As 8 falácias de Bolsonaro em Davos

Colunista Alex Solnik, membro do Jornalistas pela Democracia, relata uma frase de Jair Bolsonaro em Davos: 'Sérgio Moro está aqui entre nós para reforçar a nossa preocupação com combate à corrupção e à lavagem de dinheiro'"; "Ao contrário: seu filho Flávio foi pedir sua proteção em meio a acusações de suspeita de lavagem de dinheiro e ele o protegeu e mantém silêncio acerca do escândalo, tal como o ministro Sérgio Moro", diz o jornalista, que aponta outra frase: "Queremos governar pelo exemplo'. Se é assim, o presidente tem que exigir explicações convincentes de seu filho acerca das suspeitas de lavagem de dinheiro e de envolvimento com milícias acusadas de matar Marielle e não colaborar com seu silêncio, como tem feito até aqui"

As 8 falácias de Bolsonaro em Davos
As 8 falácias de Bolsonaro em Davos (Foto: Alan Santos - PR)

Por Alex Solnik, colunista do 247 e membro do Jornalistas pela Democracia

No breve discurso que pronunciou em Davos, o presidente em trânsito, Jair Bolsonaro cometeu ao menos oito falácias: 

1) “Gastando menos de 1 milhão de dólares e com oito segundos na TV, sendo injustamente atacado o tempo todo, conseguimos a vitória”. Não é verdade. Os custos reais da campanha não são conhecidos até hoje, mas seguramente foram bem maiores, a julgar pelos preços do disparo de mensagens de WhatsApp. O TSE ainda apura se houve ilegalidades no financiamento da campanha. Há também suspeitas de práticas ilegais de disparo de mensagens em massa. Também não é verdade que ele atacou o tempo todo; ao contrário, foi quem atacou Haddad, Lula e o PT com injúrias, calúnias, difamações e foi o rei do discurso de ódio.

2) “Pela primeira vez no Brasil um presidente montou uma equipe de ministros qualificados”. Se ele acha que o chanceler Ernesto Araújo, a ministra Damares Alves, os ministros Ricardo Salles e Ricardo Velez Rodriguez são qualificados para os cargos para os quais foram escolhidos é sinal de que ele não conhece as pessoas qualificadas, ou as rejeitou, como foi o caso do educador do Instituto Ayrton Senna. Dizer que nunca houve um ministério qualificado no Brasil é ignorar a história passada e recente do país que governa. 

3) “Gozamos de credibilidade para fazer as reformas que o país precisa”. Mentira. Pesquisas recentes do Datafolha mostram que a maioria dos brasileiros não concorda com as primeiras medidas tomadas pelo governo e suas principais propostas.

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4) “Sérgio Moro está aqui entre nós para reforçar a nossa preocupação com combate à corrupção e à lavagem de dinheiro”. Ao contrário: seu filho Flávio foi pedir sua proteção em meio a acusações de suspeita de lavagem de dinheiro e ele o protegeu e mantém silêncio acerca do escândalo, tal como o ministro Sérgio Moro.

5) “Somos o país que mais preserva o meio ambiente”. Se ele tivesse alguma preocupação séria com o meio ambiente teria indicado para ministro algum (a) especialista no assunto e de reputação comprovada e não um ideólogo de extrema-direita que não demonstra nenhum conhecimento nem respeito pelo tema e cujo principal hobby são armas de fogo. 

6) “Queremos governar pelo exemplo”. Se é assim, o presidente tem que exigir explicações convincentes de seu filho acerca das suspeitas de lavagem de dinheiro e de envolvimento com milícias acusadas de matar Marielle e não colaborar com seu silêncio, como tem feito até aqui. Se quer governar pelo exemplo tem que provar com documentos a operação de empréstimo ao seu amigo Queiróz sobre a qual ainda pairam dúvidas.

7) “O viés ideológico deixará de existir”. O que são, então, suas agressões à Venezuela? O Brasil tem alguma pendência com o vizinho que justifique tal comportamento hostil? O que é, senão viés ideológico de extrema-direita?

8) “Estamos buscando, pelo conhecimento, reduzir a pobreza e a miséria”. Se isso fosse verdade, o titular do ministério da Educação deveria ser o melhor pedagogo do país e não um obscuro colombiano que defende uma aberração chamada Escola sem Partido, condena Paulo Freire e se alinha contra o “marxismo cultural”. Se a ideia fosse reduzir a miséria ele não deveria ter cortado R$8 do salário mínimo, que é o salário dos miseráveis.

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