Big Techs avançam também sobre a agricultura digital

"A produção material vai sendo gerenciada através de aplicativos e dados nas 'nuvens' que também articula a produção agrícola e pecuária (AgTech) com a comercialização dos alimentos (FoodTech)", explica o engenheiro e professor do IFF Roberto Moraes

(Foto: Reprodução)
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Nos estudos e pesquisas sobre o capitalismo de plataformas tenho insistido para a necessidade de se observar a dominação tecnológica exercida pelas Big Techs em vários setores da economia.

Além disso, também é importante registrar o fato destas gigantes corporações de tecnologia estarem se expandindo não apenas para intermediar negócios (etapa de circulação), através das plataformas digitais (plataformas-raiz), nos diferentes setores da economia, mas também já estarem avançando para o controle direto (ou indiretamente através de fundos de investimentos) sobre as várias frações do capital.

Esses movimentos já produzem consequências multidimensionais e multiescalares sobre todo o Modo de Produção Capitalista (MPC), nesta etapa do Plataformismo, com efeitos diretos sobre o trabalho e sobre as economias regionais que, paulatinamente, vão tendo as rendas vampirizadas.

Hoje, as seis maiores Big Techs somadas possuem valor de mercado superior a US$ 6 trilhões e no ano passado (2020) tiveram lucro líquido somado em torno de US$ 200 bilhões.

Neste sentido é expressivo analisar o movimento de investimentos, parcerias e atuação direta na área de agricultura e alimentos: AgTechs e FooofTechs.

Seis Big Techs desenvolvem, adquiriram sociedade e já controlam ativos ligados à produção de alimentos que mexem com uma área onde a tecnologia, embora crescente, era relativamente pequena, quando comparada à indústria e aos serviços.

Refiro-me a projetos já em andamento da Microsoft, Apple, Google, Amazon, Facebook e Alibaba que estão em estágios avançados controles de dados (dataficação) do solo, água, safras, clima e gerenciamento rural e de fazendas, localizadas em vários países da África, Ásia, América do Sul e Oceania.

Assim, a produção material vai sendo gerenciada através de aplicativos e dados nas “nuvens” que também articula a produção agrícola e pecuária (AgTech) com a comercialização dos alimentos (FoodTech). São projetos de grande porte que somam mais de US$ 50 bilhões.

Tudo isso reforça a interpretação sobre a dominação tecnológica do oligopólio das gigantes de tecnologia sobre todas as frações do capital com vínculos cada vez mais estreitos e fortes vinculados à financeirização. Voltarei ao assunto com mais detalhes.

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