Até tu, Dilma?

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No Grande Teatro do Planalto Central, a Companhia do PT apresenta uma tragicomédia ao ar livre para 200 milhões de brasileiros. É a versão brasiliense da tragédia de William Shakespeare.

Cena final. Jaz, no chão, esvaindo-se em sangue o imperador Júlio César (esplendidamente interpretado por Lula), diante dos olhares perplexos da multidão, logo após ser apunhalado pelas costas por Brutus (Dilma, cada vez mais bonita) com as buscas da Polícia Federal na empresa do seu filho.

Aproxima-se Marco Antônio (Gilberto Carvalho, em grande forma), escalado para fazer o elogio fúnebre. Nervoso, troca os nomes dos personagens pelos dos atores e a cena fica mais ou menos assim:

Amigos, brasilienses, cidadãos deem-me seus ouvidos. Vim para enterrar Lula, não para louvá-lo. O bem que se faz é enterrado com os nossos ossos, que seja assim com Lula.

A nobre Dilma disse a vocês que Lula era ambicioso. E se é verdade que era, a falta era muito grave e Lula pagou por ela com a vida, aqui, pelas mãos de Dilma e dos outros. Pois Dilma é uma mulher honrada, e assim são todos eles, todos homens honrados.

Venho para falar no funeral de Lula. Ele era meu amigo, fiel e justo comigo. Mas Dilma diz que ele era ambicioso. E Dilma é uma mulher honrada. Quando os pobres sofriam Lula chorava. Ora, a ambição torna as pessoas duras e sem compaixão. Entretanto, Dilma diz que Lula era ambicioso. E Dilma é uma mulher honrada. 

Mas eu tenho que falar daquilo que eu sei. Vocês todos já o amaram e tinham razões para amá-lo. Qual a razão que os impede agora de homenageá-lo na morte? 

Ontem, a palavra de Lula seria capaz de enfrentar o mundo, agora, jaz aqui morta. Ah! Se eu estivesse disposto a levar os seus corações e mentes para o motim e a violência, eu falaria mal de Dilma e de Cardozo, os quais, como sabem, são pessoas honradas. Não vou falar mal deles.

Prefiro falar mal do morto. Prefiro falar mal de mim e de vocês do que destes homens honrados. 

Mas, eis aqui, um pergaminho com o selo de Lula. Eu o achei no seu armário. É o seu testamento. Quando os pobres lerem o seu testamento (porque, perdoem-me, eu não pretendo lê-lo), eles se arrojarão para beijar os ferimentos de Lula e molhar seus lenços no seu sagrado sangue. 

Tenham paciência amigos, mas eu não devo lê-lo. Vocês não são de madeira ou de ferro, e sim humanos. E, sendo humanos, ao ouvir o testamento de Lula vão se inflamar, ficarão furiosos. É melhor que vocês não saibam que são os herdeiros de Lula! Pois se souberem... o que vai acontecer? Então vocês vão me obrigar a ler o testamento de Lula? Então façam um círculo em volta do corpo e deixem-me mostrar-lhes Lula morto, aquele que escreveu este testamento. 

Cidadãos. Se vocês têm lágrimas, preparem-se para soltá-las. Vocês todos conhecem este manto. Vejam, foi neste lugar que a faca de Dilma penetrou. Através deste outro rasgão, Dilma, tão querida de Lula, enfiou a sua faca, e, quando ele arrancou a sua maldita arma do ferimento, vejam como o sangue de Lula escorreu. 

E Dilma, como vocês sabem, era o anjo de Lula. Oh! Deuses, como Lula a amava. O golpe de Dilma foi, de todos o mais brutal e o mais perverso. Pois, quando o nobre Lula viu que Dilma o apunhalava, a ingratidão, mais que a força do braço traidor, parou seu coração.

Oh! Que queda brutal meus concidadãos. Então eu e vocês e todos nós também tombamos, enquanto essa sanguinária traição florescia sobre nós. 

Sim, agora vocês choram. Percebo que sentem um pouco de piedade por ele. Boas almas.

Choram ao ver o manto do nosso Lula despedaçado.

Bons amigos, queridos amigos, não quero estimular a revolta de vocês. Aqueles que praticaram este ato são honrados. Quais queixas e interesses particulares os levaram a fazer o que fizeram, não sei. Mas são sábios e honrados e tenho certeza que apresentarão a vocês as suas razões.

Eu não vim para roubar seus corações. Eu não sou um bom orador como Dilma. Sou um homem simples e direto, que amo os meus amigos. 

Aqui está o testamento, com o selo de Lula. A cada cidadão ele deixou 75 reais. Mais, para vocês ele deixou seus bens. Seus sítios em Atibaia, com suas árvores, seu pomar, para vocês e para os herdeiros de vocês e para sempre.

Este era Lula. Quando aparecerá outro como ele?"

Pano rápido.

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