmente, cozinhar o que comemos, na medida do possível.

Diante desse quadro, que, espero, seja factível, a indústria alimentícia talvez tenha que, no futuro presente, se reinventar, optando por apresentar produtos mais saudáveis, mais nutritivos, menos calóricos, em vez de centrar sua produção nos ultraprocessados.

Produção local, consumo local

Já a frase “consumir local, mas real” deveria chamar a atenção, principalmente, das prefeituras, que poderiam investir pesadamente na agricultura urbana.

Segundo a FAO (órgão da ONU para a alimentação e agricultura), “o sistema alimentar de qualquer cidade é híbrido – combina diferentes formas de aprovisionamento e consumo de alimentos. Algumas cidades dependem, principalmente, de fazendas e processadores de alimentos situados na zona urbana, periurbana e na zona rural próxima de cidade [...] O sistema agroalimentar conecta as comunidades rurais e urbanas dentro de um mesmo país”.

Tenho dito que o melhor de tudo, em vez da ênfase nas monoculturas e na produção de commoditiespara exportação, seria concentrar a produção no pequeno produtor, na agricultura familiar, que são, como se sabe, os principais fornecedores de alimentos in natura para a população, no mundo todo.

É bom saber que a agricultura urbana é uma alternativa simples de ser implantada e economicamente viável.

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