Biden, Roosevelt, Getúlio, Trabalhismo

"A postura imperial americana talvez não sofra grandes alterações. Como se espera que as medidas de Biden provoquem grande crescimento da economia americana, a posição dos Estados Unidos no mundo ficará ainda mais dominante. Nos preparemos todos", escreve Vivaldo Barbosa

Joe Biden discursa no Congresso dos EUA
Joe Biden discursa no Congresso dos EUA (Foto: Reuters)
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O Governo Biden lançou três projetos impactantes neste início de governo, de grande repercussão nos Estados Unidos e para o mundo. Foram um trilhão e 700 bilhões no enfrentamento da pandemia; depois, 2 trilhões e 500 bilhões para infraestrutura e avanços tecnológicos; agora, mais 1 trilhão e 800 bilhões para área social, saúde, educação, habitação, ajuda às famílias. Montanha de dinheiro para atuação do Estado no desenvolvimento e melhoria das condições de vida. Tudo financiado com aumentos dos impostos dos ricos e das empresas.

Somente uma potência econômica poderia fazer isto, dirão muitos. Dirão outros, ainda, que os planos poderiam ser melhores, o plano de Bernie Sanders para ser o candidato dos democratas, e que perdeu para o Biden, era melhor, mais abrangente. Claro, bem melhor.

Duas questões podem ser levantadas. Primeiro, Biden chamou para o governo, para o Estado, o centro das atividades, a aplicação dos recursos, os investimentos básicos. A história já provou: para infraestrutura, para o desenvolvimento, pesquisa e produção de ciência e tecnologia, o Estado tem que vir na frente, os investimentos públicos é que arrastam - o setor privado vem em seguida. 

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Questões desta envergadura não surgem do nada, não são bolações de uma ou mais cabeças, talvez nem mesmo de uma geração. São parte da construção da nação. E Biden teve a clarividência de enxergar isto: procurou inspiração para suas medidas no New Deal de Roosevelt, um dos momentos mais belos da história americana, comparável à Independência e fundação da República e à guerra contra a escravidão de Lincoln. Para simbolizar isto, Biden colocou em seu gabinete um retrato de Roosevelt.

A postura imperial americana talvez não sofra grandes alterações. Como se espera que as medidas de Biden provoquem grande crescimento da economia americana, a posição dos Estados Unidos no mundo ficará ainda mais dominante. Nos preparemos todos.

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O Brasil se prepara para reencontrar o seu caminho, de desenvolvimento, de afirmação da nação com respeito, de menos crueldade com seu povo, pelo menos. Proclama-se, entre as melhores cabeças, a necessidade de um projeto de nação, que as forças progressistas e populares devem se unir em torno de um programa.

O projeto de nação não é um conjunto de folhas encadernadas, nem livros publicados. Deve ser o reflexo da luta do povo brasileiro. Aliás, Brizola dizia que projetos podem ser encomendados a muita gente. E qual é a luta do povo brasileiro agora? Recuperar seus direitos trabalhistas e a Previdência Social, surrupiados nos governos Temer e Bolsonaro, e avançar com as 40 horas, participação no lucro e na gestão, pelo menos; recuperar as estatais estratégicas para voltarem a ser o eixo de desenvolvimento; recompor o Estado Nacional com capacidade de intervir na economia e enfrentar os grupos econômicos daqui e de fora, afirmar a nossa soberania e estabelecer um sistema tributário que arrecade dos lucros e ganhos do capital excessivos, heranças, remessas para o exterior e outros, aliviando a classe média de grande peso e o povo consumidor que paga a conta; retomar a ideia do desenvolvimentismo que encerra coisa preciosa: o povo brasileiro ser capaz de superar o atraso.

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Isto foi o trabalhismo no Brasil a partir de Getúlio Vargas. Brizola acrescentou a educação como questão número um do País, a “prioridade das prioridades”.

Lula, Dilma e o PT tiveram consciência disso. Assumiram todo o ideário do trabalhismo e acrescentaram a superação da miséria e da pobreza como projeto da nação brasileira – Lula sempre diz: colocar o pobre no orçamento. Agora, um passo a mais: o povo com seus direitos, pois os orçamentos são transitórios, vêm e vão.

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