Bandeira branca

Câmara não é só um gestor despreparado, sem jogo de cintura e talento retórico nenhum. É uma figura que trata os adversários, através de processos judiciais e se cerca de assessores muito próximos à viúva do falecido. A despeito do caráter gerencial tão propalado pelo ex-governador Eduardo Campos, o que se vê é uma administração familiar

Governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB)
Governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB) (Foto: Michel Zaidan)

O governador de Pernambuco, Sr. Paulo Henrique Saraiva Câmara, fez uma aparição espectral na TV, na noite do sábado. Vestido à moda de um pastor evangélico – de camisa branca – deveria ter tido o bom senso de aparecer de preto, em memória das inúmeras vítimas civis que diariamente sucumbem diante da violência fora de controle que toma conta do Estado.

Acompanhado de espectros políticos, quis ele traçar uma linha de continuidade entre o seu sinistro governo e as gestões de Miguel Arraes e, pasmem!, do finado Eduardo Campos, seu patrocinador. Linha esta perigosa, porque ambígua e recheada de contradições. Entende-se que o gestor do PSB queira criar uma imagem positiva de sua administração, no momento em que foi solicitada uma intervenção da Força Nacional em Pernambuco, em razão do alto índice de homicídios e assaltos nas principais ruas da cidade.

Enfrentando uma onda de violência sem controle, o governador quis contra-atacar pondo no ar suas realizações no campo da educação pública entre nós. Iniciativa midiática irônica, já que segundo um recente decreto do executivo, foi feita uma transferência de recursos da Secretaria da Educação, para as prefeituras do interior, no espírito do velho clientelismo político praticado, aliás, pelo PSB em outras gestões.

Seria uma ironia, se não fosse muito triste trocar a educação pública de qualidade por um discurso sofístico, preparado por marqueteiros e pelo apoio eleitoreiro de prefeitos, tendo em vista a reeleição do primeiro mandatário.

De toda maneira, não há como se espantar com essas práticas. A não ser o desespero que elas traduzem, num momento em que nem a educação, nem a saúde nem a segurança vão bem em Pernambuco. E se cogita, até mesmo, da escolha de outro nome para suceder a triste figura desse gestor.

Segundo as especulações, já haveria pelo menos duas possibilidades eleitorais: ou se convidaria o prefeito do Recife, Geraldo Julio, para disputar a sucessão de Paulo Câmara ou se chamaria Felipe Carreras, Secretário de Turismo para a disputa eleitoral. Dar-se-ia ao atual governador um premio de consolação, como candidato a vice num eventual plano B para a candidatura petista à Presidência da República, em 2018.

Em resumidas contas, hoje se sabe que o nome do sr. Paulo Henrique Saraiva Câmara não foi uma boa escolha para o cargo de governador de Pernambuco, sobretudo com a morte do seu padrinho e mentor.

Câmara não é só um gestor despreparado, sem jogo de cintura e talento retórico nenhum. É uma figura que trata os adversários, através de processos judiciais e se cerca de assessores muito próximos à viúva do falecido.

A despeito do caráter gerencial tão propalado pelo ex-governador Eduardo Campos, o que se vê é uma administração familiar, onde os amigos e parentes são convidados a ocupar cargos administrativos.

A manobra clientelista visa garantir a sobrevivência política do governador, a despeito de sua administração funesta e o apoio necessário de determinados currais eleitorais para a eleição dos membros da família Campos no próximo pleito eleitoral.

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