Alckmin entra no jogo

Se Alckmin parecia carta fora do baralho, agora há o risco de um segundo turno entre Bolsonaro e um tucano. Mas é um risco relativamente baixo, porque Lula lidera as pesquisas de intenção de voto e a maioria dos especialistas acha que ele tem plenas condições de emplacar um candidato apoiado por ele no segundo turno

Alckmin entra no jogo
Alckmin entra no jogo (Foto: REUTERS/Adriano Machado)
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O centrão preferiu colar com a direita, associando-se a Geraldo Alckmin, e dando-lhe quase 40% do tempo total de televisão.

É um desenlace absolutamente lógico, que tem a vantagem de dar mais coerência à disputa política.

Embora fosse interessante, à esquerda, manter o centrão fisiológico descolado do campo conservador, como aconteceu nas quatro eleições presidenciais passadas, em que a maior parte deste centrão se uniu ao PT, sempre pareceu algo inverossímil que essas legendas se uniriam a um candidato com as propostas de Ciro Gomes.

E o que não é verossímil, em política, geralmente não acontece.

Agora Ciro Gomes precisa, mais que nunca, para voltar ao jogo, receber o apoio do PSB.

Além de Ciro, outro prejudicado pela guinada tucana do centrão, foi Jair Bolsonaro, que subitamente perde o atrativo de ser o candidato preferido da direita organizada.

Não há dúvidas de que mercado e mídia agora vão se concentrar em torno da candidatura Alckmin.

A movimentação do dólar e ações na bolsa desta sexta-feira já estão refletindo essa preferência.

Se Alckmin parecia carta fora do baralho, agora há o risco de um segundo turno entre Bolsonaro e um tucano.

Mas é um risco relativamente baixo, porque Lula lidera as pesquisas de intenção de voto e a maioria dos especialistas acha que ele tem plenas condições de emplacar um candidato apoiado por ele no segundo turno.

Nestas eleições, o PT é o partido com maior tempo de TV, o que obviamente lhe dá uma larga vantagem sobre todos os seus adversários.

Além disso, o partido terá um razoável volume de recursos financeiros partidários.

Não tanto como em eleições anteriores (em que era permitido doações empresariais), mas o suficiente para fazer uma campanha eficaz.

Por outro lado, o volume de tempo e recursos que o centrão, agora colado ao PSDB, reúne, é uma coisa impressionante.

Se considerarmos que a direita tem à sua disposição não apenas o horário eleitoral, mas toda a grade de programação das tvs abertas, notoriamente alinhadas à direita, e que tem apoio de todo o grande capital, por aí podemos ver os desafios que nos esperam.

A propósito, segue uma agenda provisória dos principais debates a serem realizados:

1º TURNO
9 de agosto – BAND
17 de agosto – REDETV!
18 de setembro – Poder 360 e Revista Piauí
26 de setembro – SBT (participação dos seis candidatos mais bem colocados na pesquisa Datafolha)
30 de setembro – RECORD TV
5 de outubro – GLOBO

2º TURNO
11 de outubro – BAND
15 de outubro – REDETV!
17 de outubro – SBT
21 de outubro – RECORD TV
26 de outubro – GLOBO

Ainda temos as convenções partidárias, debates, entrevistas.

Muitas águas ainda rolarão por baixo da ponte nas próximas semanas!

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