América Latina com olhos no Equador

"Se Arauz tiver sucesso, o segundo ciclo de governos progressistas e antineoberais se consolida, acrescentando o Equador aos atuais governos da Argentina, México e Bolívia", escreve o sociólogo Emir Sader. "Se Lasso triunfar, o Equador ficará isolado, dando continuidade ao desastroso governo de Lenin Moreno"

Andrés Arauz
Andrés Arauz (Foto: Divulgação)
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A primeira década do século 21 foi marcada por governos antineoliberais na Venezuela, Brasil, Argentina, Uruguai, Bolívia, Equador. Os únicos governos do mundo que implementaram programas antineoliberais, reduzindo as desigualdades no continente mais desigual no mundo.

Ao longo da segunda década, a direita conseguiu recuperar forças, assumindo governos na Argentina e no Uruguai - por meio de eleições -, no Brasil e na Bolívia - por meio de golpes de Estado - e no Equador, por meio da ascensão do presidente eleito, Lenin Moreno, com um programa neoliberal, depois de ter sido eleito com um programa radicalmente oposto. Moreno falhou, como todos os governos latino-americanos que tentaram implementar esse modelo.

O neoliberalismo revelou que está esgotado, porque atende somente aos interesses do capital financeiro, não tem políticas sociais e assim não consegue conquistar bases de sustentação social que lhe permitam estabilizar seu governo. O caso da Argentina foi exemplar, com uma vitória eufórica de Mauricio Macri, em 2015, que rapidamente desabou, devido à sua retomada do mesmo modelo neoliberal que já havia fracasso não só na Argentina, mas também no Brasil, no Uruguai, na Bolívia e no Equador. Macri foi derrotado rotundamente 4 anos depois, com a eleição de Alberto Fernandez, que retomou o projeto histórico antineoliberal. A recente vitória da direita no Uruguai promete ter destino semelhante.

A terceira década é marcada por um segundo ciclo de governos antineoliberais na região, com vitórias de Alberto Fernandez na Argentina, López Obrador no México e Luis Arce na Bolívia. Vitórias com grande apoio eleitoral, porque estão baseadas em políticas sociais, em políticas econômicas não liberais, na retomada dos processos de integração latino-americana.

O olhar do continente se voltou então para o Equador, onde um presidente eleito para dar continuidade do governo liberal de Rafael Correa - o governo mais importante da história do Equador - traiu e fez exatamente o que propôs a direita, passando a governar com o modelo neoliberal. Fracassou, como teria fracassado Guillermo Lasso, candidato direto da direita, se ele tivesse vencido.

O primeiro turno das eleições presidenciais confirmou o favoritismo de Andrés Arauz, candidato apoiado por Rafael Correa, com Guillermo Lasso, o maior banqueiro do país, derrotado nas eleições anteriores, em segundo lugar. Yaku Perez, da Pachakutik, ficou em terceiro.

A disputa está apertada entre os dois primeiros, em empate técnico, segundo as pesquisas. Pachakutik assumiu a esdruxula e suicida posição de “voto nulo ideológico”. Lasso defende, como sempre, uma versão ortodoxa do modelo neoliberal. Tirar tudo o que foi conquistado pelo governo Rafael Correa, propor privatizações, um Estado mínimo, a centralidade do mercado. Pretendo voltar aos governos anteriores ao de Correa, que apenas reproduzia a crise permanente no Equador.

Andrés Arauz reconhece as experiências positivas do governo Rafael Correa e se apresenta como a expressão equatoriana de outros governos antiliberais, como os de Lula, Nestor e Cristina Kirchner, Pepe Mujica, Evo Morales, Lopes Obrador e o próprio Rafael Correa. Se Arauz tiver sucesso, o segundo ciclo de governos progressistas e antineoberais se consolida, acrescentando o Equador aos atuais governos da Argentina, México e Bolívia. Se Lasso triunfar, o Equador ficará isolado, dando continuidade ao desastroso governo de Lenin Moreno.

Porque os olhos e o coração da América Latina estão no Equador.

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