A única saída é ocupação das ruas

A única maneira de enfrentar a campanha de aniquilamento do Brasil e da classe trabalhadora é procurar o sindicato ao qual se é ligado e somar esforços na organização e mobilização para restituir direitos que estão sendo tirados desde Temer. Não há outra saída

(Foto: Carolina Antunes - PR)
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Chegou ao Congresso Nacional um grau mais elevado da supremacia do capital sobre o trabalho, com a imposição de um secular atraso nas relações entre os dois. A proposta da Carteira Verde/Amarela está embutida na MP 905, uma verdadeira salada de competências, que vão do 13º, passando por férias, à dispensa de registro profissional. O referido instrumento é mais uma etapa na transformação do Brasil num mero entreposto comercial de outras nações, especializado na produção e exportação de bens primários, como óleo cru, soja, ferro. As refinarias por exemplo, estão subutilizadas. O Brasil está enviando petróleo para ser refinado no exterior, quando poderia criar empregos ao longo de uma extensa e complexa cadeia produtiva, além de desenvolver tecnologias, alavancar a economia e voltar a ter projeção internacional. Infelizmente, o Brasil está nas mãos de um inepto e de um apostador de bolsa de valores.

A carteira terá a duração de dois anos, para oferecer trabalhos que paguem R$ 1.497 a jovens de 18 a 29 anos. Pela modalidade de contratação, os empresários deixarão de recolher uma série de contribuições, como os 20% da Previdência, que foram conquistadas pelos ancestrais desses jovens, para quem a alíquota do FGTS passará de 8% para 2% e, a sua multa, de 40% para 20%. O governo diz que as condições devem ser acordadas entre os trabalhadores e a empresa. Com uma crise gigante de desemprego, os jovens vão se submeter a condições de trabalho superadas há muito superadas. O desprezo e o ódio de Bolsonaro e Paulo Guedes pelo Brasil e pelos pobres não tem limites. Para compensar o que os patrões deixarão de contribuir, o governo vai retirar 7,5% de quem recebe auxílio-desemprego. Favorece os ricos tirando dos miseráveis.

Paulo Guedes tem muita bravata. A contumaz grosseria e o desprezo pelo debate honesto tornam impossível a discussão com quem tergiversa, não responde as questões e agride quem desqualifica seus argumentos. À luz da razão, é impossível demonstrar que essas políticas farão o Brasil voltar a produzir e a crescer. Desde o início do governo, nada anunciado foi cumprido. Os propalados empregos criados são informais. É a exploração de um exército de mão de obra que se submete para dar mais dinheiro a quem já tem o bastante. Porém, a classe trabalhadora não tem essa clareza, principalmente porque está afastada do melhor espaço que a democracia criou para organizar a luta contra a exploração, os sindicatos. É sabido que estes têm problemas de gestão e de representatividade. Porém, não é se desfazendo, mas, sim, participando deles que se vai alterar as suas estruturas e torná-lo moderno, transparente e digno de quem representa, trabalhadores organizados e mobilizados.

O baixíssimo nível de politização da população brasileira é uma de suas características marcantes. Porém, há uma significativa parcela da sociedade que sabe o que está acontecendo, mas não dá o braço a torcer. Tudo por orgulho de não reconhecer que foi ludibriada por um complexo e bilionário sistema de comunicação, que inoculou, em quem aceitou, um ódio pela esquerda, mas, principalmente pelo PT. A relutância é o espaço por onde Bolsonaro e Guedes subtraem o Brasil. Essa postura ajuda em nada, o País. A imprensa comercial, de propriedade dos bancos, continuará sua propaganda de destruição das empresas nacionais, acusando-as de tudo quanto o que há de pior. A única maneira de enfrentar a campanha de aniquilamento do Brasil e da classe trabalhadora é procurar o sindicato ao qual se é ligado e somar esforços na organização e mobilização para restituir direitos que estão sendo tirados desde Temer. Não há outra saída.

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