A União Europeia em xeque

Se parte da esquerda britânica apoiou o brexit (saída), preocupada com a insegurança social desencadeada pelo establishment político sedimentado no bloco, na verdade, o resultado configurou-se numa vitória retumbante da direita extremada

Austeridade, desregulação e globalização. Foi com esse mote que a política da UE promoveu insatisfações à esquerda e à direita. À esquerda pelo nacionalismo (um pouco diferente da América Latina) e à direita idem, idem. Na direita, a revolta montada no xenofobismo radical. Na esquerda, a reação ao desengorduramento do acolchoado social.

Se parte da esquerda britânica apoiou o brexit (saída), preocupada com a insegurança social desencadeada pelo establishment político sedimentado no bloco, na verdade, o resultado configurou-se numa vitória retumbante da direita extremada. O próprio David Cameron, mesmo um fiel discípulo do conservadorismo de Thatcher, apostou todas as fichas no brestay ( permanência), que recebeu a torcida e apoio de Obama, enquanto o candidato ultraconservador do partido Republicano, Donaldo Trump comemorou com entusiasmo a vitória do brexit

O fato é que, a caminhada pela trilha corporativista da política europeia cavou um fosso imenso entre os interesses da elite e as ansiedades e anseios do povo, que vão desde o nacionalismo xenófobo da direita radical, de olho na onda migratória, à preocupação com a progressiva insegurança social configurada no apoio do Partido Comunista ao brexit.

Quem resumiu com muito objetividade o espírito do plebiscito de quinta-feira foi o jornalista Padraig Reidy, editor da revista Little Atoms, sediada em Londres "a votação foi um reflexo de uma divisão crescente entre uma elite metropolitana que floresceu em uma economia globalizada e uma raiva populista da parte daqueles que se sentem deixados para trás"

O candidato 'socialista' Bernie Sanders dos EUA segue os passos do jornalista: "Esta votação é sobre uma indicação de que a economia global não está funcionando para todo mundo".

Na verdade, os britânicos preferiram se desvencilhar dos políticos tradicionais e torceram o nariz aos apelos dos três maiores partidos políticos, para seguirem o caminho do isolamento em relação ao bloco europeu.

De olho na insatisfação popular generalizada, analistas falam com insistência no desmonte da União Europeia.

Se na Inglaterra o brexti venceu apertado, em outras paragens a coisa é bem mais complicada. Gregos, italianos, franceses, espanhóis e suecos, têm demonstrado insatisfações ás políticas de Bruxelas bem maiores do que os súditos da rainha Elizabeth.
Seriam esses países, as próximas peças do efeito dominó iniciado quinta-feira em terras britânicas?

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