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Jânio de Freitas, em “A Folha no Erramos; editorial 'Jair Rousseff' trouxe de volta o tratamento de 'ditabranda'”, faz uma ginástica verbal exuberante para fugir do essencial. 

O editorial da Folha, “Jair Rousseff”, indiretamente, é 1 – um elogio à Dilma, que condena, e 2- uma ameaça a Bolsonaro por aproximar de Dilma. 

Bolsonaro está com uma agenda petista em cima da mesa que o mercado financeiro repudia, que é a retomada do desenvolvimento com expansão de gastos públicos. 

Ora, o golpe de 2016 ocorreu, justamente, para impedir expansão dos gastos sociais, que, na verdade, são investimentos. 

Se Bolsonaro e os militares retomam aquilo que foi, pelo mercado financeiro, golpeado, haveria possibilidade de outro golpe para as coisas voltarem ao seu lugar?

Na acepção das palavras, gasto, mesmo, é pagar juros e amortizações da dívida, que vai para o ralo, porque financiar obras públicas é investimento, multiplicação de renda nas cadeias produtivas.

Keynes, o mago da multiplicação, destacou que a única variável econômica verdadeiramente independente no capitalismo é a quantidade da oferta de moeda jogada na circulação capitalista pelo Estado.

Ao fazer isso, 1 – eleva os preços; 2 – diminui salários; 3 – reduz juros e 4 – perdoa dívida acumulada a prazo.

Quando isso acontece, diz o autor de “Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda”, aumenta a eficiência marginal do capital(lucro) e desperta-se o espírito animal investidor.

Ou seja, o “gasto” com obras públicas é multiplicação dos investimentos nas cadeias produtivas – renda, consumo, produção, arrecadação e novas inversões etc, o mundo capitalista da produção de bens e serviços.

PAC KEYNESIANO

O cumprimento do PAC dilmista, que os militares querem ressuscitar com o nome de Programa Pró Brasil, é murro na cara dos golpistas de 2016, é reconhecimento de que ele é necessário para o presidente capitão ganhar eleição.

Desse modo, conter, por 20 anos, com o teto neoliberal, os gastos sociais, para priorizar o pagamento de serviços da dívida, em nome de austericídio fiscal, é optar pela derrota eleitoral.

O editorial “Jair Rousseff” apregoa repressão ao impulso desenvolvimentista que levou o PT a ganhar por 4 mandatos consecutivos o poder nacional, inviabilizando a direita, que partiu para o golpe, desinteressada de insistir na democracia, depois da derrota de 2014.

Valorização dos salários, do mercado interno, da distribuição de renda por meio de programas como o Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, Cisternas Populares, Farmácia para Todos etc, etc, consolidou base política petista eleitoral, principalmente, no Nordeste. 

MEDO DO EMPODERAMENTO POPULAR 

Nos próximos mandatos do PT, que se seguiriam pós 2018, mantida proposta desenvolvimentista, cresceria, evidentemente, o que o mercado financeiro especulativo, amplamente, apoiado pela mídia, como a Folha de São Paulo, condena: empoderamento político popular. 

Viria, na sequência, reforma política, para ampliar democratização do poder, paridade na representação entre homens e mulheres, ampliação da presença dos negros, predomínio da classe popular, nas universidades, com alargamento das oportunidades de acesso, proporcionadas pelo ProUni, Fundeb etc e tal. 

É disso que teme a burguesia financeira e a classe média conservadoras golpistas, dominadas pela ideologia utilitarista fundamentalista que entrou em colapso com o tripé neoliberal do Consenso de Washington.

O PT conseguiu, parcialmente, fugir disso, levando estocadas de todos os lados, para garantir, depois do crash de 2008, que os socialmente excluídos colocassem pé no orçamento da União.

COVID-19 MUDOU TUDO

O teto neoliberal de gastos, por 20 anos, mediante golpe de 2016, acabou com essa possibilidade.

Ora, se o teto de gastos continua por duas décadas, como defende a Folha de São Paulo, eliminam-se as oportunidades democráticas para ampla maioria social politicamente empoderada, a caminho histórico da conscientização política.

Bolsonaro sentiu que com sua política racista, discriminatória, não chegaria tão longe, quanto mais as pressões pela supressão do garrote fiscal se ampliassem, como vinha acontecendo, desde antes da chegada da Covid-19. 

Com ela em cena, tudo se acelerou. 

O Congresso entrou em campo para aprovar o Auxílio Emergencial de R$ 600 e o Presidente Capitão embarcou nele, para experimentar o que agora o deslumbra: popularidade crescente e possibilidades mais amplas de alcançar segundo mandato. 

FUGA PRA FRENTE 

O modelo neoliberal de Chicago, comandado por Guedes se revelou insuficiente para sustentar os sonhos de grandeza bonapartista bolsonarista, salvo se for embalado por crescimento econômico. 

Como ele bem disse em Minas Gerais, criação de empregos é o verdadeiro programa social. 

Mas, como alcançar essa façanha com o garrote fiscal imposto pela PEC-95? 

Só adotando o programa petista desenvolvimentista que levou a Folha a vocalizar a preocupação com disposição bolsonarista de copiar o PAC dilmista. 

O editorial “Jair Rousseff” é reconhecimento não declarado da Folha do sucesso político do PT e alerta a Bolsonaro para que não siga esse caminho, se não quiser, também, ser inpichado, como foi Dilma.

Aliás, Bolsonaro ousa mais a conceder programa 3 vezes mais potente que o Bolsa Família.

Esse é o fulcro do problema do qual Jânio de Freitas fugiu para frente.

Preferiu escorar-se numa argumentação lateral, acessória, hipotética de que teria sido alguém, não autorizado pela direção da Folha, a escrever editorial condenando Bolsonaro a uma recaída desenvolvimentista.

SEGREDINHO DE POLICHINELO

Os banqueiros, aos quais a linha editorial da Folha se rende, não querem saber disso, querem, isso sim, preservação dos lucros especulativos no ambiente da financeirização do capital fictício, já que se tornou impossível de serem obtidos na economia real, submetida ao teto de gastos. 

Só que tem um problema: na financeirização desbragada, o governo não ganha votos.

Precisa do excomungado capitalismo produtivo que demanda política contrária à preservação do sufoco ultraneoliberal. 

Por essas e outras, é ingenuidade ou esperteza de Jânio de Freitas especular que o “Jair Rousseff” foi escrito sem conhecimento dos mandamentos éticos e morais do jornal dos Frias? 

Trata-se de mistério saber quem escreveu?

Que me desculpe o competente Jânio, mas quem escreveu o editorial foi Paulo Guedes ou alguém sintonizado com ele. 

E a direção da Folha não está dessintonizada da linha pauloguedeseana chicaguense.

Temos diante de nós segredinho de Polichinelo.

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/janiodefreitas/2020/08/a-folha-no-erramos-editorial-jair-rousseff-trouxe-de-volta-o-tratamento-de-ditabranda.shtml

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