Abraçar o STF contra os neonazistas

"A sociedade civil poderia reagir organizando um grande abraço de milhares de cidadãos em torno do STF, mesmo sem se dar as mãos", escreve Alex Solnik, do Jornalistas pela Democracia, que avalia que "o afeto seria a melhor resposta à truculência dos neonazistas"

Manifestantes pró-Bolsonaro na área externa do Congresso Nacional, em Brasília 13/6/2020
Manifestantes pró-Bolsonaro na área externa do Congresso Nacional, em Brasília 13/6/2020 (Foto: REUTERS/Adriano Machado)
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Por Alex Solnik, do Jornalistas pela Democracia

A primeira ideia que me veio à cabeça, depois do ataque simbólico de neonazistas ao STF com fogos de artifício foi que a sociedade civil deveria se organizar para proteger a instituição que a protege.

Não com armas, pois a sociedade civil é desarmada, mas com uma demonstração de apoio, e até mais do que isso, demonstração de afeto.

O fato, agora, é que a escalada na violência contra seus integrantes, o que significa ataque a todos os democratas, chegou a patamares inaceitáveis e, tal como os ministros do STF, são alvos todos os brasileiros que prezam pelas suas liberdades.

Começou com calúnias, injúrias e ameaças pela internet e no sábado à noite culminou com lançamento, sobre o prédio que abriga a instituição, de artefatos que simularam bombas.

Os autores do ato terrorista são conhecidos. Formavam, há semanas um acampamento denominado os 300, comandado por figuras infames como uma moça que se autodenomina Sara Winter, nome de espiã nazista que atuou na Inglaterra durante a 2ª. Guerra Mundial e que não se sabe por que ainda não foi presa.

Ninguém promove um ato terrorista como aquele sem cumplicidade da polícia. O governador do DF, Ibaneis Rocha, demitiu o encarregado pelas operações da PM no fim de semana, Sérgio Luiz Ferreira de Souza, o que alimenta as suspeitas de infiltração bolsonarista nas polícias estaduais.

O caso vai dar muito pano para manga. O ministro Weintraub foi filmado conversando amistosamente com os caras do acampamento criminoso. Sua permanência no governo ficou insustentável.

Os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes mandaram investigar quem financiou o ataque e a pergunta é se são os mesmos que pagaram pela campanha de ódio nas eleições de 2018.

Sendo aqueles ou não, serão processados por financiar ato terrorista.

A sociedade civil poderia reagir organizando um grande abraço de milhares de cidadãos em torno do STF, mesmo sem se dar as mãos.

O afeto seria a melhor resposta à truculência dos neonazistas.

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