Apenas uma Contribuição

Nossa grande tarefa é fazer oposição ao governo Temer, é defender Lula e o PT e, ainda, preparar a campanha de 2018. Daqui pra frente precisamos agir como a grande força política de esquerda que agora está na oposição

Nossa grande tarefa é fazer oposição ao
governo Temer, é defender Lula e o PT e,
ainda, preparar a campanha de 2018.
Daqui pra frente precisamos agir como
a grande força política de esquerda que
agora está na oposição.

Não se faz oposição a um governo
golpista de direita com cacoetes de situação
e com o sentimento da má consciência.
A chance de fortalecimento do nosso
projeto político começa com a constatação
que fomos derrotados por um golpe –
vítimas de uma violência reacionária,
antidemocrática e ditatorial, pois chegou e
exerce o poder sem respeitar a constituição.
Nosso projeto democrático e popular
mostrou ser de grande apelo e aceitação
junto aos trabalhadores e ao povo pobre
quando fomos oposição e também quando
governamos o Brasil.

Soubemos ser oposição aos liberais
tucanos e realizamos um grande governo
que mudou o país nos últimos 12 anos.
As forças neoliberais nacionais e
internacionais entenderam que não nos
derrotariam na urnas. Por isso o golpe.
Se você, companheiro, quer fazer agora
uma pausa para refletir sobre nossos erros
fique a vontade. Se quiser ainda manifestar
a nação brasileira um pedido de desculpas
que o faça por conta própria, pois o PT vai
corrigir seu rumo na prática como fez ao
proibir contribuições financeiras de pessoas
jurídicas antes de qualquer decisão judicial,
pois reconheceu na prática que o problema
residia na forma de financiamento eleitoral
e partidário. Auto-crítica se faz na prática.
Refletir sobre nossas ações é obrigação para
corrigir nossos rumos, nunca para nos
tornarmos palatáveis aos nossos inimigos
de classe.

A história recente do Brasil foi marcada
por uma grande disputa entre dois projetos:
o neoliberal versus o democrático e
popular. Dar continuidade a esta disputa
deve ser o nosso norte estratégico.
Nos próximos dois anos, o nosso centro
tático deve ser a radicalização da nossa
construção oposicionista. A defesa da
democracia, dos direitos dos trabalhadores
e a garantia dos interesses nacionais devem
balizar a formação de uma nova frente para
retornar ao processo de mudanças iniciadas
no Governo Lula.

Faremos oposição para voltar ao
governo em 2018. A definição tática há de
ser materializada na disputa constante nas
ruas e nas instituições.

Nós petistas precisamos recuperar de
imediato as deliberações do congresso e a
resolução do Rio de Janeiro do diretório
nacional. Não estamos partindo do nada.

O PT não deixou de produzir durante a
maior crise política que o Brasil viveu
depois da ditadura. E este acúmulo deve ser
a base do nosso programa de oposição que
se tornará em um fortalecido programa
democrático e popular com horizonte mais
nitidamente socialista.

Temos um grande acúmulo e um grande
legado a defender.

O V congresso de 2015 aconteceu logo
após a grande vitória da reeleição de Dilma,
que iniciava seu segundo mandato
adotando medidas que contrariavam seu
programa eleitoral, desagradava o seu
partido e afastava nossa base social.
Com a participação de 800 delegadas e
delegados, eleitos na base, aprovaram a
Carta de Salvador que confirmou a
confiança no Governo e apresentou uma
análise das dificuldades impostas pela
conjuntura e ainda elencou propostas para
superá-las. A Carta de Salvador defendeu
que deveríamos avançar para reformas
estruturais de base para superar a crise.
Hoje, inexplicavelmente, ignoramos o
grande esforço do V congresso. Se o PT
descartar sua própria história terá mais
dificuldades para avançar.

Em fevereiro de 2016 o PT apresentou
ao Governo Dilma um "Programa Nacional
de Emergência". O golpe já estava em
andamento avançado, o Partido não
concordava com as decisões do governo e
não podia radicalizar nas críticas e
tampouco romper politicamente para
acelerar a "Extrema Unção". Por isso,
"oferecemos" ao governo algumas medidas
na busca de contribuir para uma política
avançada de enfrentamento dos graves e
urgentes problemas.

Agora, após seis meses do golpe
confirmado, estas propostas devem se
transformar em bandeiras de oposição.
Começamos com a luta democrática
contra o golpe e a negação da legitimidade
do governo Temer. Em seguida contra a PEC
241 e já engatamos com a luta contra a
reforma da previdência.

Se a Frente Brasil Popular tem
experimentado um crescimento
significativo na coordenação dos
movimentos pela defesa dos direitos
sociais, o PT deve estar presente para se
colocar como referência partidária para
esses movimentos que pretendemos
historicamente representar.

Se o movimento sindical e a CUT estão
se mobilizando na perspectiva de
realização de uma grande greve geral, o PT
não pode vacilar no apoio político para
canalizar esta energia em ações
institucionais e impor derrotas a esse
governo golpista.

Se a esquerda brasileira, com seus
variados matizes, a cada dia se convence
mais da necessidade da construção de uma
frente mais ampla para combater a direita e
construir um projeto de unidade para o
próximo período, o PT precisa se
apresentar disposto a realizar este sonho
tão importante para os trabalhadores do
Brasil e da América Latina.

Tudo indica que "Poliana" não será
delegada ao VI Congresso. Entretanto
devemos evitar a postura salvacionista que,
impactada com nossa derrota, acredita que
uma vanguarda preparada e esclarecida
será capaz de iluminar os nossos caminhos
para redenção.

Nossa vida será dura no próximo
período. Muita mobilização, muita luta,
muita organização, muita produção teórica
e muito diálogo com o povo. O nosso
caminho não tem atalhos. A saída é seguir
em frente.

Este golpe não marcou o fim da história.
Os trabalhadores vão avançar nas sua lutas
e nossos adversários carregam contradições
que o neoliberalismo e a política
antipopular não vão resolver. Vamos
explorá-las para acelerar suas divisões
políticas, econômicas e sociais.

A política está viva e exige atitude de
combate.

O PT não pode se transformar em uma
banca de doutorado e tampouco num
colegiado de notáveis comentaristas da luta
de classes.

RUMO AO SEXTO CONGRESSO COM PARTICIPAÇÃO DA BASE!

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