Ao “mito” falta preparo para governar e educação doméstica para viver

"As palavras e os atos expelidos nos últimos dias pelo presidente Jair Messias são indicadores que transparecem o seu ululante despreparo para governar nem tanto um país como o Brasil, mas qualquer condomínio de conjunto habitacional popular", constata Gilvrandro Filho

(Foto: ADRIANO MACHADO - REUTERS)

Gilvandro Filho, para o Jornalistas pela Democracia -As palavras e os atos expelidos nos últimos dias pelo presidente Jair Messias são indicadores que transparecem o seu ululante despreparo para governar nem tanto um país como o Brasil, mas qualquer condomínio de conjunto habitacional popular. A inadequação dele é para com a vida civilizada. 

E a sua ignorância lapidar aliada à sua monstruosa falta de educação doméstica transformam a pergunta que, lá fora, todos se fazem na imensa perplexidade que a qualquer terráqueo de bom senso assola: como mais da metade dos brasileiros tiveram a coragem de eleger um presidente da República desse nível?

Pois tiveram, respondemos nós, os desolados derrotados de uma campanha eleitoral suja, corrupta, mentirosa e absolutamente irresponsável. Uma campanha onde se xingou e se ameaçou de morte os adversários, onde se forjou atentado e onde o candidato se negou a sequer participar de debates para expor suas ideias, ser questionado, retrucar, convencer ou não, vencer ou perder. Elementos comuns ao jogo democrático, essa coisa abominada pelo candidato que preferia, como prefere, o discurso violento, misógino, preconceituoso, raivoso e beligerante.

As últimas do Messias metem medo, sobretudo porque não há no horizonte nenhum sinal de resistência consistente. O Judiciário, que seria a instância natural para desaguar as queixas do povo e se clamar por correção de injustiças, está, em grande parte dominado. Até porque o governo atual é fruto podre de um golpe aplicado com a participação decisiva de boa parte desse Poder. De procurador especialista em powerpoint a juiz de primeira instância que ganha cargo de ministro da Justiça pelos bons serviços prestados. Tudo junto e misturado. Com Supremo e tudo.

Se queixar à imprensa? Só se for a mídia alternativa, a de fora do mainstream. Esses veículos, como o Brasil 247, o Diario do Centro do Mundo ou o recifense Marco Zero Conteúdo, eles brigam como podem, e brigam muito. The Intercept Brasil, hoje um grande disseminador de informação fora do eixo oficial do país, tem tentado puxar veículos tradicionais para o campo da denúncia contra os crimes do mau Judiciário. Mas ainda é preciso pagar para ver onde vai dar tudo isso. Afinal, são veículos que, em grande medida, contribuíram com o golpe de 2016, que foi tão jurídico quanto midiático.

O que dizer, por exemplo, de uma entrevista, num café-da-manhã em Palácio, onde o presidente bate na mesa e, entre um gole de suco e um naco de brioche, vocifera que ninguém passa fome no Brasil, diz isto é mentira da oposição e insinua que se trata de propaganda comunista? E onde ninguém, nenhum repórter presente no circo questiona, contesta ou - gesto máximo também em dignidade - simplesmente se retira em protesto? Como? Isto não é papel da imprensa? É sim, camaradas! Ou estão ali para balançar a cabeça bovinamente e sair na foto escrevendo o absurdo que ouvem com ares de compenetrados?

Para o presidente, respeito é cabelo em ovo de galinha. Aos jornalistas ou aos governadores, o achincalhe vai na mesma proporção. E se forem do Nordestes, aí é que o caldo azedo entorna. A região não foi na conversa mole e mentira do “mito” e, para uma mentalidade rasteira e com quilômetros de atraso como a de que está ocupando, no momento, o Palácio da Alvorada, isto é um pecado mortal.

O Messias fechou a semana vazando - sem querer ou de caso pensado - uma conversa com um dos seus ministros “inacreditáveis”, o da Casa Civil - uma ameaça de retaliação aos governadores nordestinos. Governadores “de Paraíba”, como chamou. E sobrou para Flávio Dino (PCdoB), do Maranhão, as patadas mais escancarada. “Para este não deve ter nada”, soltou quem, teoricamente, deve ter a equanimidade como premissa no tratamento para com os executivos estaduais. Todo eleitos pelo povo quanto ele. Embora nenhum registre, na vitória eleitoral, expedientes desairosos como ele, em termos de fakenews e fatos forjados.

Até onde irá essa criatura?

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