As loucuras que assolam o Brasil

Sem muito estardalhaço pela imprensa, os direitos sociais estão sendo retirados sorrateiramente, as riquezas do país estão sendo entregues, conspícuos Juízes e Promotores ocupando a mídia como super stars

Quem é mais Louco, o Louco ou o Certo? Indagava meu amigo Chico Natureza no alto de suas reflexões filosóficas, pelos idos dos anos 80, Charrete que perdeu o condutor, como dizia Raul, na República Bolivariana do Salobrinho.

Talvez, inspirado em Erasmo de Rotterdam, que dizia: Dissimular, enganar, fingir, fechar os olhos aos defeitos dos amigos, ao ponto de admirar grandes vícios como grandes virtudes, não será, acaso, avizinhar-se da loucura?

Pois bem, na semana passada, por um acaso, já que não costumo frequentar esses lugares, abri uma exceção e parei num barzinho, para beber uma água. O garçom me apresentou uma bebida já conhecida dos sumérios desde os idos de 5.500 a.C., e de acordo com análises químicas, nos depósitos residuais do fundo de um pote recolhido num campo arqueológico neolítico iraniano, confirmaram a existência local de bebidas alcoólicas e especificamente de cerveja.

Aliás, a mitologia grega já tinha Sabazius, como deus da cevada e da cerveja. Embora não fosse sábado, sentei-me para degustar aquele líquido precioso, quando deparei-me com uma invenção, que surgiu no Brasil em 18 de setembro de 1950, trazida por Assis Chateaubriand, e atualmente é um instrumento capaz de fazer a lavagem cerebral de muitos incautos de uma só vez no País inteiro.

Justamente aquela rede que Leonel Brizola dizia: "Quando vocês tiverem dúvidas quanto a que posição tomar diante de qualquer situação, atentem... Se ela for a favor, somos contra. Se for contra, sejamos a favor" (grifei).

A primeira matéria veiculada com pompa pelo símbolo de alienação e alienígena da emissora, dizia que JERUSALÉM É RECONHECIDA COMO A CAPITAL DE ISRAEL. De acordo com a História essa cidade foi estabelecida no IV milênio a.C., mais ou menos o período que se inventou a cerveja. É sabido que Jerusalém é considerada sagrada por três religiões, o judaísmo, o cristianismo e o islamismo. Palestinos e Israelenses reivindicam a cidade como sua capital.

Essa declaração estapafúrdia, partiu de um louco que nem Erasmo no seu elogio à Loucura seria capaz de saber qual o nível de loucura desse individuo, talvez, daquela balada dos loucos dos Mutantes: Se posso pensar que Deus sou eu.

Em seguida, outra matéria dizia que: POLICIAIS FAZEM SELFIE COM UM BANDIDO. Aliás, essa onda de selfie, e cochichar ao ouvido é algo banal e corriqueiro, pelo menos entre um supremo Juíz do Brasil e um senador citado em diversas delações, e pessoas ligadas à ele foram presas de posse com malas de dinheiro. Ora, se o supremo Juíz pode posar ao lado de facínoras, qual o motivo de Policiais não poderem fazê-lo, com alguém menos inofensivo? Estavam apenas exibindo o troféu, assim como o pescador ao fisgar um Marlin Azul.

Logo depois dessa matéria, foi a vez do faturamento, os comerciais, momento em que se cria as falsas necessidades, não compramos por necessidade, quando o realmente essencial já não é mais objeto de consumo, já disse Benjamin Barber, a publicidade induz as marionetes a amassarem as panelas e adquirir outras e esperar as novas ordens, é perfeitamente o retratado por Diana Pequeno em Camaleão: "Eu conheço muita gente que é igual camaleão, com a cabeça diz que sim, com o rabinho diz que não. As virtudes deste bicho, são de grande estimação, é sobrinho do patronato e afilhado da eleição".

Depois do faturamento, surge outra pérola. Cantor é libertado de prisão e vai animar festa de confraternização de Policiais.

Enquanto isso, sem muito estardalhaço pela imprensa, os direitos sociais estão sendo retirados sorrateiramente, as riquezas do país estão sendo entregues, conspícuos Juízes e Promotores ocupando a mídia como super stars, alguns mais parecidos com o Juiz Joseph Dredd (Sylvester Stallone), em "O Juiz" (1995), ele acumula os cargos de polícia, juiz, júri e executor, (qualquer semelhança com algum juiz brasileiro, é mera coincidência).

Nesse cenário o povo grita Goooll, e assiste aquele folhetim que lhes deixa embevecidos, acreditando que chegará lá naquele mundo de fantasias, ou como diz a música de Chico, "tô me guardando pra quando o carnaval chegar", ou ainda a frase atribuída à Ulisses Guimarães que: "Enquanto houver cachaça, samba, carnaval, mulata e campeonato de futebol, não haverá rebelião no Brasil. O Corinthians segura mais o povo do que a Lei de Segurança Nacional."

Caracas, em que mundo nós estamos? Será que é aquele sistema artificial que manipula a mente das pessoas e cria a ilusão de um mundo real enquanto usa os cérebros e corpos dos indivíduos para produzir energia? Matrix.

Não, não é um sonho, nem pesadelo, o povo simplesmente internalizou as Ninfas da Loucura, pois endeusam os condutores do caos que assola o País é KOLAXIA, a adulação; - outros esperam a justiça Divina, se identificando perfeitamente com ANIA, a irreflexão; - e há aqueles que ainda dormem, não se deram conta da realidade, cuja identidade está para LETHES, o esquecimento.

Somos um povo ordeiro que marcha como querem os Senhores. "Você merece, você merece.Tudo vai bem, tudo legal Cerveja, samba, e amanhã, seu Zé Se acabarem com o teu Carnaval?". (Gonzaguinha).

E assim como Erasmo, deixo que julguem a minha tagarelice, já que o sarcasmo, é a liberdade de estilo com o qual se zomba da forma em que vivemos.

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