Ameaça golpista de Carlos Bolsonaro é para ser levada a sério

Quando o vereador Carlos Bolsonaro, tido e havido como o responsável pela comunicação digital de seu pai, escreve no twitter que “por vias democráticas não haverá as mudanças rápidas desejadas no país”, ele está repetindo, na realidade, o que o presidente faz praticamente todos os dias: testando os limites das instituições e plantando as sementes do totalitarismo para ver se colhe lá na frente

(Brasília - DF, 07/09/2019) Desfile Cívico por ocasião do Dia da Pátria.
(Brasília - DF, 07/09/2019) Desfile Cívico por ocasião do Dia da Pátria. (Foto: Marcos Corrêa/PR)

Quando o vereador Carlos Bolsonaro, tido e havido como o responsável pela comunicação digital de seu pai, escreve no twitter que “por vias democráticas não haverá as mudanças rápidas desejadas no país”, ele está repetindo, na realidade, o que o presidente faz praticamente todos os dias: testando os limites das instituições e plantando as sementes do totalitarismo para ver se colhe lá na frente.

Seria, portanto, um equívoco tratar a declaração do 03 como mera bravata de um fascista idiota e deslumbrado com o poder do papai, a exemplo de seus irmãos. Hoje li um alerta do filósofo Paulo Arantes que merece atenção. Lembrando que na eleição de 2018 Bolsonaro disse que só aceitava como resultado sua vitória, Arantes afirma que não se pode descartar a possibilidade dele um dia, possivelmente em 2022, se negar a deixar o governo, caso perca a eleição.

E motivos para este tipo de preocupação existem de sobra. Seja nos seus inúteis 28 anos como deputado federal, ou nos oito meses como presidente que afronta as conquistas civilizatórias diariamente, Bolsonaro deu sobejas demonstrações de sua total falta de apreço pelo regime democrático.

Inimigo do conhecimento, da inteligência, da ciência, das artes, da cultura, da educação e do meio ambiente, Bolsonaro é adepto da tortura, da violência policial contra pobres e negros e da eliminação de adversários políticos. Defende ainda políticas discriminatórias contra indígenas, quilombolas, mulheres e homossexuais.

Pelo conjunto da obra, Bolsonaro talvez seja o ser humano mais desprovido de virtudes entre os 7 bilhões e duzentos milhões de habitantes do Planeta Terra.

Mas é esse sujeito que preside o Brasil, embora tenha chegado lá da forma mais suja possível, através de uma indústria de calúnias, injúrias e difamações financiada ilegalmente, de uma facada a cada dia mais suspeita e da negativa de comparecer a debates.

Ou seja, alguém com as convicções antidemocráticas de Bolsonaro, e que é capaz de toda sorte de golpes abaixo da linha da cintura e de táticas desleais durante uma campanha eleitoral, deve sonhar em liderar a instalação de uma ditadura escrachada no Brasil.

Mas se a sanha totalitária do clã Bolsonaro não deve ser subestimada, também é importante assinalar que, não obstante o apoio a intervenções militares ter crescido na esteira da onda obscurantista que infelicita o país, a grande maioria do povo brasileiro rejeita ditaduras.

E Bolsonaro sabe que contaria com forte resistência da sociedade, de partidos (de esquerda, centro e até da direita republicana), sindicatos, movimentos sociais, igreja progressista, estudantes, além da mídia e das instituições formais do regime democrático, que, embora corrompidas, teriam muito a perder diante com uma ditadura bolsonarista.

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