Às mulheres - e aos homens – que estão renovando o mundo

Quem não se pergunta o que é ser mulher hoje em dia, afinal? Na sociedade em constantes mudanças, com novas formas para violências antigas, em tempos de intolerância!?

Às mulheres - e aos homens – que estão renovando o mundo
Às mulheres - e aos homens – que estão renovando o mundo (Foto: Eduardo Matysiak)
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Quem não se pergunta o que é ser mulher hoje em dia, afinal? Na sociedade em constantes mudanças, com novas formas para violências antigas, em tempos de intolerância!?

Para refletir sobre isso, peço licença para citar o sábio e amado Leonardo Boff, que destaca o paradigma feminino do cuidar, ele interpreta que o mundo necessita deste, pois já teve o bastante do paradigma masculino de conquistar. Agora é hora, então, de cuidar. Cuidar das plantas, dos bichos, das gentes, do planeta, antes que seja tarde...

Há, ainda, muitas histórias atemporais sobre mulheres inesquecíveis (reais ou ficcionais), que cuidam, que perduram através do espaço-tempo e nos inspiram. Uma delas é Antígona, de Sófocles. Nela, a mulher detona a ação dramática, transgride a lei dos homens por respeito à alma do irmão. Mesmo com a proibição explícita do sepultamento deste, ela o faz... De tantos diálogos interessantes, gravei na memória, em especial, um trecho da conversa da protagonista com a irmã Ismênia, que nos fala, por outro lado, das limitações da mulher.

Quando vai pedir ajuda para carregar o corpo do irmão, Antígona recebe a recusa em participar da transgressão. Com receio de ser punida, Ismênia alega: "põe na cabeça isso, mulheres somos, não podemos lutar com homens. Há mais, somos dirigidas por mais fortes, temos que obedecer a estas leis e a leis ainda mais duras." Antígona, entretanto, segue decidida. Para cumprir os rituais de sepultamento, já que não consegue carregar o corpo, joga terra sobre ele. Mais: consciente da pena de morte que a aguarda, leva a coragem até as últimas consequências, a ponto de confessar, orgulhosa, seu ato.

Antígona não se rende à convenção de submissão das mulheres, ou à falta de força física para carregar o corpo do irmão. Quando decide lutar pelo que considera justo, se reinventa. O cuidar que ela realiza é um cuidar ousado. É, também, uma conquista. A conquista de tomar parte na História como sujeito ativo. Como ela, muitas mulheres dão, a cada dia, outras formas à coragem, ao opor-se às injustiças. Marielle viveu este cuidado-coragem...

Por outro lado, há também homens que personificam a coragem-cuidado. Lula recebeu ontem a representante do Movimento dos Atingidos por Barragens, Neudicleia de Oliveira.Mesmo triste, e ainda fortemente indignado pela injustiça de que é vítima, ele não esquece de cuidar. Manda um abraço para todos na Vigília, diz que gostaria de dar um beijo em cada um, em cada uma, e ainda envia parte da comida que recebeu da família aos que estão lá fora... Não é para menos que um dos momentos mais impactantes da fala de Naudicleia é quando diz, depois de rapidamente enxugar, não sem constrangimento, algumas lágrimas:

"Ele está bem fisicamente, mas emocionalmente a gente sabe que não está, porque acabou de perder um neto. Então, durante esta uma hora que eu fiquei com ele, eu passei todo este sentimento que a gente tem vivenciado por quase um ano. Hoje é dia sete de março, falta um mês para completar um ano da prisão injusta do Presidente. Então vocês se sintam todos abraçados, o recado foi dado, eu falei de todas as pessoas, demos muitas risadas inclusive das história da vigília, das atividades que a gente organiza, dos atos inter-religiosos, do luzes para Lula, de tudo isso que se construiu aqui, isso aqui é a nossa família de luta. Isso aqui é a família de Lula. Nós todos somos Lula. "

De tudo que estamos vivenciando hoje, no país, vem a compreensão de que ser mulher, ou homem, é aprender a superar os limites impostos pelos que resistem às transformações que podem nos tornar melhores do que somos, e resgatar nossa humanidade. Trata-se da importância de escolher o amor. Antígona, quando questionada sobre suas ações, responde: "Eu não fui gerada para odiar, mas para amar"...

Quem escolhe o amor é inspiração, é farol que ilumina o caminho para criar um Brasil, um mundo melhor. É um absurdo manter um farol trancado em uma cela. Por isso reivindicamos, sempre e cada vez com mais força: Deixem Lula cuidar do Brasil!

Por isso é importante destacar a convocação que a representante do Movimento dos Atingidos por Barragens faz a nós, para "... reproduzir a vigília em todos os cantos do Brasil, em frente ao STF, em frente ao judiciário, e denunciar. Nós precisamos ser o calo do sapato deste judiciário que prendeu o nosso Lula, nós precisamos tirar ele daqui!" E complementa: "Para isso, mais do que nunca, nós precisamos levantar nossa cabeça. Nós não vamos sair das ruas, nós nunca saímos das ruas, mas nós precisamos voltar para elas com um movimento de massa, com um movimento mais resistente, organizando o nosso vizinho no nosso bairro, a nossa comunidade, o agricultor, a doméstica, explicar porque que o Lula está preso. Não é só dizer Lula Livre, é dizer que o Lula está preso por causa de uma farsa do judiciário, por tudo que armaram contra ele." [...]"Então nós temos um desafio daqui para a frente, que é provar que o Presidente Lula é inocente, e que nós estaremos com ele. Assim como ele entrou de cabeça erguida nesta polícia federal, nós vamos tirá-lo de cabeça erguida por aquele portão, e o traremos para este espaço, este espaço de resistência, este espaço de luta, em que a cada dia estão sendo forjados novos militantes para a luta social. Um abraço a todos companheiros e companheiras."

Acompanhe a fala inteira aqui: 

 

#BrasilUrgenteLulaInocente

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