As Encruzilhadas do Labirinto

Sempre tentei entender o porquê que a chamada esquerda brasileira escolhe tal ou qual pensador ou filósofo como referência filosófica e/ou política

Não estamos sob uma ditadura, estamos no mínimo sob sete!
Não estamos sob uma ditadura, estamos no mínimo sob sete! (Foto: Divulgação)
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Sempre tentei entender o porquê que a chamada esquerda brasileira escolhe tal ou qual pensador ou filósofo como referência filosófica e/ou política. 

Digo isso por que, quando me dispus a tecer as considerações que ora seguem, e lhe atribuir o título acima, o fiz, como fica óbvio, tendo o filósofo francês Cornelius Castoriadis como referência. Aliás, foi seu livro homônimo na minha estante que me chamou à reflexão sobre a “encruzilhada civilizatória” que estamos vivendo.

Apesar desse fato, não foi propriamente em sua obra que me inspirei para tentar minimamente pensar a situação sociopolítica do Brasil nesta tão inusitada quadra histórica. 

Na verdade, me pus a tentar entender por que, ao longo de nossa história, as classes dominantes brasileiras, sempre que se sentem ameaçadas em seus privilégios, recorrem ao “seu braço armado”, isto é, às forças armadas. E por que estas, através sua alta oficialidade, ativa ou inativa, se presta ao histórico papel de capitão-do-mato daquelas.

E não é de hoje! Diríamos: é histórico! 

E, considerando nossa formação histórica e cultural, bem como nossa estrutura de classes, tem data! Podemos dizer que começou a partir dos idos de 1870, ao final da Guerra do Paraguai (1864-1870), quando o exército brasileiro se constituiu como uma força política e social.

Logo, sua “jovem oficialidade” (?), articulada através do um tal “Clube Militar”, sediado na então Corte Imperial, o Rio de Janeiro, aninhou nos braços da aristocracia cafeeira paulista, os “barões do café”, e, juntas, pariram o tal Movimento Republicano e, deste, um certo Partido Republicano Paulista (PRP), de triste memória!

Em menos de duas décadas, a aliança mostrava a que viera: um golpe de Estado, a que “o povo assistiu bestializado”, depôs o velho monarca D. Pedro II, extinguiu a monarquia e instituiu a República. Nossa singular “res publica”. Tudo em nome do povo e pelo bem do povo; mas, sem o povo!

De então por diante, não houve erro: todas as vezes que nosso povo tentou e/ou ameaçou exigir sua “parte nesse latifúndio”, lá estava a “velha aliança” pronta para intervir em nome do povo, pelo bem do povo, mas contra o povo! Assim, foi em 1930, em 1937, em 1945, em 1954, em 1964... Neste caso, “com a família e com Deus pela liberdade”, etc. e amém!

Agora, sentindo-se ameaçada em seus privilégios, conclamada por um presidente tão escroque quanto grotesco, e por uma caricatura de general tão grotesco quanto escroque, amos também produtos da “velha aliança”, as “elites do atraso” nos lançam outra vez nas “encruzilhadas do labirinto”: “civilização ou barbárie”. E mais uma vez em nome de supostos valores pátrios e, agora, “neocristãos”. 

Ao que parece, a “família e Deus” se reunirão de novo. E de novo contra a liberdade, contra a democracia, contra a civilização... Amém!

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