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E no sétimo dia da passagem de Marielle o que efetivamente se constata é que... Não passou! Me assusto e reconheço que é impressionante o tamanho do lugar que essa jovem liderança passou a ocupar no cotidiano da vida nacional



E no sétimo dia da passagem de Marielle o que efetivamente se constata é que... Não passou! Me assusto e reconheço que é impressionante o tamanho do lugar que essa jovem liderança passou a ocupar no cotidiano da vida nacional
E no sétimo dia da passagem de Marielle o que efetivamente se constata é que... Não passou! Me assusto e reconheço que é impressionante o tamanho do lugar que essa jovem liderança passou a ocupar no cotidiano da vida nacional (Foto: Ângelo Cavalcante)

E no sétimo dia da passagem de Marielle o que efetivamente se constata é que... Não passou! Me assusto e reconheço que é impressionante o tamanho do lugar que essa jovem liderança passou a ocupar no cotidiano da vida nacional.

Vamos no ponto e na guia: no instante em que escrevo estas breves linhas me encontro na cidade de Imperatriz, na parte sul do Estado do Maranhão. Conversando com algumas pessoas sobre política, estrategicamente emendei a questão: "você soube que mataram uma vereadora no Rio?" e todas elas respondiam com um "sim" triste, ressentido e indignado!

Uma dessas pessoas, Marineide Araújo, 48, mãe de três filhas e igualmente negra me disse: "Pois é Ângelo... Ninguém pode estar com os mais pobres que os 'de cima' já partem pra matar". Marineide em clareza admirável entendeu o essencial da sociologia política brasileira contemporânea! Mais pedagógica... Impossível!

Pois bem... Marielle pipoca dia e noite nas redes sociais; virou estampa de camisetas, paisagem e aquarela de muro, tema-centro de debates acadêmicos, avatar/imagem no facebook e watsapp, tomou conta das discussões políticas nacionais; a intervenção napoleônica do exercito nos morros e favelas do Rio ganha novo rumo e orientação mesmo com as negativas do seu comando; a esquerda reflete sobre o imperativo de aproximar pautas, discursos e programas; a direita se constrange; a ultra-direita emudece.

A TV Globo, até a TV Globo, em esforço vão, se esforça por reconciliar-se com a opinião pública e em seu 'Fantástico' de dezoito de março tenta contar de Marielle como se fora um programa tipo aquele do Jota Silvestre com seu indefectível "Esta é a sua vida!"; vagueia de uma ponta a outra, faz um contorcionismo verbal dos diabos; um fundo musical aqui, um close acola, um outro destaque mais adiante e... Nada!

Suas narrativas fazem de um tudo menos atingir o essencial e que sintetizava todas as lutas de Marielle: a busca corajosa por uma sociedade de iguais e sem classes. O pior é que a 'vénus platinada' contava como se não fora parte do problema! Como se estivesse apenas "contando", apenas "informando" ao público do país. Dá para acreditar? No sertão se diz: "o remendo ficou pior do que o soneto". Pior para os Marinho!

O balanço desta semana do encantamento de Marielle? Fácil... A população, nem de longe, engoliu esse crime; o país está inquieto; o ambiente político segue se degradando; as tensões passaram para estágio superior e; para azedar mais ainda nossos dramas, estão bem mais acaloradas, sumárias e de bem mais difícil compreensão.

Na verdade o corpo de Marielle fora sepultado mas sua agonia corre solta, livre, rebelde e impossível nos céus do país, no juízo nacional e nos comportamentos coletivos e individuais da população.

E sopra forte nos ventos, nas águas dos rios e mares; faz turbilhões, tempestades e quer oferendas para se acalmar! É bom que essa direita golpista, criminosa e que matou Marielle compreenda o que se passa e que se jogue no sacrifício porque - entendam! - "quem é do mar não enjoa" e Marielle possui o 'deus tempo' nas suas mãos e estejam certos, não irá embora.

Ângelo Cavalcante - Economista, professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), campus Itumbiara.

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