Ao tirar Moro, Bolsonaro se torna dono da PF e agora a usa como polícia política

"Bolsonaro está operando e ganhando terreno pra botes que vão mirar políticos adversários ainda antes das eleições municipais. É hora de reagir com vigor com base neste caso de Wellington Dias", escreve o jornalista Renato Rovai

(Foto: ABr)
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O governador do Piaui, Wellington Dias, foi vítima de uma ação policial espetacular na manhã de hoje. Teve sua casa invadida por policiais por conta de um processo de investigação que se iniciou quando ele sequer era governador, em 2013.

Sua esposa, que hoje é deputada, também foi vítima da operação, sendo que não é mais secretária de Educação. É deputada.

Na reunião ministerial vazada, Bolsonaro deixou claro a Moro e a todos os ministros que queria ter poder na Polícia Federal.

Aos poucos vai ficando claro os motivos pelos quais quer o poder na PF.

Para poder, entre outras coisas, usá-lo para proteger a si e a sua família, por um lado, e para atacar seus adversários políticos, por outro.

Vai usá-la seletivamente. E aos poucos.

Ao mesmo tempo que recua das estripulias palacianas e diminui os desafios aos Supremo e ao Congresso, nos bastidores do poder vai ampliando o seu controle dos aparatos do Estado. A PF, certamente, é um deles.

A oposição que se prepare. Bolsonaro não está quieto à toa. Não está morto.

Ele está operando e ganhando terreno pra botes que vão mirar políticos adversários ainda antes das eleições municipais. É hora de reagir com vigor com base neste caso de Wellington Dias. Que é só um sinal.

A seguir veja a nota do governador Wellington Dias:

“Mais um espetáculo em nome de investigação. Desta operação já é o terceiro espetáculo, um processo que vem de 2013, quando eu nem era governo, em contratos que seguia um padrão nacional, pagamento por quilômetro rodado. Quando a Secretária Rejane assumiu a Secretaria da Educação em 2015, tinha que começar as aulas em fevereiro, os contratos estavam vencendo e, com base em parecer técnico e na lei, considerando a necessidade de não prejudicar aos alunos que precisavam de transporte escolar, foi renovado o contrato, dando tempo para nova licitação e novos contratos. Fizemos uma mudança que hoje é modelo para outros Estados e municípios, em que passamos a pagar por aluno transportado, como se paga uma passagem de ônibus.

Neste caso, como diz o processo, o Estado seria vítima, alegação é que algum contratado pudesse cobrar uma quantidade de km rodado maior que o tamanho das rotas.

Fica mais ridícula e desnecessária por que estamos falando de um fato de 2013, com operação em 2020, quando a ex Secretaria da Educação, hoje deputada federal, se prontificou a colaborar, por duas vezes nos últimos meses se colocou a disposição para prestar depoimento, para repassar todo e qualquer documento ou equipamento que precisar, fez questão de registrar assim, e foi dito que não era possível ela depor agora por que tinha a pandemia e estavam suspensos os depoimentos.

A operação na Câmara, na casa onde hoje quem mora é nosso filho e família, que nunca trabalharam para o estado. Ele é médico e salvando vidas pegou coronavirus… o espetáculo está feito. Ela afirma que a vida inteira agiu na forma da lei, está com a consciência tranquila, pronta para colaborar, e espera agora o direito de ser ouvida.

Acho eu que, infelizmente, muitos espetáculos ainda virão. Ainda bem que temos a lei de abuso de autoridade e estamos tratando com advogados sobre isto”

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