Alguém acredita que Temer será mesmo cassado?

O julgamento da ação tucana que pede a cassação da chapa Dilma-Temer promete arrastar-se até as próximas eleições, dando tempo para que ele aprove suas reformas destrutivas, com a cumplicidade do Congresso, do Judiciário e da mídia. Na melhor das hipóteses poderão separar a chapa e penalizar apenas Dilma, inocentando Temer

O julgamento da ação tucana que pede a cassação da chapa Dilma-Temer promete arrastar-se até as próximas eleições, dando tempo para que ele aprove suas reformas destrutivas, com a cumplicidade do Congresso, do Judiciário e da mídia. Na melhor das hipóteses poderão separar a chapa e penalizar apenas Dilma, inocentando Temer
O julgamento da ação tucana que pede a cassação da chapa Dilma-Temer promete arrastar-se até as próximas eleições, dando tempo para que ele aprove suas reformas destrutivas, com a cumplicidade do Congresso, do Judiciário e da mídia. Na melhor das hipóteses poderão separar a chapa e penalizar apenas Dilma, inocentando Temer (Foto: Ribamar Fonseca)

Será que alguém acredita que Temer terá o mandato cassado pelo TSE, num julgamento presidido pelo seu amigo de mais de 30 anos? Se fosse feita alguma pesquisa a respeito o que diria a maioria dos brasileiros? Na verdade, é voz corrente que todos os artifícios jurídicos serão empregados para empurrar de barriga a decisão e manter Temer no Palácio do Planalto pelo menos até 2018. E chega-se à conclusão de que Temer pode ser um péssimo Presidente, que em quase um ano de governo não tomou uma só medida em favor do país e do seu povo, mas certamente é um exímio articulador, que conseguiu, apesar da sua desastrosa gestão, o apoio do Congresso, do Judiciário, da mídia e do empresariado. As pesquisas já revelaram a sua desaprovação pelo povo, mas a Direita, representada entre outros pelo ex-presidente FHC e o senador Aécio Neves, defende a sua manutenção no poder sob a alegação de que sua cassação criaria uma situação de instabilidade no país. Eles, porém, não pensaram nisso quando derrubaram Dilma.

Em entrevista à Rádio CBN, o ex-presidente Fernando Henrique afirmou que uma eventual cassação de Temer e uma eleição indireta do novo Presidente pelo Congresso resultaria em mais "confusão" para o Brasil. "Já temos tantas dificuldades hoje – ele disse – e o Congresso ainda vai eleger uma pessoa pra ser presidente por um ano? É mais confusão", acrescentou. Ele disse ainda que a cassação traz riscos para o país, em especial para a economia. É muita cara-de-pau. Ele não se preocupou com isso quando participou da conspiração para destituir a presidenta Dilma Rousseff. A ministra Carmem Lucia, presidenta do STF, por sua vez, também parece acreditar na manutenção de Temer, pois concedeu liminar autorizando o governo federal a prosseguir veiculando a propaganda da reforma da Previdência, que havia sido suspensa pela juíza Marciane Bonzanini, de Porto Alegre. Para a juíza, a propaganda não tinha "caráter educativo, informativo ou de orientação social, como exige a Constituição". Já a ministra do STF entendeu que "a suspensão da campanha publicitária sobre a reforma da Previdência importa risco de grave lesão à ordem pública administrativa". Risco de lesão a que, mesmo??

O fato é que o julgamento da ação tucana que pede a cassação da chapa Dilma-Temer promete arrastar-se até as próximas eleições, dando tempo para que ele aprove suas reformas destrutivas, com a cumplicidade do Congresso, do Judiciário e da mídia. Na melhor das hipóteses poderão separar a chapa e penalizar apenas Dilma, inocentando Temer, apesar das acusações e provas apresentadas contra ele. E o julgamento deverá ser apenas uma encenação para inglês ver, porque o seu desfecho já estaria definido com a preservação do governante produzido pelo golpe. Uma decisão diferente disso seria fruto de algum acontecimento inesperado, não previsto no script. A melhor prova de que tudo terminará em pizza é a tranquilidade do próprio Temer e seus ministros que, mostrando-se indiferentes ao que acontece no TSE, continuam suas atividades normais, inclusive com planos para o futuro, certamente conscientes de que não serão incomodados. E depois, todos os atores dessa ópera se apresentarão ao público com a cara mais lavada do mundo, como se nada tivesse acontecido.

O adiamento do julgamento do TSE parece confirmar as suspeitas sobre as manobras para a sua procrastinação. Até a sua retomada, no princípio de maio, alguns dos principais interessados na preservação de Temer, como o ministro Gilmar Mendes, o ex-presidente FHC e o senador Aécio Neves, estarão participando de um evento em Portugal, despreocupados quanto ao futuro do país. Enquanto isso, o país vai sendo esquartejado por Temer, que pretende editar uma Medida Provisória para facilitar a venda de nossas terras para o capital estrangeiro, ao mesmo tempo em que o tucano Pedro Parente vai desmontando a Petrobrás, vendendo seus ativos, inclusive campos do pré-sal, para empresas estrangeiras. Se Temer, portanto, não for defenestrado do Palácio do Planalto o mais rápido possível, não deixará praticamente nada para o seu sucessor, que terá muita dificuldade para recuperar o Brasil que sobrar dessa carnificina.

Paralelamente vão se acumulando as denúncias contra Aécio e Serra, nas delações premiadas de ex-executivos da Odebrecht, fazendo crescer as expectativas quanto as ações da Justiça que, estranhamente, no caso dos tucanos não tem a mesma presteza revelada quando os acusados pertencem a outros partidos não alinhados a Temer. Ao mesmo tempo, o juiz Sergio Moro se esforça para segurar na boca a língua do ex-deputado Eduardo Cunha, que se mostra inquieto para dizer o que sabe dos seus comparsas na execução do golpe contra Dilma. Ele parece não estar mais aguentando assistir, através das grades da prisão, seus cúmplices de conspiração desfrutando da liberdade. E provavelmente já não consegue mais aceitar a condição de boi de piranha. Ele tem potencial para explodir tudo e pode fazê-lo se o magistrado de Curitiba deixa-lo falar. É só uma questão de tempo.

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