Amazônida fake: senador não quer CPI sobre desmatamentos e queimadas

Foi com base nos dados do Inpe que o Greenpeace traçou mapa mostrando que em cada 10 focos de queimadas, nove ocorreram em áreas destinadas ao agronegócio em pastagens para criação de gado.

O instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – Inpe, diz que este ano tivemos o agosto com mais queimadas desde 2010, quase o triplo na comparação do mês em 2018.

A média é a maior dos últimos 20 anos, segundo o Instituto.

E foi com base nos dados do Inpe que o Greenpeace traçou mapa mostrando que em cada 10 focos de queimadas, nove ocorreram em áreas destinadas ao agronegócio em pastagens para criação de gado.

Até o dia 20 de agosto, dos 6.047 focos de incêndio, 5445 ocorrerão em pastagens.

Os bancos de dados do Deter, do MapBiomas e do Observatório do Clima não deixam dúvida sobre as áreas mais destruídas pelos desmatamentos e queimadas.

Não tem lógica minimizar o estrago e relativizar a culpa dos responsáveis por puro achismo, para agradar eleitorado ou governo.

É o que parece fazer o senador Marcos Rogério (DEM-RO) ao se opor à instalação da CPI da Amazônia que visa apurar responsáveis pelo aumento desses índices.

O objetivo da CPI é também identificar onde o estado erra na prevenção, controle e fiscalização.

Um senador ‘amazônida’ não deveria recusar um debate que vai servir para aprimorar os instrumentos de proteção do maior bioma do país, cobiçado pelas potências econômicas do mundo.

Por isso, digo que ele não quer melhorar a defesa da Amazônia com um debate amplo e que comprometa o governo às ações de proteção.

A sociedade brasileira quer saber o que o governo vai fazer para evitar danos irreparáveis à Amazônia por ações criminosas.

No vídeo divulgado no canal da TV Senado no Youtube, o senador relativiza quando atribui queimadas à ação de ‘alguns criminosos’, desfoca o debate para confundir ao falar da importância de quem produz na legalidade.

O objetivo da CPI é expor os criminosos, não o contrário.

As queimas autorizadas ou não, são por maioria irregulares e isso está em todos os estudos até este governo dificultar o acesso às informações.

O Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia – Ipam, divulgou mapeamento que comprova a maior parte dos incêndios florestais (33% dos focos) em propriedades privadas.

Há mais floresta em pé em territórios indígenas e áreas de proteção ou conservação ambiental.

“A metade menos protegida do bioma registrou 81% dos focos de fogo identificados por satélites. Dessa metade fazem parte as terras privadas, griladas ou ocupadas por assentamentos. Já a metade preservada em territórios indígenas, áreas de proteção ambiental ou de conservação registrou 19% dos incêndios, atuando como um escudo contra a devastação da floresta”, conforme mostrou reportagem da Revista Piauí no início desta semana. Leia aqui.

O senador que se lança ao protagonismo no caos deveria informar com responsabilidade e apoiar iniciativas para conter a destruição da floresta.

Do contrário, é um amazônida fake.

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