Abjetos humanos

Dizem que para julgar o caráter de uma pessoa, basta dar a ela poder. Estes promotores da Lava Jato podem ser chamados de qualquer coisa, mas o que mais os define é a falta de caráter, sua má índole

(Foto: Rovena Rosa/ABR)

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde) o percentual de psicopatas na população gira entre 3,5% e 4,0%. Em um universo de 100 pessoas, podemos ter algo em torno de 4 psicopatas. Não necessariamente todos ligados aqueles casos mais extremos que combinam esta falta de empatia com outros distúrbios comportamentais que os levam a cometerem crimes de extrema violência.

Existem milhares de membros no MPF. Muito difícil crer que os membros da Lava Jato tenham sido escolhidos de acordo com o grau de psicopatia. Não foram diagnosticados assim para fazerem parte do que se acreditava ser um grupo de idealistas lutando contra a corrupção. 

Em se tratando, pelo menos em sua maioria, de pessoas normais, o que deu errado? Em que momento perderam sua humanidade ao ponto de debocharem de indivíduos mortos, inocentes que nada tinham a ver com atos de corrupção, entre eles um menino de 7 anos? 

Dizem que para julgar o caráter de uma pessoa, basta dar a ela poder. Como colocar um uniforme de policial ou receber um cargo de mando. Se ela continuar sendo aquilo pelo qual chegou lá, trata-se de uma pessoa de bom caráter. Caso contrário, ela soube nos enganar muito bem.

Quando me refiro a caráter tenho em mente a índole. Aquele processo construído ao longo da nossa infância e juventude que molda a pessoa que somos. O que não depende diretamente da situação socioeconômica, do lugar onde nascemos ou de motivações religiosas. Aquilo que nos faz aprender o que é certo e errado quase que instintivamente. Que ainda pode ser corrigido.

Estes promotores da Lava Jato podem ser chamados de qualquer coisa, mas o que mais os define é a falta de caráter, sua má índole. Eles não apenas causaram um estrago na economia do país levando milhares de brasileiros ao desemprego, usaram de artimanhas nada recomendáveis para atingirem seus objetivos, como perseguiram um ex-presidente de forma cruel e fora da lei.

Alguns deles chegaram aos cargos que ocupam por influência de parentes. Todos são os típicos brancos, bons cristãos e membros da elite. Não me parecem que tenham sido os mais populares nos seus bancos escolares. Também não fazem o tipo de esportistas. São aqueles, não fosse a fama, nos lembramos sua existência na nossa juventude, mas nos falham os nomes.

Esta gente se auto investiu de um poder que jamais lhes foi outorgado. Se acharam acima do bem e do mal e como numa cruzada contra os infiéis, se lançaram em uma guerra contra a corrupção no Brasil. Não contra todos os corruptos, somente aqueles que ideologicamente lhes convinha. Para isso tiveram um grande aliado, o então juiz Sergio Moro. E assim de mãos dadas, respaldados pelo Grupo Globo e a maioria dos veículos da mídia nacional, juntamente com a complacência do STF, fizeram o que bem entenderam se colocando acima da lei.

Todos os avanços de sinal vermelho foram amplamente apontados. A divulgação ilegal dos áudios do Presidente Lula com a Presidenta Dilma teve ampla divulgação. A condução coercitiva do Presidente Lula e de outros acusados foi matéria nacional. O julgamento recorde no TRF-4 sem o mínimo tempo hábil de leitura do processo pelos juízes e os votos combinados receberam ampla divulgação. A condenação sem provas foi minimizada e comemorada. Viva os heróis da Lava Jato foram as manchetes da mídia escrita e televisiva.

Tudo o que a mídia nacional escondeu ou pouco divulgou como sendo no mínimo impróprio, um site chamado The Intercept, que tem como um de seus fundadores o renomado jornalista Glenn Greenwald, desnudou. Um imenso arquivo contendo as trocas de mensagens entre os procuradores, entre eles e Moro, incluindo áudios, começou a ser esmiuçado por eles e outras mídias. E foi aí que ficamos sabendo que aqueles idealistas realmente não passavam de agentes públicos inescrupulosos. Todos aqueles sinais menosprezados anteriormente passaram a fazer sentido. Eram Tigres de Papel.

A cada divulgação de trocas de mensagens, fomos sendo informados como a justiça pode ser manipulada, e como eles a manipularam de acordo com os seus interesses. Regras básicas de equidistância do juiz para com a defesa e a acusação foram flagrantemente desrespeitados sem o menor pudor, sempre em favor da acusação. E foram ao ponto de o juiz oferecer testemunha para ela.

Trabalharam para impedir o Presidente Lula de dar entrevistas antes da eleição, fingiram investigar FHC, deram palestras para obterem lucros pessoais, pressionaram ministros do STF inclusive se utilizando de grupos de direita para isso, acobertaram um dos seus que pagou por outdoor ilegal e vazaram informações para a imprensa de acordo com os seus interesses quando lhes convinha. Estas são algumas das insensatezes conhecidas até agora que em uma democracia normal já seria motivo de prisão com a nulidade de todos os processos nos quais tiveram envolvimento. Numa democracia normal.

Tudo o que já sabemos até aqui é manifestadamente execrável, mas nada se compara com os comentários jocosos que fizeram contra o Presidente Lula quando das perdas da sua esposa, de seu irmão e de seu neto. Para isso não existem palavras fáceis. Abjetos humanos é pouco para defini-los. A maneira como se referiram aos falecidos é impublicável, mas o fizeram no que acreditavam ser um ambiente favorável e inacessível ao público que deveriam servir de exemplo de idoneidade ética e moral.

Os diálogos que nos foram apresentados atestam inequivocamente que não estavam trabalhando de acordo com o profissionalismo esperado de um agente público. Estavam isto sim, sendo o que de mais baixo existe na humanidade, seres desprezíveis que desceram ao esgoto da sociedade e lá permaneceram para se lambuzarem com a desumanização de seus semelhantes que sequer conheciam, cujo único crime seria o parentesco com aquele que metódica e doentiamente atacaram sem piedade.

Esta gente merece o desprezo de qualquer ser humano. Suas desculpas são como lágrimas de crocodilo. Nada vai apagar a falta de bom senso e total desprezo pelo sofrimento das perdas do Presidente Lula. Erraram uma vez com a morte de sua esposa. Outra vez com a morte de seu irmão e uma terceira com a morte de seu neto. Não tem perdão. Como bons cristãos que são, penitenciem-se até o fim dos seus dias. 

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