A volta do poder de fogo da propaganda eleitoral na TV

"Será preciso recorrer a todas as ferramentas para enfrentar a autêntica panfletagem feita por Bolsonaro depois da PEC do Desespero", diz Bepe Damasco

www.brasil247.com - Geraldo Alckmin e Lula
Geraldo Alckmin e Lula (Foto: Sergio Moraes/Reuters)


Entre todas as eleições desde a redemocratização do país, a de 2018 foi a que a propaganda eleitoral na televisão e no rádio exerceu menor influência na definição de voto do eleitor.

Perdeu seu lugar privilegiado como instrumento de campanha para as redes sociais apinhadas de fake news criminosas do bolsonarismo e para o voto contra a corrupção, a política e os políticos.

O pleito estava tão pelo avesso que Bolsonaro se vendeu como candidato antissistema, mesmo sendo ele um veterano integrante do sistema.

Quatro anos e um desgoverno fascista depois, as preocupações dos brasileiros e das brasileiras são outras. No topo das prioridades, estão saúde, emprego e educação. O tema corrupção caiu para o quarto lugar. Ou seja, tudo volta ser como dantes e o caráter atípico de 2018, ao que tudo indica, não se repetirá agora.

Se Bolsonaro não precisou mais do que alguns exíguos segundos na televisão, em 2018, este ano o empenho até o prazo limite para atrair partidos para sua coligação e, assim, ampliar seu quinhão de tempo, mostra que até a extrema-direita entende que a TV volta a ter importância crucial.

Ao fim e ao cabo, a maior coligação, reunindo nove partidos, a chapa Lula-Alckmin, terá direito a 3 minutos e 20 segundos em cada um dos dois blocos diários de 12 minutos e 30 segundos. Fora as sete inserções de 30 segundos diárias, consideradas ouro em pó pelos profissionais de marketing político, pois são veiculadas nos intervalos comerciais das emissoras, inclusive em horários de grande audiência, como os do futebol e das novelas.

Bolsonaro, com três partidos em sua coligação, terá direito ao segundo maior espaço, com cerca de 2 minutos e quarenta segundos, além de seis inserções diárias. O horário de propaganda na TV e no rádio começa dia 26 de agosto e vai até 29 de setembro.

As campanhas nas redes sociais e nas ruas, por óbvio, seguem sendo fundamentais e terão papel de destaque na campanha que ora se inicia.

Contudo, outro aspecto torna ainda mais relevante a utilização competente da televisão por parte da coligação liderada por Lula: será preciso recorrer a todas as ferramentas possíveis para enfrentar e desmoralizar a autêntica panfletagem de dinheiro público feita por Bolsonaro depois da aprovação da PEC do Desespero.

Além de desnudar, de forma didática e contundente, sua natureza eleitoreira, oportunista e inconstitucional, bem como sua limitação temporal, uma vez que todos os auxílios só duram até dezembro, Lula certamente não perderá a oportunidade, como já tem feito, para se comprometer com políticas sociais mais ousadas e perenes.

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