Aldir Blanc (a Lei) e o levante da Cultura contra o Messias que nega direitos

Em plena pandemia, ressurgiu a esperança em uma categoria de trabalhadores levada pelo presidente Jair Bolsonaro ao posto de inimiga do Brasil. O levante da cultura não tarda. Vamos engrossar esse batalhão.

(Foto: reprodução)
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“O Brazil tá matando o Brasil”, disse Aldir Blanc em Querelas do Brasil (Com Maurício Tapajós). Se o Brasil vivesse momentos de paz seria um escândalo que um presidente da República negasse ao povo o direito a ter direitos. Nestes tempos de morte, desemprego, desespero, é criminoso que Jair Messias Bolsonaro vire as costas para o povo mais uma vez. Aconteceu com a renda emergencial para informais, por exemplo, e acontece novamente com a verba prevista pela Lei Aldir Blanc, sancionada nesta segunda-feira (29) após 21 dias corridos depois de o Congresso Nacional enviar o PL 1075 ao Planalto. Bolsonaro tinha 15 dias úteis para sancionar e esperou até o último dia. Sobre o repasse aos Estados e Municípios, previsto pela Lei, nada.

“Tá lá um corpo estendido no chão”, disse Aldir em De frente pro crime (Com João Bosco). São tantos corpos estendidos no chão no nosso país, massacrados pela pandemia do coronavírus. Aldir também foi um deles. A Covid-19 vem matando homens e mulheres, especialmente o povo negro e periférico, em um número escandaloso de quase 60 mil mortos neste fim de junho. Vidas Negras, as vidas de todos e todas não importam para o Messias que nega direitos, atormenta o povo, atrasa uma canetada que pode atender 5 milhões de trabalhadores e trabalhadoras da cultura (estimados pelo IBGE em 2018). E se colocar os dependentes dessa renda o número vai para cerca de 20 milhões de pessoas.

“Avante, um por todos e todos por um!”, disse Aldir em Um por todos (com João Bosco). Com esse espírito de solidariedade aos trabalhadores e trabalhadoras brasileiros que atuam na cultura é que nasceu a Lei de Emergência Cultural, batizada de Lei Aldir Blanc. O Projeto de Lei 1075, da deputada Benedita da Silva (PT-RJ), deu nome ao documento elaborado pela deputada Jandira Feghali (PCdoB-SP), que “rodou” o Brasil através de webconferências ouvindo artistas, produtores, técnicos, gestores, lideranças culturais, comunitárias, mestres e mestras e dialogando com parlamentares de todos os partidos. Ao final, a Lei tornou-se um acontecimento, quase um consenso entre os partidos (com exceção do Partido Novo, que votou contra).

“A esperança equilibrista sabe que o show de todo artista tem que continuar”, disse Aldir em O Bêbado e a equilibrista (com João Bosco). Exigir que a verba de 3 bilhões de reais prevista pela Lei seja imediatamente repassada para Estados e municípios é fazer com que o Brasil olhe para os trabalhadores e trabalhadoras que estão na frente e atrás dos palcos. Na frente e atrás das câmeras. Nas festas de rua e na roda de samba. E que apartados do seu saber e da sua expressão, que são seu ofício, não podem obter seu sustento. Para Bolsonaro é desimportante, mas para o povo brasileiro é urgente tornar realidade a renda emergencial de 600 reais em três parcelas para pessoa física e o subsídio que vai de R$ 3 mil a 10 mil reais para espaços culturais.

“A minha sina é verde e amarela feito a bananeira”, disse Aldir em Nação (com João Bosco e Paulo Emílio). Acolher a Lei Aldir Blanc, participar de sua realização, torná-la parte das nossas ações e rodas de conversa é também nos tornar donos do nosso destino cidadão. Em plena pandemia, ressurgiu a esperança em uma categoria de trabalhadores levada pelo presidente Jair Bolsonaro ao posto de inimiga do Brasil. O levante da cultura não tarda. Vamos engrossar esse batalhão.

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