Aos professores: resistência e luta!

Um governo que tenta calar os professores, seja através do incentivo e apoio a projetos como aquele do “escola sem partido”, seja do corte de verbas para a educação ou, até mesmo, como recentemente se tornou público, seja buscando acabar com o ganho real dos professores, alterando a fórmula do reajuste do piso salarial do magistério

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No dia do professor, 15 de outubro de 2020, não faltaram palmas e palavras bonitas. Certamente que as belas palavras e os parabéns dão ânimo e sentido à profissão. Porém, não são suficientes para reverter algumas questões problemáticas que são históricas e atingem há tempos o magistério, seja na educação básica ou no ensino superior, e muito menos para enfrentar o momento atual de um governo que ataca sistematicamente os professores e o espaço escolar.

Primeiramente, um equívoco histórico enorme diz respeito à ideia de que o professor desenvolve as suas atividades com base no amor, como se não precisasse de um salário digno para exercer essa profissão que é extremamente complexa. Se assim fosse, poderíamos estender isto, por exemplo, aos médicos que “por amor” devem salvar vidas; aos advogados que “por amor” necessitam agir para defender os cidadãos brasileiros das injustiças que ocorrem diariamente nas relações sociais como um todo; e aos juízes que “por amor” precisam julgar rapidamente tais injustiças, corrigindo-as e assegurando a aplicação correta das normas sociais. Poderíamos multiplicar os exemplos, mais estes bastam para explicitarmos uma coisa: que assim como os médicos, os advogados e os juízes, os professores são profissionais e assim devem ser tratados.

Os médicos possuem as suas equipes (anestesista, enfermeiro, técnico de enfermagem, etc.) e executam, quando necessário, as atividades em conjunto. Os juízes também têm as suas equipes, que os auxiliam no desenrolar de suas atividades profissionais diárias. E o professor? Sozinho, tem que se desdobrar para dar a assistência necessária ao aluno e à sua família, contando apenas com a equipe pedagógica que, não raro, é o pedagogo e demais professores. Sem falar nos outros afazeres diários da profissão. Os professores também carecem de equipes, com psicólogos, assistentes sociais, etc. 

Os juízes, a título de ilustração, recebem remunerações, não raras vezes e por diversos subterfúgios, acima do teto constitucional. Os professores, em especial da educação básica, lutam em diversos estados brasileiros para que o piso salarial seja aplicado, para que assim possam, minimamente, assegurar uma dinâmica de formação continuada, participando de cursos de formação e comprando os materiais necessários para que possam se manter atualizados (o que é difícil com o piso atual). 

Não bastasse às questões acima, que são históricas – assim como o são o desejo de um espaço de trabalho confortável e seguro, com uma sala de aula com recursos pedagógicos e uma quantidade de aluno equilibrada (e não sem recursos e superlotadas) –, atualmente os professores têm que enfrentar um governo que os ataca de forma sistemática, chamando-os de “doutrinadores”, “esquerdistas” e demais absurdos apenas porque incentivam um olhar crítico-analítico para a realidade e uma ação transformadora que possa mudá-la. Um governo que tenta calar os professores, seja através do incentivo e apoio a projetos como aquele do “escola sem partido”, seja do corte de verbas para a educação ou, até mesmo, como recentemente se tornou público, seja buscando acabar com o ganho real dos professores, alterando a fórmula do reajuste do piso salarial do magistério.

Por tudo isso, neste mês de outubro, o dia do professor deve ser encarado como o ponto de largada, como o dia em que os professores devem construir e assumir sistematicamente uma ação coordenada de resistência e luta. Resistência contra os ataques do atual governo, e luta por reconhecimento e melhores condições de trabalho, salário e vida.

Os professores são peças fundamentais para qualquer nação que queira ser grande e soberana. 

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