Adiós, Dias Toffoli

"Não surpreende que, a poucos dias da passagem do bastão a Luiz Fux, Toffoli faça elogios a Bolsonaro. Apesar de Bolsonaro e alguns de seus ministros terem, desde o início do governo, pisoteado a Justiça e o Supremo", diz o jornalista Moisés Mendes

Presidente do STF, Dias Toffoli
Presidente do STF, Dias Toffoli (Foto: REUTERS/Adriano Machado)
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Dias Toffoli é o que antigamente chamavam de figura patética. Ministro do Supremo, no mais alto cargo da magistratura, mas uma figura patética.

No próximo dia 10, Toffoli se despede da presidência do Supremo como o mediano desafiado por um alto cargo. Esforçou-se a seu modo, mas não soube deixar de ser mediano.

Nesta sexta-feira, ele disse: “De todo relacionamento que tive com o presidente Jair Bolsonaro e com seus ministros de Estado, nunca vi da parte deles nenhuma atitude contra a democracia”.

Toffoli assumiu a presidência do Supremo em 13 de setembro de 2018. No dia 1º outubro, em palestra no aniversário de 30 anos da Constituição de 1988, na Faculdade de Direito da USP, deixou claro aos militares:
“Hoje, não me refiro nem mais a golpe nem a revolução. Me refiro a movimento de 1964”.

Pronto, o golpe era um movimento. E logo depois fez um movimento pessoal e inédito e adotou um general como assessor direto, Fernando Azevedo e Silva, que depois assumiria como ministro da Defesa de Bolsonaro.

No dia 1º de junho, Azevedo e Silva sobrevoou de helicóptero, ao lado de Bolsonaro, as manifestações golpistas contra o Supremo em Brasília. 

A bordo da aeronave camuflada, como se estivessem em guerra, os dois foram prestigiar um ato comandado pela fascista Sara Winter contra a instituição para a qual o general havia prestado serviços.

Azevedo e Silva foi trocado depois na assessoria de Toffoli por outro general, Ajax Porto Pinheiro, também bolsonarista.

Enquanto esteve na presidência do STF, Toffoli foi assessorado por esses dois militares da linha dura das Forças Armadas. Por que o presidente do Supremo precisou da companhia de dois militares? 

A pergunta é um constrangimento, um dos maiores já enfrentados pelo presidente do Supremo em tempos de democracia, mesmo que uma democracia precária e tutelada.

Não surpreende que, a poucos dias da passagem do bastão a Luiz Fux, Toffoli faça elogios a Bolsonaro. Apesar de Bolsonaro e alguns de seus ministros terem, desde o início do governo, pisoteado a Justiça e o Supremo.

Além de Azevedo e Silva, Augusto Heleno esteve em atos contra o Supremo. Onyx Lorenzoni desfilou entre os militantes de Sara Winter. Abraham Weintraub disse que os ministros do Supremo eram vagabundos. Jorge Oliveira afirmou que Weintraub era o eco de parte da sociedade.

Entre maio e junho, Bolsonaro atacou o Supremo quase todas as semanas. Antes, um filho dele disse que fecharia o Supremo com um jipe, um cabo e um soldado. O Gabinete do Ódio, instalado no Planalto, sob o comando dos garotos, ataca o Supremo.  

Há uma investigação determinada pelo próprio Toffoli no STF, sob o comando do ministro Alexandre de Moraes, que identificou as agressões do Gabinete do Ódio ao Supremo.

Todo o blefe do golpe, com a ajuda das manifestações criminosas de Sara Winter, foi construído por Bolsonaro e os militares a partir da ideia de que era preciso acabar com o Supremo. Os Bolsonaros atacam o STF para atacar a democracia.

Algum dia alguém citará alguma frase de Dias Toffoli em defesa do Supremo atacado pela família Bolsonaro e por seus ministros fardados e civis? 

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