Amazônia, terra para ser preservada

Amazônia é terra para ser preservada sim, mas também explorada de forma sustentável, seguindo os princípios da economia verde, com a ajuda dos PhDs da floresta

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Junho foi o quarto mês seguido de recordes de desmatamento na Amazônia, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Boiadas, máquinas e correntões seguem avançando sobre nossa floresta, sobre o maior bioma do mundo. Até quando? O que falta para frearmos isso? Falta um governo que entenda a importância da floresta em pé para humanidade, que acredite na ciência, na biodiversidade e no desenvolvimento sustentável. Esses são compromissos inevitáveis com as gerações futuras.

Há anos o Brasil vira as costas para a Amazônia, para o valor das árvores em pé, para a vida do planeta, para as mudanças climáticas e para a economia. Essa é a região mais estratégica do país, de interesse mundial, com possibilidades várias de produtos com selo verde, capazes de criar uma nova e forte matriz econômica a partir da exploração sustentável dos nossos recursos naturais. A água doce será, até o final deste século, a principal commodity, muito mais que o petróleo.

Já não podemos aceitar discursos vazios, promessas feitas na Cúpula de Líderes sobre o Clima que não passaram de mentiras. O que vimos foi um nocivo ex-ministro do Meio Ambiente ser o principal inimigo da floresta, dos povos tradicionais, inimigo da vida. Pregava o agronegócio na Amazônia, não que eu tenha algo contra o agronegócio. De modo algum! Ele é um grande sustentáculo da nossa economia, mas não na Amazônia! Não em terras indígenas! Do mesmo modo que não se tem mais cabimento o garimpo em detrimento da fauna e da flora, o garimpo em detrimento da cultura milenar dos povos indígenas.

Não será a primeira vez que faço o alerta de que se não cessar a má gestão sobre a Amazônia corremos risco de uma intervenção internacional, porque as grandes potências mundiais não permitirão a extinção de um bioma tão importante e ainda pouco conhecido do ponto de vista da biotecnologia. Recentemente, o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, que preside o contraditório Conselho Nacional da Amazônia Legal [que não possui nenhum representante da Amazônia], anunciou o reforço militar na região para reduzir o desmatamento. Até acho louvável, e isso deveria ser constante, mas devo alertar que não chegará perto do suficiente.

Cabe, agora, ao ministro substituto do Meio Ambiente, Joaquim Álvaro Pereira Leite – de quem não falarei mal até que tome as primeiras atitudes – esquecer que é ruralista e acabar com as invasões de terras Yanomami por garimpeiros. Fingir que não vê, não vale. Ele deve fortalecer o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade ICMBio), fazer a Fundação Nacional do Índio (Funai) parar de proteger garimpeiros e voltar a atuar com força à causa indígena. Espero, de coração, não ter que assistir ao filme: “Ricardo Salles, o retorno”.

Mais que preservar a Amazônia, eu convido os economistas tecnocratas a deixarem a cafonice de lado e olhar a Zona Franca de Manaus (ZFM) e o Amazonas com a importância ambiental e econômica que merecem. Não quero ser provinciano ao falar do Amazonas, mas nosso modelo econômico é responsável por manter mais de 95% da floresta amazônica brasileira em pé, isso ninguém pode negar. Veja o nosso vizinho Pará. Devastação total. Não podemos cometer os mesmos erros e ter a visão cafona de que a preservação atrasa o desenvolvimento, ao contrário, não haverá desenvolvimento sem preservação. Esse não é mais o futuro, é o agora, é medida urgente!

Amazônia é terra para ser preservada sim, mas também explorada de forma sustentável, seguindo os princípios da economia verde, com a ajuda dos PhDs da floresta, que podem compartilhar muito conhecimento prático com nossos PhDs da ciência. É hora de dar basta aos desmatamentos e crimes contra a Amazônia. Serão anos de consequências desastrosas, mas nossa luta não cessará. Chega de sangue verde derramado!

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

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