A um eleitor que ajudou a destruir a Educação e o País

"Caro eleitor, você que foi às ruas gritar 'contra a corrupção' e votar no primeiro que aparecesse, só para 'derrotar os corruptos' e restaurar a 'moralidade na Nação', como está vendo a Educação do seu País, hoje?", pergunta Gilvandro Filho, Jornalista pela Democracia; "Está satisfeito com a forma como o seu presidente destrói um legado de conquistas e de programas que colocaram o Brasil na vanguarda do ensino, como o Ciências Sem Fronteiras, por exemplo?"

A um eleitor que ajudou a destruir a Educação e o País
A um eleitor que ajudou a destruir a Educação e o País (Foto: Marcos Correa)

Por Gilvandro Filho, do Jornalistas pela Democracia

Caro eleitor, você que foi às ruas gritar "contra a corrupção" e votar no primeiro que aparecesse, só para "derrotar os corruptos" e restaurar a "moralidade na Nação", como está vendo a Educação do seu País, hoje? Está satisfeito com a forma como o seu presidente destrói um legado de conquistas e de programas que colocaram o Brasil na vanguarda do ensino, como o Ciências Sem Fronteiras, por exemplo?

Você já imaginou se naqueles governos contra os quais você tanto rangeu os dentes, no governo de Lula, ou no de Dilma, o ministro da Educação agisse deliberadamente para prejudicar as universidades federais? E se, naquela época, a irmã do ministro da Economia fosse vice-presidente de uma tal Associação Nacional das Universidades Privadas e partisse dela um pedido desses cortes de 60% nas UFs? Para completar, já pensou se o seu ministro da Educação não fosse do ramo e, pior, ninguém ligasse para isso? Afinal, ele estaria ali para fazer aquilo mesmo. Decisão de governo.

Pois, não é difícil adivinhar o que ocorreria. O mundo caía, as panelas batiam; as luzes de varanda piscavam; um processo de impeachment começava; Sérgio Moro vestia a capa de Batman e armava a prisão de Lula; a direita ia fazer passeata na praia; a Globo e a Globonews largavam suas programações para transmitir ao vivo os protestos; a Folha, o Globo e o Estadão pediam o fim do governo em editoriais diários. E você, coitado, botava uma camisa da Seleção Brasileira (sua bandeira jamais será vermelha, eu sei...) e gritava que um novo Brasil estava chegando, assim que a "bandidagem do PT" fosse tirada do poder.

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Vamos combinar, tudo o que você queria aconteceu. Uma presidente foi deposta por um "crime" que, meses depois se provou que não existia. No lugar dela entrou um vice que conspirou e traiu. E se você esperava retorno da moralidade e da honestidade, saiba que, esta semana, aquele traidor que entrou no lugar da presidente tornou-se réu, por corrupção, pela sexta vez.

Você foi peça importante nesse rolo todo. Você foi às ruas e fez campanha para um celerado que fugiu de debates, sofreu um atentado suspeito, prometeu matar os adversários, teve a maior concentração de fakenews já reunida em uma campanha eleitoral, por um candidato. E ele venceu com sua ajuda, mesmo com todos os alertas. Você ajudou a botar no poder um grupo que vai ficar no lixo da história. Calma, você estará lá...

Sim, porque a turma que você botou no lugar daquele "partido de bandidos" é quem está fazendo tudo para o país não dar certo. Hoje, somos chacota mundial, governo de malucos, cachorrinho dos EUA. Vamos voltar para a Educação. A função do MEC é, agora, acabar com o ensino público no país. O ministro da Educação está estraçalhando com as Federais; a irmã do ministro da Economia é a presidente da tal associação que fez o lobby pelos cortes dos orçamentos das nossas universidades públicas.

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Isto para ficar somente neste problema. Sem falar nos 40 milhões de desempregados (eram 13 milhões e choveu canivetes, não foi mesmo?), das novas leis trabalhistas, do umbral da Previdência, da pré-guerra contra a Venezuela, do país de quatro para os Estados Unidos, de Queiróz, dos milicianos condecorados, de Olavo de Carvalho guru no governo, dos Bolsonbabys, de Damares, Ernesto e Lorezzoni. O desmonte da Educação acima de tudo. O interesse do ensino privado acima de todos.

O País está ferido de morte por causa do golpe que a democracia sofreu e que teve como pretexto acabar, justamente, com tudo que hoje você vê acontecer e não pode (ou não quer) fazer nada.

O Brasil está ruindo por causa do seu voto.

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