Ação do Facebook acelera ruína do bolsonarismo

"A derrubada das contas mostra que o governo de Jair Bolsonaro tornou-se incompatível com o país e o mundo em que vivemos", escreve Paulo Moreira Leite, do Jornalistas pela Democracia

Eduardo, Jair e Flávio Bolsonaro
Eduardo, Jair e Flávio Bolsonaro (Foto: Reuters | Reprodução)
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O cancelamento de 35 contas, 14 páginas e 1 grupo no Facebook, além de 38 contas no Instagram, abre uma oportunidade necessária para o país investigar a fundo crimes que permitiram a entrada do bolsonarismo no Planalto e há 17 meses alimentam um ambiente de ódio no país.

Fruto de um mal-estar de  empresas e países diante do avanço da extrema-direita pelo mundo, numa reação que já  ameaça até a reeleição de Donald Trump, a ação do Facebook no Brasil expõe a ruína do governo Bolsonaro num grau impensável.

"O material investigado pela plataforma identificou pelo menos cinco funcionários e ex-auxiliares que disseminavam ataques a adversários políticos de Bolsonaro", descreve o Estado de S. Paulo ( 08/07/2020), referindo-se ao "gabinete do ódio" instalado no terceiro andar do Planalto, sob tutela do 03, Carlos Bolsonaro. Um dos já identificados é Tércio Arnaud Thomaz, assessor administrador da página "Bolsonaro Opressor 2.0". (Estado, 08/07/2020).

No governo de um presidente declaradamente contaminado pela Covid-19, assombrado por personagens sombrios  -- o advogado Frederick Wassef --, familiares em fuga da Justiça -- Flávio Bolsonaro --, amizades comprometedoras -- Fabrício Queirós --  ministérios sem ministro -- Educação e Saúde -- e ministros com a cabeça na guilhotina -- Ricardo Salles -- a decomposição do bolsonarismo atinge agora um grau insustentável para um país que abriga uma das dez economias do mundo, população superior a 200 milhões de habitantes, uma história de liderança no Hemisfério Sul.

Para quem lembra-se de filmes de faroeste, a operação  equivale àquele cena decisiva em que o xerife desfila pela cidade à cavalo, para conduzir um grupo de bandidos até a sala de julgamento.

As provas contra os acusados estão lá, escancaradas, em páginas com 883 000 seguidores no Facebook, um pouco menos do que o Instragram, com 917 000.

A única pergunta é saber como as instituições brasileiras, que tem mantido uma postura ora de tolerância, ora de resistência, diante de imensos  descalabros, irão reagir a partir de agora.

Quando até o Facebook, potência global  do século XXI, ocupada acima de tudo com  receitas e vantagens privadas, decide tratar um governo como deliquente, parece claro que sua hora chegou.

Cabe ao STF, ao TSE, ao Congresso e à população decidir como resolver isso.

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