A Venezuela tem um único presidente

"Não há dois presidentes na Venezuela. Maduro é o único presidente. O que não significa que os problemas do país estejam em processo de resolução", diz o sociólogo Emir Sader; "Uma nova operação dos EUA, apoiado por governos subalternos da América Latina, fracassa. Mas contribuiu para tornar mais tenso o clima no continente, cujos governantes fazem o jogo de Trump de buscar na Venezuela um bode expiatório para os graves problemas internos que nenhum desses governantes consegue resolver", acrescenta

A Venezuela tem um único presidente
A Venezuela tem um único presidente

Estava tudo programado para dar certo. Seria a consagração do autoproclamado presidente da Venezuela. Ele era esperado pelo vice-presidente dos EUA, por parlamentares norte-americanos, por aviões de guerra dos EUA com carregamento de ajuda, por três presidentes latino-americanos.

Ele foi levado por um helicóptero colombiano, mas disse que tinha conseguido sair pela ação de militares venezuelanos. A mídia foi inflacionando os números dos membros das FFAA venezuelanas que teriam desertado e se apresentado às autoridades colombianas. De 2 a 165, como um prenuncio de quebra do Exército da Venezuela.

Uma enorme multidão chegaria do lado venezuelano. Com a cumplicidade de militares da Venezuela, que atenderiam ao chamado do autoproclamado, se abriria as fronteiras e penetrariam no pais os caminhões enviados pelos EUA. Um navio havia saído de Porto Rico na direção de algum porto da Venezuela com mais ajuda humanitária. O autoproclamado, ladeado por três presidentes latino-americanos, além do vice-presidente dos EUA e parlamentares daquele pais, entrariam no pais nos ombros do povo e seguiria diretamente para o Palácio Presidencial, com a ajuda humanitária, que resolveria definitivamente os problemas do pais.

Mas como tudo estava rigorosamente planejado no papel, nada deu certo. Não houve caravana e concentração de apoiadores do autoproclamado do lado venezuelano. O navio voltou para Porto Rico. As fronteiras ficaram fechadas. Mesmo afirmando que não reconhecia a ruptura de relações decretada por maduro, o governo da Colômbia retirou os funcionários da sua embaixada, decidido pelo governo da Venezuela. O autoproclamado pediu a reabertura das relações, reconhecendo o poder de Maduro, ao invés de decreta-la, se tivesse algum poder.

O autoproclamado e seus mentores jogaram tudo o que tinha perderam. Acreditavam que o cerco diplomático e a campanha midiática eram suficientes, que o apelo à ajuda humanitária e pressões sobre os militares venezuelanos, bastariam para decidir a parada. Fora com excessiva sede ao pote e perderam. Se deram mal.

Ficou clara a farsa de que haveria um outro presidente na Venezuela. Tomaram suas fakenews por realidade e montaram o grande circo de Cúcuta. A paisagem depois da batalha não poderia ser pior para eles. Juan era um autoproclamado presidente da Venezuela. Agora ele é um asilado percorre países como o Brasil, pedindo mais apoio. O Grupo de Lima condenou soluções violentas a que ele apelava e foi criticado pelos EUA. Se esgotou o apelo ao cerco diplomático. A própria União Europeia chama a uma solução negociada. O próprio governo brasileiro recuou das suas posições mais extremistas.

Os EUA tratam, como sempre, de jogar latino-americanos contra latino-americanos. Seu vice-presidente quase que se instala na fronteira da Colômbia com a Venezuela. Presidentes do continente que o acompanharam ficam marcados como lacaios dos EUA.

Não há dois presidentes na Venezuela. Maduro é o único presidente. O que não significa que os problemas do país estejam em processo de resolução. Nem as ameaças, nem as sanções internacionais terminaram. Nem os graves problemas internos, explorados pelos que propugnam uma intervenção externa, tem propostas de sua solução. O isolamento internacional do governo na América Latina e na Europa, é um problema que o governo de Maduro tem que enfrentar com novas propostas de pacificação do clima interno e de resolução dos problemas do pais, inclusive para que o governo possa concentrar-se no enfrentamento dos problemas econômicos da Venezuela.

Uma nova operação dos EUA, apoiado por governos subalternos da América Latina, fracassa. Mas contribuiu para tornar mais tenso o clima no continente, cujos governantes fazem o jogo de Trump de buscar na Venezuela um bode expiatório para os graves problemas internos que nenhum desses governantes consegue resolver.

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