Benedita da Silva é a nossa Kamala Harris

Nos Estados Unidos, o Movimento Negro foi decisivo para a vitória dos Democratas. No Rio, temos a nossa Kamala Harris - Benedita da Silva, a personificação da superação de desafios

Benedita da Silva
Benedita da Silva (Foto: Reprodução/Facebook)
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Nos Estados Unidos, o Movimento Negro foi decisivo para a vitória dos Democratas. No Rio, temos a nossa Kamala Harris - Benedita da Silva, a personificação da superação de desafios. Benedita faz militância e política com humanidade e afeto. Merece não apenas o voto dos cariocas, mas também respeito por uma luta que sempre ultrapassou limites, na defesa dos favelados, das mulheres, dos trabalhadores, dos negros. Benedita da Silva é patrimônio político e cultural do Rio de Janeiro.  

O mundo acompanhou pelas redes e tevês a eleição nos Estados Unidos da América, que ainda não terminou com a contagem final dos votos. Mas, o que vimos, foi uma polarização muito grande, semelhante à que ocorreu no Brasil. Um presidente disputando a reeleição e querendo impor a vitória à força, com mentiras e distorções, não muito diferente do que aconteceu em nosso país nas eleições de 2014 e 2018. Importante refletirmos um pouco sobre o processo eleitoral das nossas eleições municipais que vão acontecer nos próximos dias: em 1º turno no dia 15 de novembro, e em 2° turno 29 de novembro.

A unanimidade nas esquerdas e em diversos movimentos sobre a vitória de Joe Biden e Kamala Harris, é que esta vitória não altera em praticamente nada a dramática situação do Brasil. Não vai mudar a política perversa e de destruição imposta pelo Governo,  mas, evidentemente, a derrota de Trump é também uma derrota para Bolsonaro. E o Brasil vai ficando cada vez mais isolado por conta nefasta política do meio ambiente e para a Amazônia. A manutenção do ministro Ricardo Salles, uma figura inábil, incompetente e causador de problemas, poderá se transformar numa grande dor de cabeça. Da mesma forma a política vergonhosa e estreita do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. Além de todas as violações cometidas contra os direitos humanos. Nesse sentido, com certeza, o governo brasileiro enfrentará problemas e terá que se explicar e buscar algum tipo de consenso e ajuste, até porque já está sendo cobrado por parte da ala militar. 

A conquista nas eleições dos Estados Unidos para muitos, ou pelo menos para cerca de 70% dos americanos, representa a vitória contra o avanço do fascismo e da intolerância, e do enfrentamento ao racismo. Arrisco mais –  foi o fazer política com mais humanidade e empatia, enxergando o outro e as suas necessidades. Agora, sem dúvida nenhuma, a maior vitória que está sendo comemorada lá, aqui e mundo afora é a primeira mulher vice-presidenta. Uma mulher negra, filha de imigrantes, de mãe indiana americana e pai jamaicano, que chegou no topo da maior nação mundial. Os seus desafios e luta são significativos para todas as mulheres que lutam por direitos e igualdade. Certamente as mulheres depositaram essa confiança em Kamala, que garantiu a vitória. 

A vice-presidenta Kamala Harris carrega uma história de conquistas e superação: em 2010 se tornou a primeira mulher a ser eleita para a Procuradoria-Geral da Califórnia. Em  2016 foi a primeira mulher de origem asiática e a segunda negra a assumir, em 240 anos, uma cadeira no Senado norte americano. A vice-presidência personifica a sua luta e vitória, que enchem de esperança tantas outras mulheres, negras e latinas. É sinal de que, mesmo com uma política estreita que perseguiu sistematicamente os imigrantes e negros, imposta por Trump, o desejo por mudança da maior nação capitalista prevaleceu. 

A luta pelo segundo turno

É importante resgatar um pouco da história de Benedita da Silva, sua trajetória política tornando-se a primeira mulher negra a atingir os mais altos cargos da história do Brasil: vereadora, deputada federal constituinte e reeleita para um segundo mandato em 1990; senadora em 1994, com mais de 2 milhões e 400 mil votos; vice-governadora no pleito de 1998 e em 2003, no governo do presidente Lula, ministra da Secretaria Especial de Trabalho e Assistência Social até 2007. 

A luta em defesa de organização dos moradores das diversas favelas do Rio de Janeiro sempre foi destaque. Da mesma maneira a defesa dos direitos das trabalhadoras domésticas, que culminou em lei que garantiu a elas os mesmos direitos percebidos pelos demais trabalhadores, beneficiando mais de 6 milhões no país. A Lei de Emergência Cultural Aldir Branc foi outra conquista importante para milhares de artistas, técnicos, espaços culturais e alternativos e os profissionais da arte pelo Rio, mas também em âmbito nacional. 

Nós temos Benedita, candidata mais bem preparada, com maturidade política aliada ao conhecimento, que vai do morro ao asfalto, da zona sul à zona norte e às periferias do Rio tão maltratadas pelos comandos, pelas milícias e pelo Estado paralelo constituído pelos governos estadual e municipal e pelo prefeito pastor que nada fez pelo povo carioca. 

O Movimento Negro, as trabalhadoras domésticas, o Movimento Sindical, Os Movimentos de Mulherres, os evangélicos, os moradores das diversas favelas – além, é claro, do Chapéu Mangueira –,  os artistas, técnicos, enfim, a população do Rio de Janeiro tem uma candidata à altura da missão desafiadora que será governar uma cidade arrasada. Benedita da Silva é a melhor representante em relação a todos os demais candidatos. 

Estamos na reta final das campanhas eleitorais e de um processo político continuado de agressões ao Rio de Janeiro, que tem sofrido os impactos e ataques por parte dos últimos governos. O maior índice de desemprego e de desalentados é nosso, de moradores de rua e de miseráveis também. Não podemos permitir que candidatos golpistas, que contribuíram para tirar o pão da boca dos trabalhadores, sejam agora eleitos com o discurso bonito enganoso de que poderiam ter feito mais e não fizeram por isso ou aquilo. 

Não votem em quem roubou os seus direitos

Não votem em partidos e nem em candidatos que votaram na Reforma Trabalhista, na Reforma da Previdência e que agora defendem abertamente a privatização do Estado, ou seja, o fim do Ensino Público de qualidade, da Saúde Pública, do SUS e de todas as empresas públicas e estatais. O povo do Rio não pode se dar ao luxo de um novo erro elegendo candidatos golpistas, de direita ou milicianos. 

O candidato que está liderando as pesquisas, Eduardo Paes, é do DEM, mesmo partido do presidente da Câmara, favorável a uma lista extensa de privatizações. Também é a favor da Reforma Administrativa, que nada mais é que a privatização e a redução do poder do Estado de prover as políticas públicas e assegurar o seu cumprimento, além de promover o fim do Regime Único de contratação dos servidores e da estabilidade. Só não foi para a pauta na Câmara e Senado porque sabem que isso comprometeria a eleição de seus candidatos. 

O povo carioca não precisa de prefeitos pastores e fundamentalistas, nem de quem mente e ataca seus direitos. Portanto, não precisamos de Eduardo Paes, de Marcelo Crivella, muito menos de prefeitos com poder de polícia, sejam eles juízes e delegadas. Precisamos de uma prefeita que tenha a cara do Rio, que conheça os seus problemas e saiba resolvê-los com generosidade e empatia.  

Embolados na disputa pelo segundo turno, Crivella, Martha e Benedita. Martha Rocha pode até ter coragem, mas é uma delegada. Não precisamos de mais um gestor com poder de polícia, como o ex-juiz. Queremos uma gestora que, além do conhecimento, olhe com humanidade para todos. Essa candidata, que está lutando sem armas, mas com muita coragem e pode chegar ao segundo turno, é Benedita da Silva.

Festejem Kamala Harris vice-presidenta dos Estados Unidos. Mas festejem muito mais a mulher, negra, militante, guerreira, a candidata mais bem preparada, a nossa Kamala Benedita da Silva. Votem em quem defende os seus direitos, os direitos de todos e a vida para a cidade do Rio de Janeiro.

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